Religiosidade e arte

Religiosidade e arte

Ao completar 140 anos a paróquia de São Sebastião celebra também o tombamento da Catedral como patrimônio histórico de Ribeirão Preto

Criada em julho de 1870 a paróquia de São Sebastião, padroeiro de Ribeirão Preto, comemora em 2010 seus 140 anos de atividades, sendo 90 deles vivenciados na Catedral Metropolitana. Com um fluxo mensal de 30 a 40 mil pessoas, a igreja é um dos pontos turísticos mais admirados pelos visitantes da cidade, que chegam em busca de um momento de oração, reflexão ou simplesmente para admirar as obras de arte estampadas nos afrescos e vitrais ou a arquitetura em linhas que passam pelo neoclássico, romano e o gótico.

O projeto, inovador para os padrões da época, foi elaborado pelo sueco Carlos Ekman, idealizado em março de 1904, e concluído em 1920. Foram 33 plantas encaminhadas por 25 engenheiros e arquitetos. O suntuoso trabalho arquitetônico se mantém arrojado até os dias de hoje. Segundo expectativas do pároco Francisco Jaber Zanardo Moussa, o padre Chico, a Catedral terá seu processo de tombamento concluído até o fim do ano, tanto pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Artístico e Cultural de Ribeirão Preto (Compac), quanto pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) estadual.

Localizada na praça das Bandeiras, a Catedral preserva verdadeiras obras de arte, a começar pelos portões de ferro com brasões e desenhos que representam o martírio de São Sebastião. Em seu interior, destaque para os vitrais coloridos, os afrescos, os mosaicos e as seis telas que retratam a vida de São Sebastião, pintadas por Benedito Calixto que datam de 1917. A cúpula foi detalhadamente pintada pelo professor ribeirãopretano, José Nicolau Biagini.

O conjunto de obras ainda inclui seis altares laterais, em mármore carrara que, além da figura de Cristo, abrigam as imagens de Nossa Senhora do Rosário, Menino Jesus de Praga, Santo Antônio, Nossa Senhora das Dores e o Sagrado Coração de Jesus. Nos dois nichos ao fundo estão Nossa Senhora Aparecida e o Crucifixo. Contrastando com a riqueza do mármore italiano, as imagens em madeira são, segundo o padre Chico, frutos de doações.

Destaque para o altar mor, ao fundo da cúpula central, que abriga as imagens de São Sebastião, São Pedro e São Paulo e um altar baixo, logo à frente, também esculpido em mármore, onde os padres celebram as missas. Detalhista, pesquisador e incentivador da preservação histórica da Igreja, o padre Chico revela que, ao contrário do que se pensava, a imagem da Santa Ceia esculpida no altar frontal, foi iniciada por Antonio Palocci e concluída por José Carrara. “Na realidade, este altar estava na Igreja de São Benedito e foi trazida para a Catedral pelo padre Dom Mielle”, comenta. Outra curiosidade está no chão da Catedral, que guarda os túmulos de cinco religiosos, entre eles, o primeiro bispo de Ribeirão Preto, Dom Alberto José Gonçalves, o primeiro arcebispo da cidade, Dom Luis do Amaral Mousinho, falecido em 1962, e Dom Arnaldo Ribeiro, sexto arcebispo da cidade, falecido em 2009.

Os três sinos de bronze, que chegaram em 1915, também são parte importante do acervo. Eles soam sistematicamente, todos os dias, em determinadas horas, bem como avisam sobre o falecimento de bispos e a respeito de algumas celebrações do calendário cristão. No alto da torre central, o relógio suíço, hoje automatizado, ajuda a população a acertar seus horários. Nos livros de tombo estão registros de datas importantes para os fiéis, com o primeiro nascimento e casamento celebrados em janeiro de 1870.

Padre Chico observa que os festejos dos 140 anos deram início aos preparativos para a comemoração dos 150 anos da paróquia. Entre as várias atividades que começam a ser organizadas, ele adianta que está preparando um folder que será publicado em três línguas e um DVD histórico, projetos que devem ser concluídos até o fim de agosto. “Para isso, conto com a colaboração da professora Naimora Maria Barbosa de Freitas”, conclui Padre Chico.

Texto: Rose Rubini
Fotos: Carolina Alves e Ibraim Leão

Compartilhar: