Representantes Olímpicos

Representantes Olímpicos

o ala-armador Alex Garcia quer a medalha que faltou em 2012; Francisco Barreto chega ao Rio fazendo história, vinicius antonelli defende o gol da equipe de polo aquático e Boni reforça o time de vôlei

Depois de sete anos de preparação, os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro estão prestes a começar, em 5 de agosto. O Brasil será representado por 465 atletas, número que chega a 800 pessoas, se considerados os membros de comissões técnicas. Esta é a maior delegação brasileira na história, fato impulsionado por ser país da cidade-sede, o que qualifica automaticamente para diversas modalidades. O recorde anterior foi na edição de Pequim, em 2008, quando o Brasil competiu com 277 atletas.

Dos que defendem a bandeira verde, amarela, azul e branca no Rio, dois atletas são nascidos na região de Ribeirão Preto: o ginasta Francisco Barreto Júnior e o ala-armador da seleção masculina de basquete, Alex Garcia. Além deles, o integrante da comissão técnica da seleção feminina de vôlei, o scout Marco Antônio Di Bonifácio, é ribeirãopretano. 
Alex Garcia é natural de Orlândia e, aos 36 anos, vai para sua segunda edição de Olimpíadas para tentar conquistar a medalha desejada que ele não se conforma ter perdido na edição de Londres, em 2012. Na ocasião, o ala-armador da equipe de Bauru — com muita história no basquete ribeirãopretano, já que foi campeão brasileiro pela equipe em 2003, antes de se transferir para a liga norte-americana, a NBA, para atuar no San Antonio Spurs e New Orleans Hornets — ficou decepcionado com a eliminação nas quartas-de-final pela seleção argentina, em grande atuação do ala Manu Ginobili, considerado um dos maiores jogadores do mundo. 

Para Alex, o Brasil poderia ter tido um resultado melhor. “Em Londres, poderíamos ter chegado mais longe do que o 9º lugar, mas cometemos alguns erros e pagamos caro por eles. Às vezes, a ansiedade atrapalha muito. Não dá para querer resolver tudo muito rápido. No Mundial da Espanha, enfrentamos o mesmo problema. Primeiro jogamos muito bem contra Espanha e Argentina, mas contra a Sérvia não conseguimos repetir o desempenho, justamente, pela ansiedade. Creio que o time amadureceu bastante com essa experiência, e o clima da torcida no Rio de Janeiro, em casa, também vai ajudar”, destaca o jogador.

O jogador espera que, jogando em casa, o Brasil consiga um bom resultado. Além disso, o basquete conta com uma de suas melhores gerações, com atletas atuando na NBA e na Europa. Para ele, o principal fator da alta confiança é a presença, no banco de reservas, do argentino Rubén Magnano, campeão olímpico pelo país vizinho em Atenas, em 2004. “Ele é um técnico competente e vitorioso. A experiência adquirida com ele é enorme. Estamos tentando executar o máximo que ele pede, pois muito do respeito que o Brasil ganhou nos últimos anos no basquete é pelo Magnano à beira da quadra. Os árbitros o veem de maneira diferente, os adversários também demonstram muito respeito, o que nos ajuda muito”, aponta Alex, que ainda vê a falta de ritmo de jogo de alguns companheiros como dificuldade.

“Realmente é difícil essa situação que alguns atletas na NBA passam de não jogar muito. Claro que não jogar atrapalha. O Marcelo Huertas só treinando no LA Lakers complica, mas tem que esquecer isso e permanecer focado. Antes das Olimpíadas, teremos um tempo de preparação e tentaremos recuperar o ritmo de jogo neste período. O Varejão, no Golden State Warriors, vice-campeão da liga, joga com frequência e poderá nos ajudar muito”, pontua o jogador.

Em Londres, a primeira Olimpíada de Alex, já aos 32 anos, marcou, também, o retorno do time do Brasil da modalidade ao maior evento do planeta, após 16 anos de ausência. Na terra da rainha, a emoção de fazer parte deste momento foi a emoção dominante. “No primeiro jogo em Londres, contra a Austrália, na hora que pisei na quadra para fazer aquecimento o coração bateu mais forte”, recorda Alex que coloca que o trabalho e a busca pelo resultado deixa qualquer apreensão para trás. “Embora todos os jogadores se preparem emocionalmente, as Olimpíadas trazem um sabor diferente, que vem acompanhado de uma boa dose de ansiedade. Isso acontece só até a hora da bola subir. Naquele momento, essa sensação passa e só a vitória interessa”, completa o jogador.

Tabela do Brasil, na primeira fase do basquete masculino das Olimpíadas Rio 2016

Brasil x Lituânia - Arena Carioca 1, a partir das 14h15
Brasil x Espanha - Arena Carioca 1, a partir das 14h15
Brasil x Croácia - Arena Carioca 1, a partir das 14h15
Brasil x Argentina - Arena Carioca 1, a partir das 14h15
Brasil x Nigéria - Arena Carioca 1, a partir das 14h15

Muito antes do começo

Francisco Barreto Júnior é nascido em Ribeirão Preto. O ginasta faz sua estreia em Olimpíadas pelo Brasil, mas, antes mesmo de iniciá-la, já está fazendo história. No Rio de Janeiro, será a primeira vez que a seleção masculina de ginástica será completa em uma edição dos Jogos Olímpicos, feito conquistado em novembro de 2015, no Campeonato do Mundial de Ginástica, que ocorreu em Glasgow, na Escócia. Na ocasião, a equipe chegou à final da competição e garantiu vaga para todas as modalidades masculinas de ginástica, o que significa mais chances de medalhas, incluindo na prova por equipes.

São companheiros de Francisco no Rio de Janeiro, o medalhista de Ouro em Londres nas argolas, Arthur Zanetti, e o bicampeão mundial no solo, Diego Hypólito, além do companheiro de Clube Pinheiros do ginasta ribeirãopretano, Arthur Nory Mariano, e do primeiro atleta brasileiro a disputar uma final geral de ginástica, Sérgio Sasaki, que conquistou esse feito também em Londres.

Aos 26 anos, Francisco é especialista nas barras fixas e paralelas e é tricampeão brasileiro de ginastica artística — os títulos conquistados foram em 2011, 2013 e 2014. Desde junho, mantém a rotina de treinamentos com os companheiros de seleção brasileira, no Centro de Treinamento da Confederação Brasileira de Ginástica, no Rio de Janeiro. São seis horas de trabalho por dia, o que o ginasta considera “normal”, para a rotina dele. “Além de ser atleta, sou formado em educação física, levanto todos os dias em busca de melhorar o que foi ruim no dia anterior, não só na ginástica, mas na vida, principalmente”, pontua Barreto, que, no fim de junho, disputou uma série de amistosos contra a equipe suíça, no país europeu, como preparação para as Olimpíadas. Na oportunidade, acabou definindo sua convocação.

Francisco saiu de Ribeirão Preto aos 13 anos sem imaginar que chegaria ao maior evento esportivo do planeta. “O estágio na Suíça serviu como preparação para as Olimpíadas. Fizemos uma avaliação contra o time da casa, que sempre disputou conosco. Os Jogos Olímpicos serão uma grande realização para a ginástica artística masculina do Brasil, pois levar cinco atletas na equipe já é um grande avanço. Se Deus quiser traremos bons resultados”, almeja o atleta. As provas de ginástica artística nos Jogos Olímpicos serão de 6 a 16 de agosto, na Arena Olímpica do Rio. No dia 6, serão as classificatórias do masculino.

Campeão sem favoritismo

No vôlei, o favorito para as Olimpíadas é os Estados Unidos, não o Brasil. A afirmação acima é do analista de estatística da seleção brasileira feminina da modalidade, Marco Antônio di Bonifácio, o Boni, que, desde 2007, é um dos auxiliares de José Roberto Guimarães na seleção. Na mesma função, Boni conquistou o bicampeonato olímpico em Pequim-2008 e em Londres-2012. “O Brasil tem praticamente o mesmo time desde Pequim, em 2008. Já os Estados Unidos têm jogadoras novas. Renovou o time inteiro e elevou seu nível”, avalia o especialista.

Boni acredita que as jogadoras do Brasil estão, sim, em um nível superior ao de outras seleções, mas no mesmo patamar que a grande favorita, a equipe dos Estados Unidos, prata nas duas últimas edições dos jogos, além de Rússia e China, que, para ele, são os times que brigarão pelo ouro no Rio de Janeiro, sem descartar algumas possibilidades de surpresas, como Sérvia e Holanda. Para o analista de estatística, além do envelhecimento da seleção brasileira, pesa o fato de jogar em casa, que pode influenciar tanto positivamente, quanto negativamente, embora destaque que o material humano pode ser um ponto favorável ao Brasil. “Temos as melhores centrais do mundo. Estudos comprovam que jogar em casa é bom até certo ponto, pois a cobrança excessiva da torcida pode atrapalhar. O Zé (Roberto Guimarães) tem pegado no nosso pé para não cairmos nessa armadilha”, revela Boni, que aponta que o fato de a maioria dessas jogadoras já ter vivência olímpica ameniza a pressão.

Para Boni, outra virtude da seleção feminina é a preparação da equipe que, desde a histórica derrota para seleção russa nas semifinais dos jogos de Atenas, em 2004, quando chegou a ter cinco matchpoints e, mesmo assim, levou a virada, fez com que mudanças acontecessem no trabalho dentro da seleção. Entre as mudanças, está a função de que exerce, a análise dos adversários. “Temos um software, o DataProject – DataVolley, que facilita o nosso trabalho. Ele consegue avaliar todos os fundamentos do jogo. Ainda precisamos identificar, qualificar e quantificar as virtudes e deficiências do adversário. Mesmo um time que nunca vimos jogar, em apenas cinco minutos conseguimos saber tudo sobre ele. Conhecer o adversário é um grande caminho percorrido”, contou Boni, que também foi jogador de vôlei.

Boni lamenta o fato de poucos atletas de Ribeirão Preto representarem o Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Para ele, o esporte foi abandonado na cidade. 

Tabela do Brasil, na primeira fase do vôlei feminino das Olimpíadas Rio 2016?

Brasil x Camarões - Maracanãzinho, a partir das 15h 
Brasil x Argentina - Maracanãzinho, a partir das 22h35 
Brasil x Japão - Maracanãzinho, a partir das 22h35
Brasil x Coréia do Sul - Maracanãzinho, a partir das 22h35
Brasil x Rússia - Maracanãzinho, a partir das 22h35

Atleta na água

Além das personagens entrevistadas pela Revide, o goleiro da seleção masculina de polo aquático também é nascido em Ribeirão Preto. Vinicius Antonelli, que assim como Francisco Barreto Jr defende o Clube Pinheiros, na Capital, e tem o curioso apelido de Bin Laden.  

Tabela do Brasil, na primeira fase do Polo Aquático masculino das Olimpíadas Rio 2016

Brasil x Austrália - Centro Aquático Maria Lenk
Brasil x Japão - Centro Aquático Maria Lenk 
Brasil x Sérvia - Centro Aquático Maria Lenk
Brasil x Grécia - Centro Aquático Maria Lenk
Brasil x Hungria - Centro Aquático Maria Lenk

Outros olímpicos da terra?

De Ribeirão Preto e região, já saíram diversos participantes de diferentes edições olímpicas; confira alguns desses atletas.

• Fernanda Venturini, do vôlei, com participação nas edições de Seul (1988), Barcelona (1992) Atlanta (1996) e Atenas (2004) – Araraquara

• Guega Fofanoff, do hipismo, com participação nas edições de Barcelona (1992), Atlanta (1996), Sidney (2000) e Londres (2012) – Ribeirão Preto

• Gustavo Borges, da natação, com participação nas edições de Barcelona (1992) Atlanta (1996), Sidney (2000) e Atenas (2004) – Ituverava

• Lais Souza, da ginástica, com participações em Atenas (2004) e Pequim (2008) – Ribeirão Preto

• Nicholas Santos, da natação, com participação nas edições de Pequim (2008) e Londres (2012) – Ribeirão Preto



Texto: Leonardo Santos
Fotos: Valterci Santos/AGIFCOB 
Divulgação FIVB
Washington Alves/InovafotoCOB
Arquivo Revide

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