Reserva de vagas

Reserva de vagas

Das 1.385 vagas oferecidas pelo campus da USP em Ribeirão Preto, 341 foram reservadas para alunos que se formaram no Ensino Médio em escolas públicas e autodeclarados pretos, pardos e indígenas (PPIs)

Pela primeira vez, a Universidade de São Paulo (USP) adotará uma política institucional de cotas sociais e raciais. Dos cursos de graduação de 2018, 341 vagas do campus ribeirãopretano estão reservadas para alunos oriundos de escolas públicas e autodeclarados pretos, pardos e indígenas (PPIs). A decisão foi aprovada em julho pelo Conselho Universitário, que irá considerar dois processos de seleção de forma conjunta: o vestibular da Fuvest e o Sistema de Seleção Unificada (Sisu). 

A reserva será feita de forma escalonada. Em 2018, aproximadamente 37% das vagas de cada unidade de ensino e pesquisa da USP serão reservadas; em 2019, 40% de cadeiras de cada curso de graduação entrarão nessa conta; para 2020, 45% e, a partir de 2021, 50% das vagas por curso e turno. Um dos destaques da proposta aprovada pelos conselheiros é que, na reserva de vagas para os estudantes de escolas públicas, também incidirá o porcentual de 37% de cotas para estudantes autodeclarados PPIs, índice equivalente à proporção desses grupos no Estado de São Paulo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Aumento do número de vagas por cotas será gradual até 2020”, aponta ZagoAo todo, a USP disponibiliza 11.147 vagas, das quais 1.385 estão no campus de Ribeirão Preto, que reúne 26 cursos de graduação. Para concorrer às 341 vagas reservadas pelo Sisu, os candidatos considerados PPIs devem preencher uma autodeclaração. O reitor da USP, Marco Antonio Zago, classificou a decisão do Conselho Universitário como “histórica”. “A inclusão social é uma questão importante do ponto de vista de integração de nossa população”, afirmou Zago.

Para verificar a implantação do sistema, a USP está constituindo a Comissão de Acompanhamento da Política de Inclusão da USP, que apoiará a Pró-Reitoria de Graduação na avaliação dos resultados do processo. O grupo também será responsável pela proposição de medidas que ajudem a instituição a atingir as metas estabelecidas e informar ao Conselho Universitário sobre a sustentabilidade orçamentária das políticas de permanência e de formação estudantil.

O reitor lembra que, em 2017, a USP registrou recorde no número de ingressantes oriundos de escolas públicas em seus cursos de graduação, número que passou de 3.763 (34,6%), no ano passado, para 4.036 estudantes (36,9%) neste ano. Em junho, a Universidade e a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE) assinaram um protocolo de intenções para a criação do programa “Vem pra USP!”. A iniciativa objetiva desenvolver ações para incentivar o acesso de estudantes da rede pública de ensino aos cursos de graduação da Universidade. Alunos do 1º, 2º e 3º anos do Ensino Médio poderão participar do programa, que será uma competição de conhecimentos.

Compromisso social
“A inclusão social é um compromisso dessa gestão”, afirma EduardoProfessor e presidente da Comissão de Graduação da Faculdade de Medicina da USP (FMRP), Eduardo Ferriolli, considera esta decisão um avanço. Nos últimos anos, a USP vem investindo no aumento da inclusão social como um compromisso com a sociedade que a mantém e abriga. “Os números recordes foram atingidos por iniciativas adotadas pela atual reitoria e por órgãos gestores da Universidade, que incluíram aumento da aplicação do teto da bonificação no vestibular da Fuvest pelo programa de inclusão social (Inclusp) e  a abertura de uma nova possibilidade de ingresso na USP pelos sistemas Enem e Sisu”, reforça o professor. 

Apesar deste aumento, Eduardo observa que ainda não se atingiu a meta da Universidade “Essa iniciativa busca atingir, progressivamente, 50% de vagas ocupadas por esses alunos”, aponta. Somente 2017, a FMRP recebeu 38 alunos com esse perfil para preencher parte das 100 vagas. Das 245 vagas dos seis cursos oferecidos pela Faculdade de Medicina local (excluindo o de Informática Biomédica, oferecido em associação com outra unidade da USP), foram 89 ingressantes com essas características, ou 36,3%. 

 

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