Resgate dos anos 70
Em uma visita por décadas passadas, a temporada outono-inverno faz uma parada nos anos 70 e resgata conceitos que marcaram época
A temporada outono-inverno 2013 vem carregada de referências de outras décadas. Mais uma vez, o setentismo ressurge no cenário fashion, resgatando conceitos, padronagens, tecidos e estampas. Porém, desde já é preciso avisar: nada de meias de lurex! A não ser que se receba um convite para uma festa com traje típico dos anos 70. O que a moda propõe é um resgate a algumas referências. E elas vão muito além dos óculos de sol redondinhos que, por sinal, são hit entre as antenadas no assunto.
A passarela dos anos 70 eram as discotecas, onde as calças boca de sino reinavam absolutas, tanto em algodão, com estampas psicodélicas, quanto no jeans, que, na dúvida, era sempre a melhor saída. O jeans era tão dominante que, em 1971, a marca Levi Strauss recebeu pelos seus blue jeans o Cory Award, o prêmio da indústria da moda norte-americana. Nas lavagens, ele se sofisticou e recebeu vários tipos de tratamento: délavé, manchado, escovado e aveludado, e tornou-se a segunda pele das pessoas. Na modelagem, foram tão ajustados que as mulheres tinham que se deitar para conseguir fechar o zíper.
De lá para cá, o jeans nunca mais saiu de cena. Porém, hoje está mais a favor do conforto. É possível vestí-lo sem grandes malabarismos. As lavagens são as mais democráticas possíveis e as famosas boca de sino ficaram mais afuniladas e ganharam a denominação “flare”. Os conjuntos de jeans daquela época voltam forte como tendência, entrando no jogo da monocromia. A única regra é que o conjunto seja da mesma lavagem.
A década se destacou pela irregularidade, não tendo um perfil definido. As transformações aconteciam em todas as áreas: a libertação sexual, as experiências com as drogas, a reclamação dos direitos das mulheres, tudo isso acontecia, enquanto se perdia a liberdade política com o governo do general Médici, no início dos anos 70. Também se comemorava o tricampeonato mundial de futebol.
No esporte, o cooper e a ginástica destacaram-se e inspiraram a moda, que ficou mais esportiva. As saias da época mudavam de comprimento a todo momento: micro, mini, midi, longas. Hoje, novamente a democracia é palavra-chave e usa-se de tudo, dependendo da proposta da produção.
A barreira entre o masculino e feminino foram rompidas e, além do jeans ter se tornado unissex, a jaqueta perfecto e o tênis do tipo Converse viraram clássicos, tanto que até hoje figuram no cenário da moda.
Nas estampas, os hippies ditavam as tendências: flores e psicodelismo, o mesmo que retorna hoje com muita expressividade. Em meados da década, a estética hippie já perdia sua força. A partir de então, era mesmo das pistas de dança que saíam as referências máximas: camisas de cetim, meia-calça de lurex e roupas à base de lycra eram o uniforme dos baladeiros. O fim da década foi marcado pela ascensão do movimento punk em Londres. A estilista Vivienne Westwood concebia o look fetichista dessa tribo, que abusava de elementos como couro, tachas e correntes. O couro é clássico das temporadas outono-inverno. As tachas arrematam roupas e acessórios há algumas coleções e ainda se mantém neste outono-inverno. E as correntes também estão presentes nesta estação, principalmente nas peças com inspiração barroca.
As franjas, que carregam um ar western e folk, foram resgatadas dos anos 20 para os 70 e agora também estão novamente no alvo da moda. Enfim, são muitas as referências trazidas de lá para cá e esses conceitos são muito menos caricatos do que parecem à primeira vista. Basta olhar com atenção e voltar no tempo, nos embalos de sábado à noite.
Fotos: Julio Sian.
Produção de Moda: Marcela Versiani e Mel Cândido.
Modelo: Dani Carvalho - dotmarketing.com.br - Tel.: (16) 3446.5742.
Make up / hair: Werner Coiffeur - Tel.: (16) 3623.7875.