Retomada em curso
Maior acionista individual e presidente interino da Estácio, Chaim Zaher objetiva retomar a credibilidade do grupo e, especialmente, a confiança dos investidores e dos colaboradores.
Desde o dia 16 de junho, o empresário da educação, Chaim Zaher, é o presidente da Estácio, um dos maiores grupos de Educação Superior do país. Desde 2013, o idealizador e proprietário do Grupo SEB, com sede em Ribeirão Preto, é também o maior acionista individual da rede educacional de origem carioca. Para assumir o posto anteriormente ocupado por Rogério Melzi, Chaim afastou-se da presidência do Conselho Administrativo da Estácio e do Grupo SEB, que, nos últimos anos, tornou-se o maior dedicado à educação básica particular no país.
De acordo com o presidente interino, não há prazo para permanência no cargo. “Assumi a presidência para lidar com um importante projeto de reposicionamento da Estácio, focado na retomada da credibilidade, da confiança de investidores e colaboradores”, explica Zaher, esclarecendo que a posição de interino está ligada, apenas, ao fato do empresário ter se licenciado dos cargos ocupados anteriormente. “Ficarei pelo tempo que for necessário para enfrentar os desafios que temos pela frente”, garante Chaim.
A rede de educação superior está passando por uma fase delicada. De acordo com o noticiário, o controle da Estácio é disputado por duas gigantes do segmento, Ser Educacional e Kroton. “Não se trata de uma disputa. Estamos falando de educadores e, por isso, entendo que todas as empresas envolvidas nas notícias dos últimos dias tenham como prioridade a missão de formar bons cidadãos”, argumenta o presidente. Chaim confirma que há uma proposta de fusão com a Ser Educacional em avaliação por um comitê formado pelo Conselho de Administração. “Em relação à Kroton, não houve, ainda, proposta formal, mas, como disse, por dever de ofício, avaliaremos quaisquer propostas efetivamente colocadas à mesa. No entanto, se não for bom para a Estácio e não atender às estratégias de crescimento da empresa, não avançaremos”, salienta Chaim.
Sobre a denúncia feita ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pela seção do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), de que uma eventual união entre a Estácio e a Kroton significaria “concentração econômica ilegal”, o empresário destaca que este é o papel do órgão. “É função do Cade orientar, fiscalizar e prevenir abusos de poder econômico, por isso, é natural que esteja atento a notícias envolvendo grandes grupos”, acrescenta. Numa eventual fusão, desfazer-se, de forma cuidadosa, de alguns ativos não seria problema. No entanto, não há expectativa em torno de uma eventual proibição do Cade, uma vez que todos os cuidados seriam tomados para que não houvesse concentração, entre outros pontos de atenção.
O presidente faz questão de ressaltar, no entanto, que a Estácio nunca esteve à venda. A rede de ensino superior possui 587 mil alunos e grande musculatura para seguir crescendo. De acordo com Zaher, há grandes aquisições em análise. “Nosso compromisso é com os alunos, os colaboradores e os acionistas, e tomaremos o caminho que acreditamos que resultará no melhor para todos eles”, completa.
A já mencionada retomada da credibilidade, como destaca Chaim, passa pela ampliação das receitas, e não pelo corte de custos. Um dos caminhos para isso seria explorar melhor alguns dos ativos da Estácio pouco difundidos, como as ótimas notas nas avaliações do Ministério da Educação (MEC) e o sistema educacional inovador, que resulta em uma qualidade acadêmica de destaque. “As reduções de custo estarão focadas em questões administrativas, sem afetar a entrega educacional para os alunos”, relata o empresário. Os cortes mencionados serão baseados em ganhos de sinergia, como a redução do número de diretorias, já anunciada, e a otimização do uso de instalações, sem a necessidade de diminuição do quadro de colaboradores.
Uma negociação do gênero não seria inédita na trajetória de Chaim Zaher. Tratativas semelhantes, em 2013, promoveram a fusão da então UniSEB com a Estácio, transação fechada em torno de R$ 615 milhões. A operação significou, naquele momento, a entrada definitiva do Grupo Estácio no Estado de São Paulo, onde havia pouca penetração. Desde então, a Estácio Uniseb vem contribuindo para o desenvolvimento do Ensino Superior em Ribeirão Preto.
Com corpo docente e infraestrutura diferenciada, a unidade ribeirãopretana do grupo proporciona aos estudantes o acesso a práticas educativas atualizadas, que promovem o conhecimento e incentivam o empreendedorismo e o interesse no desenvolvimento social, econômico e cultural de Ribeirão Preto e região. O campus local reúne salas climatizadas, espaço de convivência, anfiteatros para 200 e 600 pessoas, ampla biblioteca, modernos recursos audiovisuais, salas de estudo, diversos laboratórios e muito mais.
Atualmente, são oferecidos 20 cursos de graduação e 10 cursos de pós-graduação na modalidade presencial. O mais recente deles é o curso de Medicina, autorizado em 2014. De acordo com a instituição de ensino, a disciplina de Saúde da Família é o carro-chefe do curso e percorre, transversalmente, toda a graduação. Além de apresentar o Sistema Único de Saúde, implementado no Brasil, as aulas incentivam o desenvolvimento de habilidades e competências para o trabalho científico-investigativo e para ações comunitárias por meio de projetos de pesquisa e de extensão. Corpo docente qualificado e infraestrutura completa também são marcas da Medicina da Estácio UniSEB.
46 anos de história
A trajetória da Estácio começou em 1970, ano da fundação da Faculdade de Direito Estácio de Sá, na zona Norte do Rio de Janeiro. Dois anos depois, a instituição foi transformada em Faculdades Integradas, com a criação de novos cursos. Já em 1988, a Estácio de Sá foi elevada à Universidade, tendo iniciado sua expansão pela capital carioca em 1992. Nesse processo, a Barra da Tijuca foi o bairro escolhido para receber o segundo campus do grupo.
A expansão pelo estado do Rio de Janeiro começou em 1996, com a criação das unidades de Resende, Niterói e Nova Friburgo. A instituição de ensino superior demonstrou espírito inovador ao criar, em 1997, o Instituto Politécnico Universitário, primeiro centro superior de formação para o trabalho do país. No ano seguinte, a Estácio iniciou a expansão nacional pelos estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Santa Catarina, Matogrosso do Sul, Bahia, Pernambuco, Pará e Ceará.
O passo seguinte foi iniciar, em 2005, o processo de transformação das subsidiárias em sociedades civis com fins lucrativos. A parceria com duas importantes instituições internacionais — École Hotelière de Lausanne, em Hotelaria, e Alain Ducasse Formation, em Gastronomia, em 2006, precederam a abertura de capital, que aconteceu em 2007.
Já em 2009, a Estácio criou seu novo modelo acadêmico de ensino, assim como iniciou a operação do ensino à distância, que se tornou um dos carros-chefes do grupo. Nova oferta pública de ações e um novo material didático marcaram o ano de 2010 na instituição, que voltou a realizar aquisições no ano seguinte, mesmo período em que ingressou em uma nova área: a de cursos preparatórios para concursos.

As aquisições e parcerias com outras instituições de ensino superior Brasil afora seguiram acontecendo — inclusive a da UniSEB, em Ribeirão Preto, em 2013, aprovada pelo Cade no ano seguinte — até tornar a Estácio um dos principais grupos do segmento no país. Atualmente, o grupo está presente em 23 estados brasileiros e no Distrito Federal, possui aproximadamente 587 mil alunos e nove mil professores, espalhados por 90 campi em mais de 50 cidades.
Rota mantida no Grupo SEB
De acordo com Chaim Zaher, seu afastamento da presidência do Grupo SEB não preocupa e não altera o roteiro programado para o negócio, que se tornou um dos maiores grupos educacionais do Brasil, com atuação totalmente focada na educação básica, da qual é líder. “Temos investido neste segmento como nenhum outro grupo nacional e acredito que ele possua não só uma importância fundamental no país, mas que também seja um dos mais pujantes mercados do momento”, salienta o empresário, antecipando que a educação básica passará por um grande crescimento e por profundas transformações nos próximos anos, movimento para o qual o grupo está preparado.
Chaim deixa a presidência do SEB depois de um período de preparação importante, que contou com um intenso processo de profissionalização e com a montagem criteriosa de um plano estratégico de investimentos e de crescimento. “Tenho enorme confiança nas diretorias que estabeleci para tocar as atividades do SEB. São profissionais extremamente qualificados, que entendem de educação e de negócios, e que já vêm promovendo reestruturações importantes há alguns anos. Deixo a presidência do Grupo SEB, mas não deixo minha paixão pela educação básica, o que me faz continuar investindo fortemente, com muitas novidades importantes vindo por aí”, destaca o empresário. Atualmente, o Grupo possui unidades espalhadas em oito estados e 16 cidades brasileiras, contabilizando cerca de 45 mil alunos.