Retorno gradativo
Com cuidados intensificados por causa da pandemia, paróquias da cidade se preparam para receber os fiéis de volta a partir desta semana
Texto: Paula Zuliani
Graças ao avanço da cidade para a fase amarela do Plano São Paulo, que prevê a retomada das atividades após a paralisação decorrente da pandemia da Covid-19, a Prefeitura de Ribeirão Preto liberou a realização de celebrações eucarísticas presenciais nas igrejas, que estavam fechadas desde março. As paróquias podem abrir as portas a partir do dia 22 de agosto, desde que cumpram uma série de adequações determinadas pelas autoridades sanitárias para preservar a segurança dos fiéis. Na entrevista a seguir, o Padre Francisco Jaber Zanardo Moussa, ou Padre Chico, responsável pela Catedral Metropolitana de São Sebastião, destaca como a tecnologia foi uma ferramenta importante para minimizar as distâncias durante esse período de reclusão e revela quais são os principais cuidados a serem seguidos para que o processo de reabertura seja bem-sucedido.
A fé é um elemento essencial para a superação desse tempo de medo e de incertezas trazido pela pandemia?
A fé fortalece, transcende, alivia o sofrimento e desperta a confiança nos momentos de insegurança e de incerteza. Ela também nos aproxima de Deus. A fé gera esperança, conforto, acolhimento e a dinâmica do seguir em frente. É indispensável em qualquer que seja o cenário, inclusive nesse em que fomos inseridos atualmente, com o surgimento da pandemia.
Para a Igreja e para os fiéis, como foi vivenciar esse período de distanciamento, sem poder celebrar a Eucaristia presencialmente?
Sem dúvida, foi um grande desafio. A Igreja é uma comunidade afetiva participante e atuante. De repente, diante da necessidade de mantermos o distanciamento social para conter a disseminação da Covid-19, tivemos de nos adaptar. Com o objetivo de seguirmos próximos dos fiéis, decidimos migrar a nossa interação do presencial para o virtual, transmitindo as missas por lives e realizando reuniões por meio de plataformas digitais. No entanto, não tínhamos o devido preparo técnico para lidar com esse tipo de tecnologia já que, antes da pandemia, usávamos as redes sociais apenas para postar a programação das atividades da Catedral. Buscamos ajuda, aprendemos a trabalhar com esses recursos e, hoje, posso dizer que superamos as expectativas, conseguindo espaço em lares e em ambientes que, até então, ainda não havíamos entrado. Assim como os fiéis, nós, padres, sentimos saudades da vida comunitária proporcionada pela Igreja, mas, fazendo uma breve análise dos últimos meses, podemos dizer que essa experiência acabou, de alguma maneira, gerando resultados positivos.
A notícia da liberação das missas, a partir do dia 22 de agosto, foi bastante comemorada?
A notícia foi recebida com alegria. É muito importante essa sensação de pertencimento e esse envolvimento na comunidade, pois nos tiram da solidão. Criamos laços de afeto e de solidariedade. Acredito que todos nós estávamos ansiosos por essa liberação, mas, ao mesmo tempo, várias pessoas ainda se mostram preocupadas por causa do risco de contágio da doença. Por isso, o retorno precisa ser feito gradualmente, com máxima cautela e responsabilidade.
Quais são as medidas que serão tomadas para preservar a segurança dos fiéis nesse processo de retomada?
O arcebispo metropolitano de Ribeirão Preto, Dom Moacir Silva, elaborou um decreto com base nas orientações da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e nos protocolos emanados pelas autoridades municipais. Nesse documento, divulgado no dia 14 de agosto, constam todas as medidas básicas que precisam ser cumpridas para que as paróquias possam retomar as celebrações eucarísticas presenciais de forma segura. O número de participantes, por exemplo, não pode ultrapassar 30% da capacidade de fiéis sentados. Os assentos a serem ocupados serão demarcados previamente, respeitando o distanciamento recomendado. As paróquias deverão providenciar álcool gel 70% para higienização das mãos junto às portas da igreja e o uso de máscara é obrigatório. As missas não podem ultrapassar uma hora de duração e o intervalo entre uma e outra tem de ser, no mínimo, de duas horas. No momento da comunhão eucarística, os fiéis devem permanecer em pé, em seus lugares, aguardando os Ministros. As ofertas e os dízimos serão entregues na saída, ao final da celebração.
E quanto aos outros Sacramentos?
Para a realização de cerimônias de Batismo, de Reconciliação, de Unção dos Enfermos e de Matrimônio, é preciso seguir as regras específicas que foram relacionadas no guia “Orientações da CNBB para as celebrações comunitárias no contexto da pandemia da Covid-19”. Já as celebrações do Sacramento da Confirmação estão suspensas até o final deste ano.
As atividades virtuais serão totalmente encerradas?
Não. O decreto recomenda que as paróquias mantenham a transmissão on-line de pelo menos uma celebração aos finais de semana, para contemplar o grupo de fiéis que, nesse primeiro momento, não deverá participar presencialmente.