Revitalização urgente

Cansados de promessas, comerciantes e moradores da área central de Ribeirão Preto cobram melhorias urgentes, ressaltam padre Chico e Marcus Ferreira

Praças degradadas, calçadas danificadas, buracos, sujeira e abandono são alguns dos reflexos da falta de planejamento e de investimentos na área central de Ribeirão Preto, cidade que é dona de um dos principais PIBs do Estado, respondendo por cerca de 0,46% do percentual nacional. O município, que deveria ser modelo, dá exemplo da falta de planejamento administrativo das últimas gestões públicas. Depois de promessas que nunca saíram do papel, comerciantes e moradores se uniram para cobrar agilidade e eficiência do poder público, em ações para revitalizar o centro e criar mecanismos para atrair novos investidores.

Entre os pioneiros desta jornada estão os integrantes da Associação de Moradores e Empresários do Centro (AMEC). Coordenado pelo comerciante Marcos Zeri Ferreira, o grupo é composto por mais de 60 empresários e moradores que querem resgatar o glamour e o charme que, no passado, fizeram do centro uma das principais zonas comerciais e turísticas da região. Um abaixo-assinado com mais de 30 mil assinaturas reforça o desejo da população. Com mais de três mil empresas instaladas e uma estimativa de mais de mais 100 mil moradores, o quadrilátero central responde por uma grande parcela do desenvolvimento econômico da cidade.

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A padronização das fachadas e calçadas, a melhoria do paisagismo e da iluminação, a instalação de lixeiras e de bancos, a melhoria da segurança pública com mais câmeras de monitoramento, entre outros itens, fazem parte do plano de revitalização do centro, apresentado pela direção da AMEC à Prefeitura, à Câmara Municipal, a sindicatos e a associações representativas. O grupo produz jornais informativos apontando os principais problemas e convoca a sociedade a se posicionar sobre a revitalização.

A AMEC também evidenciou diversas iniciativas de revitalizações de áreas centrais em cidades como Campinas (SP), Santa Maria (RS), Uberaba (MG), Santo André (SP), Presidente Prudente (SP) ou mesmo a vizinha Sertãozinho, que saiu na frente de Ribeirão Preto e já realiza obra de revitalização do centro. A um custo estimado em R$ 7 milhões, além da fiação elétrica e telefônica subterrânea, o projeto completo contempla a instalação de novas luminárias, o rebaixamento das guias, o aumento da calçada, a transformação de esquinas em praças e a padronização do piso.

Apesar da obra antienchente que está modernizando a avenida Jerônimo Gonçalves, o centro continua com aspecto desagradável, poluído, marcado pela presença do comércio ambulante, de fachadas sujas e antigas, de prédios desocupados, entre outros problemas. Para Marcos, além de investimentos, é preciso ter vontade política e mudar paradigmas urgentes. “É necessário elaborar um plano mais amplo, que contemple todas as obras, e prever o custo total de sua implantação. Além disso, deve-se estabelecer um cronograma de ação, visto que estamos às vésperas de um ano eleitoral e a legislação impede que o poder público faça novos investimentos por um determinado período”, adverte Marcos, lembrando que é perfeitamente possível revitalizar a área em etapas, de acordo com os recursos disponíveis. “Isso pode acontecer desde que o projeto esteja aprovado e previsto nas Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Segundo o presidente da AMEC, o centro precisa, muito mais do que reforma e padronização, necessita ser olhado com mais atenção. A falta de manutenção e a concorrência dos shoppings centers desestimularam a permanência, por exemplo, de lojas âncoras, como Colombo, Marisa, McDonald’s, Saraiva, Kopenhagen, entre outras. “Precisamos criar mecanismos, como o IPTU progressivo, para coibir a vazio imobiliário no centro. Além disso, é preciso investir urgentemente em educação ambiental para que a população não jogue lixo nas ruas e também desenvolva um sentimento de respeito ao patrimônio público”, reforça Marcos. 

Sanitários
A iniciativa dos empresários é reforçada por Francisco Jaber Zanardo Moussa, o padre Chico, responsável pela paróquia central e pela Catedral Metropolitana de São Sebastião. Insatisfeito com a morosidade e com a falta de cuidado do poder público com a Praça das Bandeiras, entre as principais reivindicações estão os sanitários públicos previstos no projeto de revitalização do espaço, de 2008, mas que não saíram do papel. Além da má conservação, a falta de banheiros gera problemas à igreja católica. “As paredes externas da Catedral já estão descascadas e mofadas pelo acúmulo de urina, e até fezes, que todas as manhãs infestam os arredores do templo”, lamenta o padre. Ele reforça, ainda, que teve que limitar o uso do sanitário da sacristia por conta dos abusos da população e dos ambulantes do entorno, que não têm banheiro público. Orçada em R$ 1.040 milhão, a obra contemplou somente a reforma do local e, segundo informações da prefeita Dárcy Vera, na época, os custos com os banheiros ficariam em torno de R$ 150 mil, valor que foi economizado com os postes de energia elétrica doados pela CPFL.

Há cerca de um mês, padre Chico foi informado que as obras seriam iniciadas, mas até o momento nada foi feito. Por se tratar de um local tombado como Patrimônio Histórico, qualquer interferência no paisagismo original da praça exige atenção especial, mas o local já foi aprovado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico de São Paulo (CONDEFAAT).

Resposta rápida
No dia 29 de agosto, a prefeita Dárcy Vera apresentou na Associação Comercial e Industrial (ACIRP) um projeto de revitalização para nove quarteirões.
Segundo a prefeita, o trabalho é o resultado do esforço de um grupo de 32 pesquisadores e técnicos em urbanismo, realizado durante um ano. O projeto já teria cerca de R$ 2 milhões iniciais, doados pela Câmara Municipal.

No dia seguinte, durante um reunião do Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto (SINCOVARP), a Prefeitura estimou o custo total das obras em cerca de R$ 40 milhões, sendo que R$ 8 milhões devem ser destinados à instalação das redes subterrâneas de energia elétrica, telefonia, TV a cabo, entre outros serviços, que hoje são transmitidos por redes aéreas.

Durante a reunião, que contou com a participação de representantes da Prefeitura, da Câmara e de comerciantes locais, ficou acordado que a etapa inicial da revitalização do centro começará pela troca de fiação nos nove quarteirões. Dárcy se comprometeu a enviar um pedido de orçamento à CPFL com máxima urgência. Também ficou decidida a formação de duas comissões para acompanhar o processo de finalização e aprovação do projeto completo de revitalização.

No encontro, a secretária de Cultura, Adriana Silva, anunciou que o Conselho de Preservação do Patrimônio Cultural do Município de Ribeirão Preto (CONPPAC) destinará R$ 1 milhão para as obras de revitalização, sendo R$ 650 mil para uma galeria com banheiros na área central, R$ 300 mil para o mercadão e R$ 50 mil para a revitalização da Praça 7 de Setembro.

Luiz Carlos Valli, gerente de contas do Poder Público da CPFL, disse que a solicitação de orçamento não foi recebida, mas adiantou que já estimou o custo do trabalho em cerca de R$ 1 milhão por quarteirão em uma conversa prévia com a prefeita. “Esse valor ainda vai depender do que será feito e de que forma as obras acontecerão”, apontou. Valli explicou que o custo final da rede subterrânea de Sertãozinho deve ficar em R$ 3,5 milhões (cerca de R$ 437 mil por quadra), serviço realizado em oito quarteirões de uma única rua, a Barão do Rio Branco.

CONTEÚDO EXTRA

Reivindicações AMEC

- Troca do piso do calçadão - (a exemplo do que já foi feito na rua Jerônimo Gonçalves, pode ser de concreto estampado, que reduz sensivelmente o custo de manutenção)
- Mobiliário Urbano – luminárias – lixeiras – bancos – paisagismo – sanitários públicos, pintura de prédios tombados, etc.
- Ampliar o número de câmeras de segurança monitoradas pela Polícia Militar
- Padronização de calçadas e fachadas
- Fiação embutida em todo o quadrilátero central (energia, telefonia, TV a cabo)
- Regulamentação da publicidade externa, distribuição de panfletos, propaganda com som
- Coletor grande para resíduos recicláveis (papel, plástico, alumínio, etc)
- Fiscalização Eficiente (maior presença da Guarda Municipal ou a exemplo de São Paulo, aproveitar os PMS de folga, fardados e armados, ganhando hora extra R$ 16,50/h em SP)
- Restauração e ocupação urgente dos prédios tombados
- Educação Ambiental – realização de campanhas junto à população, iniciando pela separação dos resíduos e despertar da consciência para o cuidado e a limpeza da cidade
- Camelôs – tolerância zero, com maior fiscalização
- Poupa Tempo na área central ou serviço similar reunindo vários setores da Prefeitura, por exemplo, em um único espaço
- Reengenharia do trânsito
- Jardineiros que cuidem periódicamente das áreas verdes
- Administrador permanente na área central (poderia ser no mesmo lugar do Poupa Tempo)

• Todas estas questões poderiam contar com a participação dos lojistas, desde que se articule um plano administrado por eles

Câmeras reduzem criminalidade em 60%

Instaladas em pontos estratégicos no centro de Ribeirão Preto, as câmeras de vigilância comprovaram ser eficientes na prevenção de delitos, diminuindo as ocorrências policiais. Por meio de uma central, toda movimentação é monitorada 24 horas pelos policiais, que a qualquer ato estranho acionam a viatura policial que chega ao local da ocorrência em menos tempo. Denominado Olhos de Águia, o programa adotado pela Polícia Militar é realizado com apoio da Prefeitura e ACI.

A redução da prostituição e tráfico de drogas no centro também caiu sensivelmente,registrando, uma queda do número de ocorrências da ordem de 60%, inclusive com a extinção da prostituição infantil, principalmente nas proximidades da  rua José Bonifácio.

Em funcionamento desde maio de 2007, com a instalação de câmeras fixas, modelo Speedy Dome o projeto de câmeras de monitoramento foi ampliado para mais quatro cruzamentos da cidade,  contanto com um total de 14 câmeras instaladas em pontos estratégicos da região central, monitoradas por integrantes da Polícia Militar.

O equipamento de última geração possibilita um ângulo de visão de 360º, com zoom de mais de 200 vezes, visão noturna, congelamento da imagem, velocidade de até 240º por segundo, entre outras funções.

O projeto tem como parceiros Polícia Militar, Guarda Civil Municipal, Polícia Civil, Transerp, Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto (Sincovarp), CPFL e Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). O monitoramento das câmeras é feito pela Polícia Militar e Guarda Civil Municipal na central instalada na Base Centro, na rua Florêncio de Abreu. A central tem dois monitores, quatro TVs e um telão, que estão sendo observados 24 horas.

Prudente investe R$ 2 milhões na revitaliza calçadão

Construído em 1979 o Calçadão da rua Tenente Nicolau Maffei já está de cara nova. O projeto orçado em torno de R$ 2 milhões está sendo executado, quadra a quadra, para não atrapalhar o comércio local. Parte dos serviços está sendo realizada à noite ou mesmo aos domingos e até em feriado. De acordo com informações da assessoria de imprensa da Prefeitura, da Praça da Bandeira até o final da quadra da Praça 9 de Julho, o Calçadão terá um único nível.

Nas transversais, os veículos terão pela frente a elevação, do tipo das lombofaixas de ambos os lados do Prudenshopping, nas avenidas Manoel Goulart e Washington Luiz.

O piso instalado é liso no vão central e antiderrapante nas laterais, com o mínimo de interferências possíveis. Por sua vez facilita o percurso dos portadores de deficiência física e visual, e até mesmo daqueles possuem a mobilidade reduzida como idosos e gestantes.

As antigas floreiras e a fiação das lojas, tanto da rede elétrica como da telefonia estão sendo retiradas. A Sabesp instalou novas redes de abastecimento de água e coleta de esgoto, eliminando as antigas que são de canos galvanizados e devem apresentar problemas de corrosão. As novas canalizações são em PVC. A campanha de Natal deste ano já será feita com novo Calçadão.

Texto: Rose Rubini | Fotos: Júlio Sian | Vídeo: Yara Racy com Torres Comunicação

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