Revolução dos projetos

Revolução dos projetos

Como em diversos outros setores, a Arquitetura também evoluiu, rendendo-se às vantagens da tecnologia

Há algum tempo, quando se pensava em um arquitetura, a primeira imagem que vinha à mente da maioria das pessoas era um profissional debruçado sobre a prancheta tendo como ferramentas de trabalho papel, lapiseira, canetas, réguas e calculadora. Essa cena ainda pode ser vista em muitos renomados escritórios espalhados por Ribeirão Preto. O desenho da obra feito à mão ainda é uma arte importante no processo criativo. Mas, como em diversos outros setores, a Arquitetura também evoluiu, rendendo-se às vantagens da tecnologia. Atualmente, o computador e alguns programas técnicos se tornaram ferramentas obrigatórias para que o profissional possa desempenhar as funções de maneira mais rápida, prática e eficaz.

Formado em 1980, o arquiteto Carlos Trocca acompanhou de perto esse progresso, aprendendo no dia a dia a lidar com os novos recursos. Responsável por vários empreendimentos de sucesso na cidade, ele comenta que a melhor maneira de expressar as ideias ainda é através da combinação entre papel e lápis, mas que não abre mão da ajuda da modernidade na hora da finalização. “É difícil comparar a época em que comecei minha carreira com a que vivemos hoje. De lá pra cá, tudo mudou na forma de elaborar os projetos. Os serviços de computação gráfica associados às novidades permanentes de hardware fizeram uma verdadeira revolução, tanto na hora de montar o projeto, quanto na hora de apresentar ao cliente. Com apenas alguns cliques, simulamos inúmeras possibilidades até chegar ao resultado desejado”, explica Carlos. Outro benefício propiciado pelo avanço tecnológico que merece destaque, segundo o arquiteto, é a parceria com outras áreas, como a hidráulica e a elétrica, por exemplo. O computador torna mais fácil a sobreposição dos desenhos e interferências, o que antes era quase impossível.

A coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNIP, Carolina Margarido, atua na área desde 2002 e leciona desde 2009. Segundo ela, logo que ingressam na universidade, os alunos ficam animados e ansiosos para desvendar os comandos dos programas computadorizados. Porém, a coordenadora faz um alerta. “A nova geração já está acostumada a interagir com o mundo virtual e domina essas técnicas naturalmente. Porém, na sala de aula, buscamos frear um pouco esse ímpeto. Eles têm uma disciplina totalmente voltada para o assunto desde o primeiro ano do curso, mas precisam aprender, antes de tudo, os conceitos básicos da atividade projetual. Sem dúvida, o computador é um aliado essencial ao trabalho. Entretanto, esse recurso deve ser utilizado como um complemento que estimule a intelectualidade do arquiteto. Se o profissional não tiver um conteúdo educacional forte e preparo para lidar com os desafios propostos, de nada adianta toda a modernidade à disposição”, observa a coordenadora.

Assim, para Carolina, não há como substituir a capacidade humana de obter conhecimento, de interpretar, de refletir criticamente, de sentir, de ler as necessidades dos clientes e adaptá-las às formas e aos espaços físicos. São essas habilidades que fazem a diferença para criar um projeto que emocione e qualifique a relação dos homens com o mundo que os rodeia. Entre os programas que mais auxiliam o trabalho dos profissioais estão o AutoCad, pioneiro na difusão desses sistemas e no acesso. Há também o Revit, o Archicad, o Photoshop e o Atlantis, entre outros, cada um com uma proposta específica. A coordenadora acredita que a tendência é que o mercado continue em constante e acelerada evolução, tornando os projetos cada dia mais próximos da realidade. “A computação está tão avançada que quando alguma alteração é feita na planta da edificação os outros desenhos são automaticamente modificados, seguindo a nova orientação. Isso traz uma agilidade sem precedentes”, destaca Carolina.

Aos 22 anos, cursando o 4º ano da faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Matheus Barcellos Leite decidiu que seguiria essa carreira justamente por causa da interação com o universo virtual. “Desde pequeno me identificava com a área, mas gostei ainda mais da Arquitetura quando comecei a projetar com a ajuda do computador, usando o famoso jogo ‘The Sims’. Os criadores do software eram arquitetos que buscavam simular a vida real e disponibilizaram o mecanismo na rede, onde acabou se tornando muito popular no mundo todo. Inspirado pela brincadeira, decidi levar o assunto a sério”, lembra.

Habituado com as técnicas, o jovem descobriu ainda mais formatos na universidade e pesquisou outros sistemas por conta própria. Para ele, a computação gráfica traz inúmeros benefícios. Sob o comando do profissional, as ferramentas realizam trabalhos minuciosos rapidamente, como levantamento da quantidade de materiais e estudos solares. “Isso permite que possamos pensar mais no projeto em si do que na forma de projetar e ilustrar nossas ideias. Hoje, dominar esses programas é item obrigatório para entrar no mercado de trabalho”, revela. O cliente também é contemplado. As maquetes eletrônicas, que simulam ambientes e objetos com perfeição, representam um ganho significativo. Através das animações em 3D pode-se, inclusive, caminhar pelo projeto, fazendo o percurso exato e obtendo visuais com diferentes iluminações, materiais e dimensões. “A união entre talento e tecnologia é extremamente interessante. Dela surgem projetos realmente admiráveis”, finaliza Matheus.

Texto: Paula Zuliani |  Fotos: Julio Sian

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