Ribeirão Preto e o impeachment

Ribeirão Preto e o impeachment

Moradores da cidade se manifestaram a favor e contra o afastamento da presidente Dilma Rousseff na cidade, em São Paulo e em Brasília

No momento em que você lê esta reportagem, a maior parte do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff já deve estar concluída. Apesar desta edição ter sido fechada ainda antes do final da votação do Senado, do pedido, agora, de pronúncia contra a  presidente (a etapa da investigação propriamente dita), a matéria mostra que Ribeirão Preto participou da discussão do processo desde o início, com a votação dos deputados federais Baleia Rossi (PMDB) e Duarte Nogueira (PSDB), ambos a favor da cassação do mandato, e de grupos que protestaram em Ribeirão Preto e se deslocaram até Brasília e São Paulo para demarcarem suas posições sobre o afastamento.

Os protestos a favor do impedimento da presidente tiveram mais adesão e visibilidade, além de terem começado bem antes da aceitação do pedido pela Câmara dos Deputados. Os primeiros protestos foram justamente pela aceitação do pedido de impeachment do então presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), hoje afastado de seu mandato. Os grupos favoráveis à Dilma Rousseff também se organizaram de forma contundente contra o afastamento e, apesar de em menor número, fizeram barulho para denunciar o que consideram golpe contra a presidente eleita com 54 milhões de votos.

Em Ribeirão Preto, foram várias manifestações de grupos favoráveis à presidente em diversos locais, sendo que a mais recente antes da votação no Senado aconteceu na tarde de terça-feira, 10, quando cerca de 30 manifestantes, organizados pela Frente Brasil Popular, concentraram-se no Centro da cidade e seguiram em passeata até a Câmara Municipal, onde participaram da sessão e gritaram palavras de ordem como “não vai ter golpe, vai ter luta” e “golpistas, fascistas não passarão”.

O ato, mesmo que com número reduzido de manifestantes, provocou a redução de tempo da sessão da Câmara, que durou cerca de 20 minutos, quando o comum é durar mais de duas horas. “As Frentes Brasil Popular e Brasil Sem Medo já haviam definido o dia de hoje (terça-feira, 10), como o dia nacional de paralisação contra o impeachment”, disse Luiz Henrique de Souza, coordenador regional da Frente Brasil Popular.

Além da manifestação, a Frente Brasil Popular enviou manifestantes para uma vigília em Brasília e para manifestação em São Paulo, como ocorreu no dia da votação da admissibilidade do processo na Câmara dos Deputados, onde a maior concentração de ribeirãopretanos ocorreu em São Paulo, em apoio aos manifestantes da capital e de outras regiões do Estado. Na semana passada, um grupo também da Frente se manifestou em frente à sede do PSDB em Ribeirão Preto e na Câmara Municipal. Nas duas ocasiões, além do protesto contra o impeachment, os manifestantes defenderam a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), pela Assembleia Legislativa de São Paulo, para investigar possíveis desvios de recursos da merenda escolar pelo governo paulista.

A favor do impeachment e contra a presidente Dilma Rousseff, o Movimento Brasil Limpo (MBL) organizou várias manifestações na cidade, principalmente, aos domingos. Em outras ocasiões, organizou carreatas pela cidade para divulgar sua posição pelo impeachment. Também por quatro vezes foi a Brasília fazer manifestações e pressionar os parlamentares a votar a favor do impedimento. No dia da votação, o MBL organizou o acompanhamento dos votos com transmissão em um telão na esquina das avenidas João Fiusa e Presidente Vargas, na zona Sul da cidade, e enviou um ônibus com manifestantes para Brasília. No dia da votação pela Câmara dos Deputados, o acompanhamento foi em área maior, na avenida Nove de Julho. “Montamos uma manifestação menor porque é para comemorar o resultado”, disse Marcos Spínola de Castro, um dos coordenadores do MBL. 

 

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