Ribeirão Preto mais verde
O programa municipal reforça a responsabilidade ambiental e convida empresas e cidadãos a participarem da construção de uma cidade mais aborizada
Encontrar oásis verdes em meio à cidade cada vez mais dominada por concreto é o desejo de grande parte da população ribeirãopretana. Isto porque a maioria dos espaços verdes públicos constitui um dos principais articuladores da vida social. São lugares de encontro, integração e trocas que promovem a diversidade cultural de uma sociedade e criam valor simbólico e a sensação de pertencimento. Essas características fazem com que os governos locais desenvolvam estratégias para o surgimento de novos espaços verdes, mecanismos para aperfeiçoar sua manutenção, melhorar a qualidade de seus equipamentos e potencializar os acessos.
Para tornar esses espaços verdes de Ribeirão Preto lugares mais apropriadas para a convivência, a Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, reformulou o programa “Verde Cidade – Adote Uma Praça”. O programa funciona desde 1998, porém precisou passar por mudanças para se adequar à Lei Cidade Limpa, que regulariza a publicidade no Município. “O Adote uma Praça é um programa simples, que permite a qualquer entidade civil assumir a responsabilidade de manter áreas verdes públicas no Município”, esclarece Daniel Gobbi, secretário do Meio Ambiente.
Como consta na proposta do programa, ao adotante cabe a conservação das áreas, desde preparo, plantio, manutenções e limpeza, deixando o local em perfeitas condições de uso para a comunidade. Em troca, permite-se a colocação de placa de divulgação devidamente adequada à Lei Cidade Limpa. A Secretaria do Meio Ambiente orienta os candidatos a parceiros em tudo o que for preciso, desde a indicação de uma área até as diretrizes para a execução do projeto paisagístico. Além disso, a fiscalização do programa é realizada pela Secretaria do Meio Ambiente, em conjunto com a Coordenadoria da Limpeza Pública. “Além da valorização da marca da empresa, essa atitude contribui para o embelezamento dos bairros da cidade e para o aumento da qualidade de vida”, explica Daniel.
Com a adesão ao programa, os empresários de Ribeirão Preto encontraram uma boa maneira de contribuir significativamente para a melhoria da paisagem urbana da cidade. Participante do projeto há 15 anos, a Jabali Aude Construções acredita que a iniciativa privada pode assumir algumas responsabilidades no que se refere à qualidade de vida dos cidadãos. “O principal ganho para a empresa é exatamente o mesmo que buscamos para a população: uma cidade organizada, com melhores condições paisagísticas. Com esta ação, nós também ajudamos a conscientizar a todos que a preservação da cidade é responsabilidade de todos”, enfatiza o administrador de empresas Eduardo Aude. A empresa é responsável pela revitalização da rotatória entre as avenidas João Fiusa e Presidente Vargas.
A Perplan Urbanização e Empreendimentos, também parceira do projeto desde 1998, mantém seis áreas adotadas, unindo os conceitos de urbanização e de arborização. “Desenvolvemos em nossa trajetória uma política interna que se preocupa com áreas verdes locais, o que já nos dá experiência no assunto. Como resultado dessa postura, esse tipo de iniciativa já delineou, nesse período, uma diretriz norteadora para nossa empresa, voltada à criação de praças, canteiros e áreas de preservação permanentes”, declara Fernando Junqueira, diretor da empresa.
Segundo a Secretaria do Meio Ambiente, 37 áreas em várias partes da cidade já foram adotadas, porém, existem outros 80 projetos em análise. “A Perplan adotou mais duas áreas, uma na zona Norte e outra na zona Oeste. A empresa objetiva urbanizar e preservar toda a cidade, e não apenas a zona Sul, apesar de possuir áreas nesta região”, frisa Fernando.
Politicamente correta, a ideia, além de evidenciar preocupação com a causa ecológica, ainda auxilia na economia de recursos públicos. Assim, a Prefeitura pode destinar as verbas poupadas a outras iniciativas. “Temos inúmeras áreas verdes que precisam ser cuidadas, cuja manutenção gera custos à administração municipal. Com mais empresas aderindo ao programa, a Secretaria do Meio Ambiente terá mais condições de realizar a manutenção de outras áreas”, pontua Gobbi.
Para Fernando, a regulamentação do programa pode gerar mais adesões de novas empresas, com compromissos ainda mais sérios e estruturados, o que também diminui os gastos dos cofres públicos. “Tudo isso amplia a ação coparticipativa de empresas da cidade, que aqui geram sua produção. Essa passa a ser uma forma de retribuir ao Município o crescimento conquistado”, finaliza.
Nessa perspectiva, muitas questões são levantadas e instalam uma articulação entre demanda e possibilidades efetivas. De acordo com o consultor empresarial e professor universitário Alex Ferreira, a sustentabilidade tem como principal objetivo diminuir o consumo de recursos na produção das empresas. “Assim sendo, a sustentabilidade tende a diminuir custos, gerar novas fontes de receitas, motivar funcionários, fornecedores e clientes e, também, provocar no mercado motivos para que as empresas que investem em sustentabilidade e no meio ambiente se tornem mais presentes na mente do consumidor”, expressa.
Não é de hoje que a responsabilidade ambiental faz parte do cotidiano das empresas brasileiras. Também é fundamental a preocupação com o bem- estar da população e, consequentemente, com o compromisso com os clientes. “Acreditamos que as empresas devem assumir responsabilidades com o município no que se refere à qualidade de vida das pessoas. Aderindo ao projeto, buscamos mostrar o que as empresas podem fazer pela sociedade”, salienta Eduardo. Alex garante que os cuidados com locais de convívio, como os beneficiados pelo Programa Verde Cidade, são sempre bem vistos pela população. Assim, os ganhos para as marcas investidoras podem ser bastante atrativos. “Projetos como esse proporcionam benefícios para a cidade, para a população, para as empresas investidoras e para o meio ambiente. Para os investidores, os resultados são imagem, aumento das vendas e dividendos”, acrescenta.
Garantir a funcionalidade e colaborar com a urbanização da cidade de forma planejada e estratégica, além de promover uma reestruturação e nos bairros, são alguns dos objetivos da Perplan. “A empresa ganha experiência e amplia sua expertise em soluções estratégicas voltadas ao desenvolvimento sustentável, modelo que já faz parte de sua marca e de sua credibilidade no mercado”, analisa Fernando.
O mercado ecologicamente correto é bem visto pelos consumidores e tem se tornado um dos principais impulsionadores da economia. Para o consultor, esse é um caminho sem volta. “As empresas devem acelerar os processos de pesquisas e de desenvolvimento para que seus produtos e serviços se tornem mais sustentáveis e, a cada dia, menos degradantes ao meio ambiente”, recomenda.
Alex acrescenta que projetos como o Verde Cidade são fundamentais pela proposta e também como forma de melhorar a cultura da população, que precisa ajudar a recuperar parte do que é degradado. “As empresas de Ribeirão Preto devem se conscientizar e aderir ao Programa, pois todos merecemos usufruir de locais de convívio mútuo bem cuidados, que atraiam a população. Assim, as empresas investidoras ganharão visibilidade e simpatia”, finaliza.
Espaços verdes na paisagem urbana
A necessidade de espaços verdes urbanos é crescente. A coordenadora do curso de Engenharia Ambiental do Centro Universitário Barão de Mauá, Maria Paula Freitas Galvão César, e a bióloga e professora do curso, Fernanda Gamper Vergamini, explicam que esses locais englobam praças, parques, jardins, ruas e avenidas. As professoras revelam que a cobertura vegetal urbana contribui para a melhoria da qualidade do ar e do microclima das cidades, além de possibilitar espaços de lazer, de contemplação, de atividades físicas, de turismo e de ações de educação ambiental. Agregam, ainda, valor aos imóveis localizados no entorno. “De uma forma geral, pode-se dizer que as áreas verdes para o equilíbrio ambiental das áreas construídas, minimizando os problemas socioambientais vivenciados pelos habitantes das cidades. Além disso, desempenha um importante papel ecológico e de conservação da biodiversidade, pois permite que haja conectividade entre as áreas verdes urbanas e rurais, contribuindo para a formação de corredores ecológicos que promovem maior permeabilidade do meio e mais chances de sobrevivência da flora e da fauna regional”, expõe Fernanda Vergamini.
A bióloga acredita que o programa “Verde Cidade - Adote uma Praça” é uma iniciativa importante para que as praças sejam melhores planejadas e manejadas. “É fundamental que a responsabilidade pela manutenção dos espaços verdes urbanos seja compartilhada entre o poder público e a sociedade civil”, comenta. A bióloga enfatiza que, com projetos como esse, é possível criar uma consciência ecológica ativa no cotidiano dos moradores da cidade. “Ações desenvolvidas em áreas verdes possibilitam espaços educativos de diálogo e de compreensão dos problemas socioambientais, bem como uma aproximação na relação homem-natureza, contribuindo para desenvolver nas pessoas o sentimento de pertencimento ao meio que as rodeia. É importante questionar e problematizar o modelo de sociedade atual, que agrava a cada dia mais os problemas socioambientais e, a partir disso, contribuir para que as pessoas se tornem cidadãos críticos e ativos, cientes da necessidade de transformar os valores, atitudes e as relações sociais”.
Vale destacar que, desde o final da década de 90, vem sendo discutida a adoção de um conceito mais amplo, que considera também o entorno das cidades, as unidades de conservação, áreas de preservação e remanescentes de vegetação nativa ou plantada, possibilitando, assim, a conectividade entre as áreas verdes rurais e urbanas. Esse conceito é conhecido como “florestas urbanas”.
Moradora de Ribeirão Preto há dez anos, Fernanda revela que os espaços verdes urbanos são fragmentados e não estão distribuídos homogeneamente, sendo, portanto, insuficientes em algumas regiões da cidade. Por isso, é necessário um planejamento prévio, que faça uso de espécies arbóreas nativas regionais, permitindo a implantação de corredores ecológicos, conectando a paisagem urbana e rural, e envolva, de forma participativa e desde o princípio, a comunidade. “Esses projetos podem se manter ativos por meio da parceria com as ONGs e universidades existentes no município. Destaca que as universidades podem contribuir com ações de extensão com a comunidade e no desenvolvimento de pesquisas científicas relativas ao tema”, completa.
Segundo estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP), Ribeirão Preto tem um déficit aproximado de 50 mil árvores e uma média de 23,58% de sua área coberta por copas de árvores — o mínimo recomendado é de 30%. Além das adoções das praças, que, consequentemente, contarão com novas árvores, a Prefeitura conta com o programa “Vamos Arborizar Ribeirão Preto” para amenizar o problema. Segundo a Secretaria do Meio Ambiente, 11 mil mudas foram plantadas em 2013 e já há novos cadastrados de pessoas interessadas em colaborar com o projeto.
Daniel destaca que é necessário incentivar a participação popular no plantio e no cuidado com o verde da cidade. “Acredito ser esta a forma mais eficiente, principalmente, para a conservação dessas plantas, já que, no modelo atual, sem a participação da população e somente sob os cuidados do Executivo Municipal, verificamos a ocorrência de muita destruição e falta de acompanhamento para o desenvolvimento”, analisa.
O conceito de espaço verde urbano e suas respectivas funções sofreram diversas alterações ao longo do tempo. Atualmente, são aceitos de forma unânime os múltiplos papéis de fundamental importância para o bem-estar da população. Para atingir esse objetivo, é importante que órgãos públicos, privados e a população se unam pela responsabilidade e pela conscientização ambiental e, assim, colham bons frutos.
Como adotar
1: Pedido: empresas (indústrias, comércios ou prestadores de serviços), escolas, pessoas físicas, associações de bairro ou ONGs podem adotar uma praça ou um canteiro da cidade.
2: Protocolo: o candidato vai até a Secretaria do Meio Ambiente (Av. Leais Paulista, 407) e abre um protocolo solicitando a parceria e indicando a área desejada. Pode-se, também, ir ao Poupatempo e ao Protocolo da Prefeitura.
3: Análise: o protocolo é analisado pelo órgão competente e liberado para que o adotante inicie os cuidados com o espaço.
4: Deveres: a pessoa ou empresa é responsável em manter a área em perfeitas condições de uso.
5: Propaganda: permite-se a colocação de placa de divulgação da parceira, seguindo as determinações
Texto: Pâmela Silva • Fotos: Carolina Alves, Ibraim Leão e Julio Sian
Secretaria do Meio Ambiente
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Tel.: (16) 3603.9138 e 3603.9133