Ribeirão terá museu dos imigrantes italianos

Ribeirão terá museu dos imigrantes italianos

Projeto Casa da Memória Italiana, que funcionará em um casarão no Centro

 

O projeto do museu Casa da Memória Italiana foi apresentado na tarde desta quarta-feira, 24, em Ribeirão Preto. O casarão, localizado na Rua Tibiriçá, que pertence à família Biagi, será doado ao Instituto da Casa da Memória Italiana, e busca preservar a história dos colonos italianos que se instalaram no interior de São Paulo no início do século XX.

A casa onde será o museu foi construída em 1925 pela fazendeira Joaquina Evarista Meirelles. O prédio foi desenhado pelo arquiteto Arnaldo Maia Mello, em 1923, que chamou o projeto na vista aérea de “bangalô”. O imóvel foi comprado pelo usineiro Pedro Biagi em 1941, e desde aquela época pertence a essa família.


Alguns objetos da casa estão lá desde o término da construção, os móveis seguem o estilo art nouveau. Mesmo sem nunca ter passado por algum processo de restauração, o imóvel está preservado, e a pintura das paredes estão mantidas no padrão original da construção, à moda italiana.

As últimas moradoras do casarão foram as filhas de Pedro Biagi, Osonia e Angé, que moraram lá até falecerem, a última em 2012. De lá para cá, a casa passou a ser responsabilidade da artista plástica Weimar Marchesi Amorim, presidente do Instituto da Casa da Memória Italiana, e Edilah Biagi, nora de Pedro Biagi.

No local vão ser criados espaços para palestras, oficinas culturais, biblioteca, e irá receber exposições de arte contemporânea, no formatosite specific, que é quando os trabalhos dialogam com o meio que está inserido. Weimar diz que a abertura ao público ocorrerá apenas em 2015, depois de o imóvel receber adaptações para poder receber pessoas.A enfermeira aposentada Maria Augusta Scatena Lopes, neta de Pedro, morou na casa por 17 anos, e diz que só saiu de lá para se casar, mas depois voltou diversas vezes para visitar as tias e a mãe.

Ela, que está ajudando na organização do acervo do museu, diz que está achando o projeto da Casa da Memória Italiana algo fantástico, pois ajuda a preservar a história da cidade. “Hoje as pessoas não querem mais saber da beleza da casa, da história do lugar. Se isso não tivesse acontecido, e fosse vendido, aqui poderia ser demolido para a construção de um estacionamento”, acredita Maria Augusta.

O empresário Maurílio Biagi Filho, neto de Pedro, é vice-presidente do Instituto, ele conta que a doação do imóvel para a formação de um museu e se tornar um espaço público, é um esforço de vários anos. Ele tem como objetivo de preservar a história de todas as famílias de origem italiana. “Queremos conseguir que todas descendentes de italianos tragam a sua história para cá, para resgatar essa memória”, disse.

Revide Online
Leonardo Santos
Fotos: Ibraim Leão

* Publicado em 25/09/2014

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