Robôs Cirurgiões

Robôs Cirurgiões

Em 2019, Ribeirão Preto recebeu duas unidades do robô cirurgião Da Vinci Xi. A primeira foi para o Hospital São Lucas, a segunda, para o Hospital das Clínicas.

Pioneirismo e Referência
O Hospital São Lucas foi o primeiro hospital privado do interior do Estado de São Paulo realizar a realizar a cirurgia robótica; desde junho, já foram 81 procedimentos feitos pelo hospital, sendo três em crianças.
O robô Da Vinci Xi do Hospital São Lucas já está em pleno funcionamento
Em março desse ano, o Hospital São Lucas adquiriu o robô Da Vinci Xi e, no final de julho, realizou as duas primeiras cirurgias robóticas do interior do Estado de São Paulo. Foram operados dois homens, com idades de 65 e 44 anos, ambos com câncer de próstata. Eles foram operados por uma equipe de 13 pessoas, entre médicos, enfermeiros e profissionais de apoio. Com recuperação acima do esperado, os pacientes tiveram alta no dia seguinte ao procedimento. Nesses tipos de procedimentos, a cirurgia robótica maximiza as taxas de cura, reduz o sangramento em até 80% e minimiza as sequelas como incontinência urinária e impotência sexual. Além de proporcionar a recuperação das funções vitais 40% mais rápido. A nova tecnologia exigiu investimentos superiores a R$ 15 milhões, entre a aquisição do robô, kits para cirurgia, equipamentos para sala cirúrgica, de esterilização, de desinfecção e de estativas, além de treinamento de equipes. Aplicações de recursos também foram necessárias para adequar a sala de procedimentos, com mudanças na mesa cirúrgica, nas estativas, no foco cirúrgico e nos monitores totalmente destinados ao robô, inclusive com monitores médicos de vídeo em alta definição.
“Adquirimos o simulador robótico e treinamos 15 médicos em menos de seis meses”, declarou dr. Pedro Palocci
Para Dr. Pedro Palocci, diretor do Grupo São Lucas, a logística para a implantação do robô foi um grande desafio. “O equipamento pesa mais de uma tonelada e tem de ser colocado na sala cirúrgica, que deve ser toda readaptada para o robô, com troca dos focos cirúrgicos (iluminação para cirurgias), estativas e instrumental. Fizemos isso em menos de dois meses”, explicou. O diretor acrescenta que o treinamento dos profissionais é outro desafio. “Só tínhamos um médico habilitado. Por isso, adquirimos, também, o simulador robótico e treinamos 15 médicos em menos de seis meses. Todos foram para Atlanta [Estados Unidos] para a finalização do treinamento e certificação na plataforma e hoje estão plenamente habilitados a fazer as cirurgias robóticas”, afirmou Dr. Pedro. Questionado se o pioneirismo do Grupo São Lucas em trazer o Da Vinci incentiva outros hospitais e a própria rede pública de saúde a buscarem por tecnologias semelhantes, o diretor analisou que sempre tentam buscar as melhores tecnologias existentes na área médica para melhor atender os pacientes e, também, oferecer melhores condições de trabalho aos médicos.  “Assim, sempre teremos como incentivar outros hospitais, incluindo os da rede pública a também oferecerem melhores serviços para a nossa população. Desde a inauguração do Serviço no dia 29 de junho até a data de hoje, dia 16 de dezembro, já foram realizadas no Hospital São Lucas 81 cirurgias robóticas”, concluiu o diretor. 



Principais vantagens da cirurgia robótica
• Menos invasiva, com cortes menores
• Menos complicações no pós-operatório, com redução de sangramentos dores e risco de infecção
• Recuperação mais rápida do paciente, com menor tempo de internação
• Mais precisão nas cirurgias em locais de difícil acesso, como nas regiões da pelve, próstata, diafragma e saída do esôfago
• Maior eficiência na preservação das estruturas nobres, como as enervações, as musculaturas e os esfíncteres
• Melhor ergonomia, pois o cirurgião fica sentado em uma posição confortável, o que ajuda nas cirurgias longas


Democratização da Tecnologia
Hospital das Clínicas da USP realiza cirurgia com robô pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas recursos para continuar procedimentos ainda não estão garantidos.
Hospital das Clínicas espera realizar média de 15 procedimentos por mês como o novo robô
Uma das mais famosas ilustrações do artista Leonardo Da Vinci é o "Homem Vitruviano". Um homem com braços e pernas abertas em diferentes posições, que evocam o ápice da simetria, proporção e beleza. Não por acaso, o robô cirurgião Da Vinci Xi foi batizado em homenagem ao famoso gênio italiano. Com quatro braços e uma câmera com a capacidade de ampliar em até 15 vezes uma imagem, o equipamento foi adquirido em novembro de 2018 pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP), da Universidade de São Paulo (USP). Ao todo, custou R$ 13 milhões. Além do valor da aquisição, cada cirurgia custa, aproximadamente, 3,5 mil dólares de material descartável, o equivalente a R$ 15 mil — com impostos incluídos. As 100 primeiras cirurgias já foram pagas no ato da assinatura do contrato de aquisição do robô, mas não há garantia da continuidade do trabalho. Segundo o HC, a manutenção do programa se dará por três fontes de recurso: a Secretaria Estadual de Saúde, a Fundação de Apoio à Pesquisa e Assistência do Hospital das Clínicas (FAEPA) e projetos da iniciativa privada. A primeira cirurgia foi realizada no início de dezembro, em um paciente de 57 anos, com um quadro de câncer de próstata, e foi considerada um sucesso. Essa foi a primeira cirurgia robótica realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Ribeirão Preto.
Deputado Rafael Silva garante que já está em contato com o governador para que robô continue funcionando em Ribeirão Preto
Em dezembro de 2018, tiveram início as negociações para a aquisição do Da Vinci Xi pelo HC. Na época, representantes da USP e políticos buscaram verba com o governo do estado. Após movimentação do deputado estadual por Ribeirão Preto, Rafael Silva (PSB), no dia 20 de dezembro de 2018 foi liberado o valor de R$ 8,5 milhões junto à Secretaria da Saúde do Estado. Faltavam R$ 4,5 milhões que foram completados pela Fundação de Apoio à Pesquisa e Assistência do Hospital das Clínicas (FAEPA). "O doutor Marco Antônio Zago, então secretário da Saúde, nos ajudou bastante. Falamos e explicamos a importância do assunto para os secretários de Planejamento, de Governo e da Fazenda. Conversamos com o próprio ex-governador Marcio França. Não havia verba sobrando no caixa do governo", comentou o deputado Rafael Silva. Posteriormente, o parlamentar foi homenageado pela FMRP pelo apoio na compra do equipamento. 

No contrato de R$ 13 milhões assinados para a aquisição do robô, já estavam pagas as 100 primeiras cirurgias. O HC confirmou à reportagem que já possuem sete cirurgias agendas e a previsão é de que sejam realizados 15 procedimentos por mês. O que significa que, ao final do primeiro semestre de 2020, será necessário angariar novos recursos para que o equipamento continue sendo utilizado. O Hospital garantiu que o programa será mantido com recursos da Secretaria Estadual de Saúde, a Fundação de Apoio à Pesquisa e Assistência do Hospital e iniciativa privada. Prevendo um possível desgaste no futuro, o deputado Rafael Silva declarou que está em contato com o governador João Doria (PSDB) para conseguir os recursos. “Já fizemos novos pedidos ao governador João Doria, entregamos vários ofícios explicando a necessidade, gravamos vídeo, falamos da tribuna da Assembleia. O governador prometeu dar toda a atenção para o assunto”, afirmou Silva.

“A aquisição do robô foi um grande passo. Com isso, poderemos oferecer essa inovação aos pacientes e promover o treinamento das equipes médicas”, afirma Dr. Rodolfo Borges dos Reis
Procedimento
Segundo Dr. Rodolfo Borges dos Reis, responsável pelo setor de Uro-oncologia e coordenador do Programa de Cirurgia Robótica do HC-FMRP, potencialmente, todas as cirurgias podem ser realizadas utilizando o robô Da Vinci. Entretanto, existem contraindicações relacionadas ao paciente, como, por exemplo, nas pneumopatias, as doenças que afetam os pulmões. “Além do mais, muitas cirurgias realizadas hoje por vídeo laparoscopia ou via aberta não apresentam vantagens quando realizadas pelo Da Vinci, sendo o maior ganho quando existe síntese no procedimento a ser executado”, explicou o especialista. Por ser de difícil acesso, cirurgias como as de câncer de próstata são ideais para serem realizadas pelo robô. Entre os procedimentos mais frequentes estão a prostatectomia radical, que é a retirada da próstata em casos severos de câncer, e a nefrectomia parcial, que é a retirada de partes comprometidas do rim. “O robô Da Vinci traz muitos benefícios aos pacientes, como menor sangramento, melhor visualização das estruturas, dissecção mais fina. Essas vantagens se refletem na melhor preservação das estruturas e pós oratório com menos dor e retorno mais rápido para as atividades diárias”, declarou o HC por meio de nota.

 A movimentação dos braços robóticos é realizada de um comando muito parecido com um controle de videogame. À medida em que o cirurgião move as mãos e os dedos, o robô reproduz seus movimentos, dentro do corpo do paciente e consegue acessar regiões mais difíceis para a mão humana. Na última operação, o robô operou o paciente através de um corte de oito milímetros. “Sem dúvida, a aquisição do robô foi um grande passo dado. Com isso, poderemos oferecer essa inovação aos pacientes e promover o treinamento das equipes médicas, para que os profissionais saiam mais capacitados e com acesso às mais modernas tecnologias”, declarou Reis. Para controlar o Da Vinci, os médicos devem realizar um treinamento e receber a certificação nos Estados Unidos.  Lá, os profissionais realizam testes teóricos sobre a cirurgia robótica e, no final, por uma prova prática. Após a certificação, o médico passa por um período com o acompanhamento de um outro especialista já certificado e mais experiente. "Tive a oportunidade de estagiar como professor visitante, durante o ano inteiro de 2015, no MD Anderson Cancer Center, no Texas. Nesse período, pude assistir a um grande número de cirurgias e pratiquei a simulação supervisionada. No meu retorno, concluí as cincos fases do treinamento recomendado", explicou o cirurgião. Atualmente médicos das áreas de urologia, cirurgia geral, ginecologia, cirurgia de cabeça e pescoço estão no processo de certificação. As equipes da Uro-oncologia e da cirurgia torácica já possuem os certificados. 

Texto: Paulo Apolinário

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