Rumo à recuperação

Rumo à recuperação

Após três meses de reabertura ao público, comércio de Ribeirão Preto começa a mostrar sinais de retomada em vendas e geração de empregos

Após fechar 2.700 postos de trabalho durante os três primeiros meses da pandemia de Covid-19, com o estado de calamidade decretado em Ribeirão Preto, o comércio da cidade voltou a gerar vagas após a reabertura das lojas. Na fase amarela do Plano São Paulo desde o dia 8 de agosto, o município registrou, em setembro, o melhor mês do ano para a geração de empregos no comércio. Foram 319 vagas criadas pelos lojistas de Ribeirão Preto, que sentem, aos poucos, a retomada nas vendas e enxergam caminho para a recuperação até o final do ano.

Na avaliação do Sindicado do Comércio Varejista de Ribeirão Preto e região (Sincovarp), os últimos três meses vêm sendo positivos na medida em que o setor de comércio e serviços está de portas abertas e vendendo mais. “Há uma demanda reprimida por parte dos consumidores e, levando em conta que o auxílio emergencial do governo termina apenas em dezembro, projetamos um final de ano de recuperação para o varejo de Ribeirão Preto e região. Vamos tentar recuperar, ao máximo, os prejuízos causados pela pandemia durante este ano tão difícil”, afirma Paulo César Garcia Lopes, presidente do Sincovarp e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Ribeirão Preto.

A empresária Mariela Passalacqua, da loja de roupas Namari, que já tinha um trabalho forte no universo digital, com presença nas redes sociais e vendas a distância, conseguiu resultados positivos mesmo durante os meses mais restritos da pandemia, com as lojas fechadas para o atendimento presencial. Com a retomada desses atendimentos há três meses, os resultados foram surpreendentes. “Desde agosto, viemos em crescimento e outubro vai ser o melhor mês da história da Namari. Está incrível, não posso reclamar. O fluxo do shopping mudou, são clientes novos, conhecendo. Consegui manter o público que já tinha, por meio das ações on-line, e ainda aumentar, com esses clientes novos”, conta a empresária que também destacou o trabalho do shopping nessa captação de clientes. “O Iguatemi fez um trabalho incrível, não só de higienização, como de controle de acesso, de com toda equipe de segurança e acho que isso atraiu muitas clientes novas. Estamos com um público muito diferente no shopping, o que faz com que as vendas cresçam. Agora em novembro, estimamos um crescimento de 30% nas vendas, pelo ritmo que estamos vindo. Estamos muito, muito otimistas mesmo com o final do ano”, completa.

CLIENTES DE VOLTA

Segundo o gerente geral do Shopping Iguatemi Ribeirão Preto, Felipe Barbosa, já é possível perceber que as pessoas estão voltando a sair e a consumir. “Sabemos que esse é um processo lento e gradual, muito em decorrência da diminuição da curva de evolução da pandemia na cidade. Desde a reabertura do empreendimento, implementamos rígidos protocolos de higiene e segurança objetivando a saúde e o bem-estar de todos. Tudo isso gera uma confiança maior para que as pessoas voltem a nos visitar e usufruir da conveniência e serviços que são oferecidos pelo shopping. O fluxo de clientes no empreendimento tem seguido dentro do esperado”, destaca. Após superar o desafio inédito de ter de fechar as portas para o público, o empreendimento está otimista em relação às vendas de final de ano. “Passamos por muitos desafios, principalmente no período em que ficamos fechados. Por outro lado, fomos também muito ágeis na busca e na implementação de soluções para que pudéssemos passar por esse momento tão difícil. Estamos entusiasmados com a chegada de uma das datas mais importantes do varejo. Em novembro, a movimentação aumenta com a tradicional Black Friday, que é considerada um aquecimento para o Natal”, pontua o gerente, que também sinaliza um caminho positivo das vendas, que serão reforçadas pela plataforma de e-commerce da companhia e também pela ação “Compre e Ganhe”.

RETOMADA COM CAUTELA

A Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) enxerga a retomada com cautela. “A reabertura foi essencial para o varejo, embora para muitas empresas tenha vindo tarde demais. O mais importante é que a abertura veio com equilíbrio e responsabilidade por parte de empresas, trabalhadores e consumidores. Conseguimos retomar boa parte das atividades sem sobrecarregar o sistema de saúde. Pelo contrário. Embora, infelizmente, ainda estejamos convivendo com o vírus, a pandemia e seus reflexos, as taxas de contaminação, internações e óbitos têm reduzido consistentemente”, avalia o presidente da Acirp, Dorival Balbino.

Segundo ele, a última pesquisa da Acirp, realizada entre os dias 20 e 27 de julho, revelou que 51,3% das empresas demitiram ao menos um funcionário durante o período da pandemia e, entre as empresas que não encerraram as atividades naquele período, 11% afirmaram que iriam fechar definitivamente nos dias seguintes ao levantamento. “Além do alto nível de demissões, a pesquisa apontou outras medidas já tomadas ou em vias de serem tomadas pelas empresas, como redução de jornada e antecipação de férias. Essas medidas ilustram o impacto da restrição à economia sobre o comércio e sobre os negócios em geral”, afirma. Com 51 anos de tradição no Centro de Ribeirão, a Boutique Dirceu, que começou com a venda de roupas e hoje vende produtos variados como relógios, perfumes, brinquedos e presentes, ainda não conseguiu recuperar as vendas nos níveis pré-pandemia, mas aposta nos dois últimos meses do ano. “A volta está sendo aos poucos. Acredito que o mundo não é mais o mesmo, e as vendas não são mais as mesmas, também. Contudo, estamos com expectativas boas para o Natal, pois não há mal que dure para sempre”, conclui a gente da loja, Rafaela Milani.

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