Saboroso remédio
Doses diárias, com moderação, de um bom vinho, diz a ciência, ajudam a manter a saúde
Embora o assunto ainda seja polêmico, grande parte dos estudos na área indica que tomar duas taças de vinho tinto por dia faz bem a saúde. Isso porque eles são ricos em Procianidina, um tipo de flavanoide com benefício antioxidante e vasodilatador que contribui para baixar os níveis do colesterol “ruim” e diminuir a arteriosclerose. Os tintos também possuem taninos, que contam com propriedades antioxidantes, e resveratrol; um composto que se acredita ter efeito antioxidante e ser capaz de combater a obesidade.
Apreciador de vinhos há mais de 20 anos e membro da Confraria Amigos do Vinho (CAVI) há cerca de 15 anos, o médico patologista Gilberto Maggioni Jr., no entanto, faz um alerta. “Não são todos os vinhos que apresentam níveis elevados dessas substâncias”, afirma. Segundo o especialista, os vinhos com efeitos mais benéficos para a saúde são aqueles produzidos de modo mais “caseiro” ou tradicional, onde a fermentação de produção vinícola favorece a extração das procianidinas das sementes de uva.
Ainda segundo Gilberto, o efeito mais benéfico do vinho talvez seja também o mais difícil de se medir. “Para mim, trata-se da sua capacidade de unir, integrar e harmonizar pessoas, com efeitos seguramente muito mais benéficos e duradouros à saúde”, declara o enófilo.

Tintos: os melhores
Os vinhos tintos — essencialmente aqueles produzidos de maneira tradicional, respeitando os limites da planta, da terra e do clima — são melhores para a saúde. Além dos vinhos uruguaios, boa parcela dos vinhos da Borgonha, na França, também são produzidos de maneira tradicional, respeitando os limites da natureza e uma legislação rígida relacionada à produção.
Gilberto Maggioni Jr. diz que todos os Grand Cru e Premier Cru da Borgonha seguem uma legislação muito rígida da viticultura, mas um dos vinhos que mais o agrada é o Domaine Amiot Guy Chassagne-Montrachet 1er Cru `Clos Saint Jean`2009.

Tannat: uma surpresa
Recentemente, o professor de terapias experimentais da Universidade Queen Mary, de Londres, Roger Corder, autor do livro The Red Wine Diet (A Dieta do Vinho Tinto), descobriu vinhos uruguaios caseiros riquíssimos em Procianidinas. O estudioso chegou a sequenciar o código genético da uva utilizada e percebeu que a Tannat, muito comum nos vinhos uruguaios, apresenta níveis de três a quatro vezes maiores dessa substância do que a Cabernet Sauvignon, rainha das uvas tintas.

Amat Tannat
Com um visual rubi intenso e profundo, combina frutas negras e vermelhas em seus aromas, com direito a notas de tabaco e defumados. No paladar, corpo cheio e muitos taninos, mas macios. Apresenta sabor de ameixas, chocolate, tabaco e leve terroso.
Bouza Tannat
Rico e intenso, possui coloração vermelho púrpura e excelente aroma de frutas vermelhas maduras, em particular, ameixas e groselhas, além de notas de café e alcaçuz. É encorpado, com taninos firmes e ótimo frescor.
Garzón Reserva Tannat
Vinho intenso de fruta preta e vermelha com longa persistência na boca, garante frescor e suavidade. Traz aromas de frutas vermelhas maduras, como cerejas e framboesas, e toques de baunilha, especiarias e café. De médio corpo, apresenta bom equilíbrio entre a riqueza de taninos e a potência dos sabores frutados.
Importante!
Cada taça de vinho tem cerca de 90 ml. Até duas taças diárias, principalmente após o almoço ou o jantar, têm efeitos benéficos à saúde. Já o consumo exagerado de álcool está relacionado a vários tipos de cânceres, cirrose e dependência física e psíquica. Pessoas com níveis elevados de triglicerídeos e diabéticos devem evitar o consumo de vinho.