Sacolas verdes

Sacolas verdes

A campanha chegou em Ribeirão Preto em outubro desse ano e já está presente em 75% dos supermercados da cidade

Com a sustenbilidade em alta e a realização de projetos voltados para o meio ambiente, Ribeirão Preto dá um passo à frente para um uso consciente das sacolas plásticas nas redes de supermercados.

Em parceria com a Associação Paulista de Supermercados (APAS), a Prefeitura Municipal lançou recentemente a campanha “Vamos tirar o Planeta do sufoco”, projeto que visa a conscientização pela substituição das sacolas descartáveis por sacolas reutilizáveis, para decretar o fim da cultura do descarte.

Nos dias de hoje, a distribuição de sacolas plásticas está presente em 90% dos supermercados. Por serem fabricadas desse material, as sacolas são descartáveis, o que induz o consumidor ao descarte. A maioria das sacolas plásticas, quando não mais usadas, é lançada ao meio ambiente, causando problemas graves como entupimento de bueiros, enchentes, sujeira e asfixia de animais.

A campanha, que teve início em agosto de 2010 em Jundiaí, chegou em Ribeirão Preto em outubro desse ano e já está presente em 75% dos supermercados da cidade. O empresário Tiago Albanezi, diretor da APAS Regional de Ribeirão Preto, afirma que até o final de 2011 é esperado o alcance de 100% do uso de sacolas reutilizáveis.

“Uma ação importante que também estamos viabilizando junto à Prefeitura e Câmara de Vereadores é transformar a campanha em material pedagógico e levar esse assunto para as salas de aula”, acrescenta Tiago.

De acordo com ele, para que toda a população se conscientize sobre o uso de sacolas reutilizáveis, ações estão sendo tomadas através dos próprios supermercados de Ribeirão, junto a Secretaria do Meio Ambiente e com o apoio de várias entidades, Prefeitura, Governo do Estado e Ministério do Meio Ambiente.

A campanha “Vamos tirar o Planeta do sufoco” pretende acabar com o descarte indiscriminado de todo material que seja nocivo ao meio ambiente, sendo este um processo a longo prazo. A intenção da Associação Paulista de Supermercados não é apenas substituir sacolas descartáveis (a base de petróleo) por sacolas reutilizáveis (biodegradável), mas sim fazer com que o consumidor abandone a cultura do descarte.

“A APAS quer incentivar o uso de embalagens reutilizáveis, como sacolas mais resistentes, caixas de papelão, cestos, carrinhos de feira etc. Não é o foco manter uma opção descartável na loja”, explica Tiago. O diretor da APAS ainda ressalta que há o envolvimento de muitas questões ambientais que influenciam diretamente nos aterros sanitários e na poluição de rios e mares, portanto, isso explica a grande participação das Secretarias do Meio Ambiente Municipal e Estadual do Ministério do Meio Ambiente.

Quando questionado sobre como ficariam as empresas fabricantes de sacolas plásticas – uma vez acertada a substituição por sacolas reutilizáveis –, em relação aos empregos que elas geram, Tiago explica que toda mudança de cultura implica em adaptações da sociedade, e lembra ainda que os supermercados já passaram por situação semelhante quando o papel saiu de cena para dar espaço ao plástico. “As empresas que fabricam sacolas terão de redirecionar sua produção para outros produtos. A APAS não é contra o plástico, mas contra o descarte. Quem produz sacolas descartáveis também poderá produzir sacolas reutilizáveis”, enfatiza.

Substituir sacolas descartáveis por sacolas reutilizáveis, mesmo sendo algo 100% benéfico ao meio ambiente, gera divergência e conflito de ideias. A proposta divideopiniões.

A secretária Jaqueline Ferrari afirma que é a favor da substituição pelo fato da dificuldade que o plástico tem em se decompor no meio ambiente. “Nós estamos fabricando lixo e dentro das sacolas colocamos mais lixo. Os donos dos supermercados já estão se conscientizando e trocando as sacolas. Não quero ver o Planeta morrer”., argumenta.

Já o estudante Samuel Leite afirma que já existe uma cultura para reutilizar as sacolinhas plásticas. Quanto a uma posição, ele se diz contra, pois acredita que isso implicará em desemprego. “Acho que é tirar emprego de muita gente. A solução não é abolir [as sacolas plásticas], mas sim mudar o material da sacola, fazer de plástico biodegradável, para minimizar o impacto”, conclui.

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Texto: Fernando Belezine (colaborador)
Fotos: Divulgação

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