Samba de Ribeirão pode entrar em descompasso
Impasses e incertezas marcam a preparação para o Carnaval das agremiações e associações carnavalescas para este ano
Concretizando uma série de especulações que, segundo Renata Oliveira, presidente da União Carnavalesca de Ribeirão Preto, começou logo após o Carnaval de 2013 – de que para 2014 as entidades carnavalescas não seriam contempladas com recursos públicos - a folia de momo segue incerta em Ribeirão Preto. Em outubro do ano passado a Secretaria da Cultura sinalizou que a verba destinada às agremiações, com valor previsto em R$ 1,2 milhão, seria reduzida.
Renata conta ainda que a Secretaria da Cultura propôs que parte da verba fosse destinada à construção de uma estrutura fixa para a realização da festa. Contudo, esta proposta não foi aceita pelas escolas. “Várias propostas, como a construção de um sambódromo, foram feitas. Mas, como nada se concretizou, ficamos com receio de aceitar”, explica.
No dia 9 de janeiro, em reunião realizada no Palácio Rio Branco entre o secretário da Casa Civil, Layr Luchesi Júnior, o secretário da Cultura, Alessandro Maraca, e representantes da União Carnavalesca e Liga Ribeirão-pretana de Carnaval foram apresentadas duas propostas como alternativa para a realização do evento.
A primeira proposta era de que as escolas realizassem o desfile com verba reduzida – R$ 40 mil para cada agremiação (Em 2013 a verba repassada a cada escola foi de R$ 67,5 mil). Outra proposta era de que cada agremiação realizasse seu desfile nos seus bairros de origem – com a verba de R$ 30 mil para cada escola de Ribeirão Preto e R$ 18 mil para os Afoxés e escolas de Bonfim. “Nestas condições, com valores aquém dos anos anteriores, não participaremos do carnaval”, revela a presidente. “Nas condições apresentadas pela Secretaria, abriremos mão desta verba”.
Como forma de protesto, ao que a presidente da União Carnavalesca chamou de “retrocesso cultural”, Renata revela que as agremiações associadas da entidade sairão às ruas para fazer o carnaval por conta própria. “Faremos um carnaval como forma de protesto. Enviaremos uma carta aberta às agremiações filiadas, prepararemos panfletos e em breve decidiremos o nosso cronograma”, conta Renata.
Anderson Amâncio, presidente da Liga Ribeirão-pretana Carnavalesca afirma que a realização do Carnaval nas comunidades, ao invés do desfile na Avenida Mogiana, não contempla o desejo da entidade.
Amâncio conta que no início da próxima semana enviará outra proposta à Secretaria da Cultura apresentando alternativas para a realização do Carnaval na Avenida Mogiana. “As agremiações associadas à ‘Liga’ começaram a se preparar em julho para o Carnaval. Não realizar o desfile seria prejudicar e desagregar o trabalho de mais de seis mil pessoas envolvidas na realização do evento”, diz.
O secretário da Cultura Alessandro Maraca diz que a decisão de realizar o Carnaval nas comunidades foi tomada após ouvir todas as escolas de samba. "De todos os presentes na reunião realizada no dia 9 de janeiro, somente a 'Comunidade dos Embaixadores' foi contra a realização do carnaval nas comunidade", explica Maraca.
As escolas de Samba começaram a protocolar os projetos contendo o plano de trabalho de Carnaval nos bairros na tarde desta sexta-feira, dia 17. "Pelo que percebi eles querem realizar desfiles nas comunidades nos moldes em que é feito na Avenida Mogiana, possibilitando um novo formato de Carnaval", conclui.
Revide on-line
Texto: Bruno Silva
Fotos: Arquivo Revide