Saúde domina discussões na Câmara
Servidores protestam em sessão contra terceirização e remanejamentos
Os problemas que afetam a saúde pública do município dominaram as discussões na Câmara nesta terça-feira. Ainda no período da tarde, familiares de vítimas de possíveis negligências médicas ocorridas na rede municipal de saúde prestaram depoimentos na Comissão Especial de Estudos (CEE) que analisa a situação dos serviços médicos.
Fabiana Cristina Zafra, mãe da adolescente Gabriela Zafra, que morreu aos 16 anos depois de buscar atendimento por cinco vezes na saúde pública, foi a primeira a depor, juntamente com o filho Gustavo Henrique da Silva.
Ela relatou aos vereadores da CEE uma peregrinação de mais de 12 horas, com cinco atendimentos em três unidades diferentes até a morte da filha, sem que o diagnóstico fosse feito. Depois da morte houve a confirmação de que a causa foi meningococcemia.
Também falaram à CEE a mãe de Laís Fernanda Balan, Maria de Fátima Jesus Balan. Laís, que rinha 22 anos, morreu na Unidade Básica Distrital de Saúde (UBDS) Central em março, depois de atendimento médico. Sobre o caso também prestou depoimento o noivo da vítima, Renato Ribeiro Alves, que a acompanhou nos vários atendimentos até ela morrer por tromboembolia pulmonar.
Nos dois casos os familiares garantiram ter solicitado exames aos médicos, mas que não foram atendidos. Também reclamaram da falta de estrutura no atendimento e excesso de demora.
O presidente da CEE, Jorge Parada (PT), disse que os depoimentos foram os principais da Comissão, por terem obtido o relato do que aconteceu. Ele também marcou para a próxima terça-feira, dia 1º, os depoimentos de médicos e auxiliares envolvidos nos atendimentos dos dois casos.
“Não vamos julgar porque não é essa nossa função. Queremos analisar os problemas, chegar ao diagnóstico para tentar convencer o Executivo a adotar medidas necessárias ao bom atendimento na saúde”, disse.
Protesto
Durante a sessão ordinária, cerca de 30 profissionais da saúde protestaram contra a terceirização do atendimento médico e os remanejamentos a que estão sendo submetidos os técnicos, em função da redução da jornada de trabalho para 30 horas, a partir do próximo dia 1º.
Cíntia Peres de Andrade, auxiliar de enfermagem, usou a tribuna da Câmara para falar em nome dos servidores que estão sendo transferidos de unidades mesmo tendo mais de 20 anos de serviços prestados e conhecerem bem os pacientes que são atendidos.
Revide Online
Guto Silveira
Fotos: Divulgação
* Publicado em 25/06/2014