Se aventurando no Pole Dance
Dança é hobby de arquiteta e cirurgiã dentista
Uma cirurgiã dentista e uma arquiteta rodopiam em um poste de metal. Viram, mexem, ficam de ponta cabeça, fazem abdominais penduradas. Quem imaginaria que estas duas profissionais teriam momentos de lazer tão distantes de suas profissões? Desconfiaria-se, no máximo, que fizessem musculação, dado seus corpos atléticos e sadios. Mas o que elas fazem mesmo é Pole Dance, uma mistura de dança e ginástica.
A modalidade surgiu na Inglaterra nos anos 1980 e atravessou o Atlântico nos anos 2000. Tornou-se conhecido principalmente pela novela “Duas Caras”, da Rede Globo, na qual a personagem Alzira, interpretada por Flávia Alessandra, fazia a dança em uma casa noturna. Com o passar dos tempos, foi perdendo a associação com a boemia e ganhando ares mais esportivos.
Daniela Engler tem 27 anos e é cirurgiã dentista. Sempre se interessou por jazz e dança de rua. Descobriu por acaso o pole dance. “Fiquei sabendo de uma academia que tinha pole dance, fui experimentar e me encantei”, conta Daniela. O interesse foi tanto que de aluna passou a ser professora e dá aulas em Ribeirão Preto há pouco mais de um ano. Os efeitos da dança no corpo são evidentes. “Hoje eu tenho abdome trincado e os braços fortes. O pole ajudou muito, mas tem que complementar com a alimentação”, relata. Mas o corpo sarado e a maior disposição no cotidiano têm um preço, conta Daniela. “Minhas mãos estão um pouco calejadas e quando faço um exercício novo aparecem algumas manchas roxas por causa do esforço”, conta.
Não foi só Daniela que se encantou com o pole dance a ponto de dividir a carreira autônoma com as aulas. A arquiteta Raquel Winnie, de 33 anos, mãe de dois filhos, conheceu a dança há 3 anos. Ao contrário de Daniela, que sempre se interessou por dança, Raquel admite que era sedentária antes de conhecer o pole dance. “Eu já tinha ido à academia antes, mas não ficava muito tempo. Fiquei sabendo sobre as aulas de pole, liguei na escola e marquei uma aula experimental e gostei”, diz Raquel.
Com o atual corpo é difícil acreditar que Raquel tenha dois filhos. Mas a arquiteta, que hoje também dá aulas, admite que o começo foi difícil. “A maior dificuldade é a força para fazer os movimentos”, admite. Raquel explica que a maior diferença entre a academia e o pole dance é o modo em que cada um trabalha os músculos. “Na academia você divide os treinos e trabalha os músculos isoladamente, ao contrário do pole que estimula todos os músculos”, explica.
Na escola de dança não é só o público feminino que quer aprender a dança do poste. Entre as alunas, treinam dois rapazes que surpreenderam com a desenvoltura e o rápido aprendizado. “Eles subiram de nível no treinamento em poucas semanas, inclusive um deles foi para o avançado em poucos dias”, conta Daniela. Já Raquel observa a facilidade com que os rapazes pegaram os movimentos. “Enquanto nós, mulheres, demoramos um tempão para conseguir fazer os movimentos, eles conseguem muito rápido, pela força que eles têm à disposição”, observa.
As profissionais dividem o tempo entre o ofício e a dança, apesar de utilizarem a própria dança como fonte alternativa de renda. A rotina de um consultório odontológico ou um escritório de arquitetura, apesar de corrida, abre a oportunidade para treinos e aulas pelo caráter liberal destas profissões.
Raquel e Daniela, por exemplo, reservam um dia na semana para dar aulas. E garantem que isso não atrapalha o trabalho. “Eu reservei as quintas-feiras para dar aulas, então já programo a semana de trabalho no escritório com base nisso. É melhor dedicar um dia inteiro para as aulas do que picadinho na semana”, explica Rachel. O esforço em dividir a rotina entre trabalho e a dança tem seu prêmio, segundo Daniela. “O corpo ideal que queria ter eu tenho hoje”, finaliza.
Revide On-line
Texto: Brunno Vogah (Colaborador)
Fotos: Divulgação