Segmento engajado
Legislação determina que todo óleo lubrificante utilizado deva passar pelo processo de rerrefino
A inovação em favor da sustentabilidade faz parte do planejamento estratégico das organizações do setor automotivo, um dos mais visados em relação ao meio ambiente, submetido também a uma das legislações mais rigorosas. Para a Mercedes-Benz do Brasil, os conceitos refletem a preocupação mundial da montadora. Através do programa de certificação Star Class, o concessionário credenciado adota medidas de prevenção a desastres ambientais, entre eles, a poluição atmosférica e o vazamento de óleo. No programa, o módulo “Gestão Ambiental” determina que as revendedoras elaborem medidas de prevenção e racionamento de recursos, como água, papel e energia. “O acompanhamento dos indicadores é feito mensalmente. No ano passado, tivemos excelentes resultados, com uma redução significativa do consumo de recursos em relação a 2010. Por isso, fomos reconhecidos pela Mercedes-Benz com o prêmio Ouro no programa Star Class”, afirma o gestor ambiental da Stecar Automóveis, Roberto de Castro Junior. A concessionária realiza medidas como separação do lixo reciclável e monitoramento dos recursos que contaminam o meio ambiente, entre eles, óleo, filtros, estopas e outros materiais.
A legislação determina que todo óleo lubrificante utilizado deva passar pelo processo de rerrefino. O descarte é regido pelas leis do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) e por portarias da Agência Nacional de Petróleo (ANP). O rerrefino, tanto para o meio ambiente quanto para a reposição do produto no mercado, resolve o problema da contaminação, permite a economia de recursos naturais do Brasil e ainda transforma resíduo perigoso em produtos nobres. Durante o processo, são extraídos alguns subprodutos, que servem como matéria-prima para outros processos industriais. Aditivado, o óleo básico rerrefinado pode ser comercializado com as grandes, pequenas e médias distribuidoras.
No Grupo Eurobike, que revende marcas importadas como BMW, Land Rover e Volvo, há um sistema de reciclagem de óleo, papel e sucata, através de empresas terceirizadas, homologadas e detentoras de todas as certificações necessárias. “Em 2011, foram recolhidos aproximadamente 30 mil litros de óleo”, informa o gerente das concessionárias, Ricardo Almeida. Na Santa Emília Toyota, existe um processo semelhante. De acordo com Gustavo Pires, supervisor de pós-vendas, uma caixa separadora funciona como filtro, retirando as impurezas da água e separando o óleo. “A água é descartada pela rede de esgoto, enquanto o óleo fica armazenado em um recipiente específico para que a empresa responsável realize o recolhimento”, explica Gustavo.
As parcerias também ocorrem com empresas de sucata e de reciclagem. A legislação ambiental obriga os fabricantes de pneus e as importadoras de pneumáticos e veículos a coletarem e a destinarem adequadamente os que não podem mais ser usados. “Os pneus são coletados por uma empresa 100% sustentável e utilizados, por exemplo, para asfalto e grama sintética”, ressalta Ricardo. Através de um processo de coleta, essas empresas recolhem pneus de carros de passeio, de caminhões e até de aviões. No fim, são reciclados e transformados em componentes originais: borracha, aço e nylon.
A sucata (ferro e madeira), responsável por mais de um quarto do material novo exportado do Brasil, é recolhida nas concessionárias por empresas regularizadas. Em 2006, das 31 milhões de toneladas de aço produzidas no país, 8,3 milhões foram reutilizadas, ou seja, 26,7% do aço produzido. Além disso, cada tonelada de aço reciclado representa uma economia de 1.140 quilos de minério de ferro, 154 quilos de carvão e 18 quilos de cal.
Outra ação simples e indispensável realizada por empresas de diferentes setores é a coleta seletiva. Na Santa Emília, a prática foi implementada em 2006. “Separamos resíduos de óleo, provenientes das revisões dos veículos, e fazemos a triagem de materiais recicláveis, como papel, vidro e plástico”, afirma Gustavo. A concessionária também possui uma máquina de reciclagem do ar condicionado dos carros, equipamento que reaproveita os hidrofluorocarbonos (HFC) do veículo.
Texto: Mariana Secaf
Fotos: Ibraim Leão