Sem água
Maria Luisa enfrenta uma rotina exaustiva há anos devido à falta de água em casa

Sem água

Travessa Tangará, localizada na Zona Norte de Ribeirão Preto, enfrenta problemas de abastecimento hídrico há mais de 20 anos, segundo o Daerp

A falta de água na Travessa Tangará, no bairro Campos Elíseos, é um problema que afeta a população já há décadas. Segundo os moradores, eles sempre tiveram acesso limitado ao recurso hídrico. “Nós ficamos sem água todos os dias, das 8h até à meia noite. Esse problema existe desde que me mudei para cá, há 30 anos”, afirma a dona de casa Margarida Andrade, de 56 anos.
Margarida mora com o esposo, o filho e o neto na Travessa Tangará e diz que todos enfrentam a dificuldade há décadas. “É uma vergonha a situação que vivemos. O resto da cidade tem acesso à água e nós não. É como se fossemos excluídos da comunidade”, desabafa a dona de casa, dizendo que já cansou de fazer reclamações para o poder público. “Sempre pedimos um posicionamento ao Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Daerp), eles dizem que estão consertando a bomba e nunca dão fim ao problema”, reclama.
Segundo Margarida, desde que se mudou para a região, há 30 anos, vive com a falta do recurso hídrico
Outros moradores também estão insatisfeitos e desesperançosos em relação ao bairro. A dona de casa Maria Luisa Santo Nicola, de 69 anos, diz que não sabe mais o que é ter água em casa e pensa em se mudar do bairro como única solução para o problema. “Desde que me mudei para Ribeirão Preto, há 25 anos, já ouvia falar que essa região era um desastre. Porém, nos últimos quatro anos, a situação desandou. Não sabemos o que é ter água, já estou sem esperança”, admite a moradora.

Dona Luisa divide a casa com o marido e três crianças e conta que leva uma rotina extremamente cansativa. A idosa levanta de madrugada, por volta da 1 hora, e vai fazer os serviços domésticos com a ajuda do marido, de 70 anos. “Essa é nossa rotina já há anos. Não aguentamos mais”, declara. Apesar da família usufruir raramente do recurso hídrico, a conta de água chega todo mês em sua residência e eles gastam, em média, cerca de R$ 70 reais, fora os gastos com compra de água para consumo. “É um dinheiro jogado fora. Estamos pagando e não recebemos o recurso”, afirma.

Em relação às denúncias ao Daerp, Luisa diz que toda a vizinhança já reclamou do problema e a autarquia, no entanto, afirma que não há nenhum registro de falta de água no local e não realiza a fiscalização. “É uma falta de respeito com a população. Essa região fica isolada. A duas quadras daqui, já tem água, por que o problema ocorre só aqui e não é resolvido?”, questiona a moradora. 

Outro Lado
Por meio de nota, o Daerp informou à Revide que a equipe já está realizando ações nas redes da região para normalizar o abastecimento, que enfrenta intermitência há mais de 20 anos. A causa do problema, no entanto, não foi divulgada.  

Texto: Paula Viana

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