Sem atendimento
Psiquiatra se aposenta e crianças ficam sem acompanhamento psiquiátrico regular em Ribeirão Preto
Crianças e adolescentes estão sem atendimento psiquiátrico regular em Ribeirão Preto, depois que a única profissional que atendia toda a cidade se aposentou, neste ano. Os acompanhamentos, encaminhados de todos os bairros da cidade, eram feitos no Centro de Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi) Drª Teresinha Garcia José Gradim, localizado na Avenida Santa Luzia, no Jardim Sumaré, na Zona Sul.
Carlos Cesar Macedo, autônomo e pai de paciente, descobriu a primeira paralisação nos atendimentos através de outros pais. “Antes do retorno da minha filha, as mães comentaram com minha esposa. Aí, fui lá e vi essa situação, em que a única psiquiatra infantil se aposentou e não tinha previsão de outra começar com os acompanhamentos das crianças”, relata Carlos.
O pai afirma ter conversado com assessores do prefeito Duarte Nogueira (PSDB), que asseguraram a disponibilização de médicos de plantão aos sábados para ajudar no atendimento psiquiátrico. Os acompanhamentos foram transferidos provisoriamente do CAPS Infantil para o CAPS da Rua Pará, no bairro Ipiranga, na Zona Norte de Ribeirão Preto.

Segundo Carlos, no dia 27 de abril, foram somente 12 atendimentos ao longo de quatro horas. “No sábado seguinte, já parou o atendimento, sem informar ninguém. Só fiquei sabendo porque fui ao CAPS Infantil e me informaram sobre a pausa do atendimento”, diz. Ainda de acordo com o autônomo, vários pacientes estão sem medicação por conta da falta de profissionais.
Outro lado
A Secretaria Municipal da Saúde informou que já foi solicitada a reposição do profissional, dependendo da disponibilidade de recursos da Prefeitura para efetuar a contratação. Em nota assinada pelo coordenador do Programa de Saúde Mental da pasta, Marcus Vinicius Santos, a Secretaria respondeu que providenciou duas médicas psiquiatras em regime de plantão extra para atendimento dos casos mais urgentes.
Há dois anos, cerca de 400 jovens estavam na fila por acompanhamento psiquiátrico, segundo a Secretaria. O órgão informou que após processo de reavaliação dos casos e transferência dos demais para outros serviços, o contingente foi reduzido a 200 crianças. Também de acordo com a nota, as médicas psiquiatras atenderam por quatro sábados, sendo dois em março e dois em abril, totalizando 70 crianças atendidas. A pasta negou que foram realizados apenas 12 acompanhamentos em 27 de abril, mas confirmou que o atendimento está novamente paralisado e será retomado (sem prazo informado).
Texto: João Pala.