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De Ribeirão Preto, o casal Gabriel Dearo e Manu Digilio chega a mais de 1 bilhão de visualizações no YouTube com três canais diferentes na plataforma
A evolução tecnológica transforma, a passos largos, a maneira como se consome conteúdo. A imagem de um telespectador passivo diante da TV foi substituída por um público ativo nas redes sociais, que assiste à telinha ao mesmo tempo em que faz comentários na web. Mas não é só: a própria televisão, hoje inteligente (conhecida como SmarTV) funciona como um meio de transmissão de diversas plataformas alternativas à programação convencional, entre elas o YouTube — principal rede de compartilhamento de vídeos do mundo.
Presente em 91 países, disponível para 80 idiomas e com mais de 1 bilhão de usuários diários, o YouTube tem atraído cada vez mais crianças, jovens e adultos — seja do lado de fora, como consumidores de conteúdo, ou do lado de dentro, como produtores, os chamados youtubers.
É o caso de Gabriel Dearo, de 24 anos, e Manuela Vendruscolo Digílio, conhecida como Manu, de 23 anos, que engrossam as estatísticas de novos comunicadores. O casal de Ribeirão Preto possui três canais na plataforma: Operação Cinema, Falaidearo e Meu Mundo Babaca, que somam 1,1 bilhão de visualizações.
Em entrevista à Revide, Gabriel e Manu contam sobre a mudança para São Paulo, detalham o crescimento da carreira e comentam a diversidade de conteúdo disponível em vídeos pela internet. Além disso, destacam: para ser um youtuber é preciso ter muita dedicação e muita criatividade.

Quando e como vocês se conheceram? Manu: Tudo começou em 2015. Como sempre digo no canal, estava no segundo ano da faculdade de Publicidade e Propaganda, quando uma amiga me mandou um print do perfil do Gabriel em um aplicativo de relacionamento dizendo que ele combinava comigo. Aí, curiosa, fui pesquisar sobre ele. Vi que tinha um canal no YouTube, que, na época, era bem pequeno. Assisti a alguns vídeos, segui no Instagram e ele me seguiu de volta. Então, começamos a conversar e descobrimos que fazíamos o mesmo curso, na mesma universidade, no mesmo período, só que ele estava no terceiro ano e nós nunca tínhamos nos visto. Coisa de doido, né? Desde então estamos juntos.
Vocês já eram youtubers antes disso? Manu: Eu sempre assisti a vídeos no YouTube e era muito fã de alguns canais, mas começar um canal sozinha não parecia ser minha cara. Em 2012, comecei como hobby com minha vizinha, só que gravamos alguns vídeos e desistimos. Depois, o trabalho retornou com o Gabriel, que já tentava seguir adiante na profissão. Tudo foi se encaixando e deu certo.
Vocês se mudaram para São Paulo, recentemente, que é a cidade onde as oportunidades são mais frequentes. Atualmente vocês estão casados e em uma cidade nova. Como é essa nova realidade? Gabriel: São muitas novidades, mas é legal, pois gostamos de sair da rotina. Completamos um ano de casados recentemente e quando estávamos bem acostumados em nosso apartamento em Ribeirão Preto, decidimos nos mudar para São Paulo. É uma aventura! Nós ainda estamos aprendendo a morar na capital, descobrindo um novo mundo e buscando encontrar, ainda, respostas para perguntas simples: onde encontramos um açougue e onde podemos cortar o cabelo, por exemplo. No entanto, estamos gostando muito dessa nova fase. Trabalhar com YouTube com certeza traz uma vida com muitas surpresas.
Morar em São Paulo beneficia de que maneira a carreira de vocês? Gabriel: Morando em Ribeirão Preto, fazíamos muitas viagens para São Paulo a trabalho. Havia eventos bacanas que nos convidaram, reuniões, como uma que fizemos no Google, e até mesmo trabalhos que contavam com a nossa presença na capital. Chegou a um ponto que estávamos indo três vezes por mês até São Paulo. Ficou inviável. Tudo que envolve nosso trabalho acontece lá e perdíamos muito por estarmos longe. Assim, tomamos a decisão de morar onde tudo acontece e visitar nossas famílias em Ribeirão Preto quando bate aquela saudade.
Com quase 9 milhões de inscritos nos canais, como se sentem formando um casal famoso atualmente? Manu: É bem legal ver que muitas pessoas, além de ‘shippar’ a gente [gíria utilizada para incentivar a união de duas pessoas] e apoiar, admiram nosso relacionamento. Sempre que saímos e vamos a mercados, padarias, restaurantes, cinemas, shoppings e eventos, somos encontrados. Demorei para me acostumar que não dá mais para sair de casa vestida ‘de qualquer jeito’. E mesmo assim, eu acho muito fofo quando um fã pede por uma foto, com os olhinhos brilhando e aquele carinho por nós! É muito empolgante quando isso acontece.

Quão gratificante é ver o carinho do público? Gabriel: Com certeza, o humor é uma ferramenta incrível e tudo fica mais leve e divertido com ele. Esse é nosso objetivo: levar sorriso, leveza e diversão para várias crianças, adolescentes e adultos. Recebemos muitas mensagens com o seguinte conteúdo: ‘eu estava triste, assisti a um vídeo seu e meu dia mudou’. Sabe quão poderoso é isso? Eu acabei de mudar o dia de uma pessoa, sem ao menos conhecê-la! Isso é incrível e fico muito feliz com o resultado.
Os vídeos são assistidos por pessoas de todas as idades, mas qual o foco de vocês? Manu: Para mim, o melhor público que você pode conquistar são as crianças. É aquele amor de fã inocente que se inspira em você e quer ser como você. Poder levar alegria para essas crianças e suas famílias por meio do humor é muito gratificante. Muitas delas dizem passar por dificuldades e agradecem por nós proporcionarmos alguns momentos felizes pelos vídeos. Isso não tem preço.
Quais são os projetos futuros de vocês? Manu: Em setembro, lançamos o livro "As Aventuras de Mike", que une personagens do canal Falaidearo transfomados em desenho. Mas ainda teremos novidades. Vem muito mais por aí.
O que é necessário para ser um youtuber? Gabriel: Principalmente, dedicação e criatividade. É um trabalho como qualquer outro. É um trabalho muito legal? Sim! Mas ainda é um trabalho. Ter ideias, criar roteiros, arrumar equipamentos, gravar, editar. É preciso muito comprometimento para fazer um vídeo e, muitas vezes, pode levar tempo até começar a gerar resultados, por isso digo que é fundamental a dedicação. Mencionei também a criatividade, porque hoje existe de tudo no YouTube. Quer um canal de pescaria? Tem! Um canal de criação de galinhas caipiras? Tem, também! Há uma variedade imensa, o que faz com que a criatividade entre em jogo pra você se diferenciar dos outros. Pode-se até falar sobre algo já falado, mas de forma diferente, criativa e inovadora. É preciso lembrar que ser apenas mais um fazendo o que todos já fazem não é um bom caminho.
É possível viver apenas com a remuneração dos canais? Gabriel: Depende. Essa é uma das perguntas que mais ouço. São vários fatores que influenciam o resultado, na verdade. Se o canal for muito pequeno e não atingir uma quantidade boa de visualizações, é bem difícil. Mas se for um canal grande, com milhões e milhões de visualizações mensais, a resposta é sim. No entanto, essa é apenas uma das ferramentas de monetização que um youtuber pode usar. Além disso, ele pode vender camisetas com sua marca, fazer peças de teatro, vender livros e etc. Outra fonte de renda também são os patrocínios e publicidades que uma marca pode fazer com os youtubers.
Como é feito o planejamento dos canais? Manu: Nós analisamos o calendário sazonal e dividimos os canais nos dias da semana, afinal são três e é preciso tempo e dedicação para alimentar cada um deles. A partir daí, definimos qual tema se encaixa melhor em qual época do ano, mas sempre surgem notícias, assuntos extras do momento que são interessantes para postar e até temas que os próprios fãs pedem.
É difícil começar? Gabriel: Foram praticamente quatro anos de trabalho sem nenhum resultado para eu criar um canal que crescesse rapidamente em seis meses. Nada é fácil e comigo não foi diferente, mas como era meu objetivo desde o começo, eu sabia que um dia iria chegar lá.
O que vocês estão vivendo faz parte de um sonho? Gabriel: Eu creio que sim! Quando eu comecei, em 2011, eu sonhava em ter um canal de sucesso. Hoje, oito anos depois, eu posso dizer que eu tenho não só um canal, mas três canais de sucesso. Trabalhamos com algo que amamos fazer, então, sim, é um sonho!
Manu: Com certeza! É um sonho dizer que meu trabalho é poder levar alegria a tantas pessoas, compartilhando um pouquinho da nossa vida, histórias e experiências. Mas ainda temos muitos sonhos e projetos a realizar.