Sempre é tempo de namorar
Para homens e mulheres modernos e dispostos a buscar a felicidade, o fim de um relacionamento duradouro não significa a perda definitiva da chance de serem bem-
A modernindade trouxe muitas mudanças à vida em sociedade. Com o século XXI, chegaram as novas tecnologias e sua popularização, as profissões totalmente especializadas e a intensa preocupação com a sustentabilidade. O início deste milênio veio acompanhado, ainda, por novos conceitos fortalecidos. Além da consolidação do papel da mulher na sociedade atual, a família, que antes deveria respeitar um único padrão de comportamento, modificou-se ao longo dos anos. Nos anos 2000, não é incomum encontrar famílias formadas por pais separados, que participam normalmente da vida dos filhos e conduzem essa relação de maneira saudável. Já não existe o medo de que esses filhos sejam malvistos na escola ou que passem por situações constrangedoras, o que era comum antigamente. Também vem se estabelecendo o consenso de que esses pais podem, e devem, reconstruir suas vidas amorosas.
Foi isso que fizeram o empresário Rogério Restini e a advogada Elisa Cais. Há dois anos, eles se conheceram por intermédio de uma amiga. “Tínhamos a mesma personal trainner, que sempre falava de um para o outro porque achava que éramos parecidos. Na ocasião oportuna, fomos apresentados”, conta Elisa, que, como Rogério, havia se separado recentemente. O envolvimento do casal aconteceu naturalmente. Aos poucos, ambos foram identificando gostos comuns e afinidades. “Gostamos de praticar atividades físicas, de ir ao cinema, de sair para jantar e para nos divertir”, lista Elisa, que aponta como pontos positivos de seu atual relacionamento o companheirismo, o respeito, o carinho e a paixão.
Para Rogério, uma das vantagens do namoro de hoje em dia é o fato de aproveitar o aprendizado adquirido no passado. “Todos os relacionamentos que tive vieram a contribuíram com o atual. Acredito que manter uma relação é um exercício e, por isso, hoje é mais maduro”, avalia. Conhecer a si mesmo com mais profundidade também ajudou o empresário a construir um namoro mais seguro. “Depois de uma certa experiência de vida, adaptar-se ao outro já não é um problema, acontece de forma mais tranquila”, acredita Rogério, que entende que um relacionamento maduro já não exige uma superação das próprias expectativas ou das da parceira.
Apesar de morarem em casas separadas, Elisa e Rogério passam boa parte do tempo juntos, inclusive reunindo os filhos. Para Elisa, Gustavo, de oito anos, fruto de seu casamento anterior, é um ingrediente novo em um namoro. “No entanto, não tive problemas com meu filho ou com minha família por causa do namoro, pelo contrário. O Rogério e o Gustavo se dão muito bem, vão ao cinema juntos, fazem outros programas sem a minha presença e se relacionam muito bem”, revela a advogada. O mesmo acontece com Felipe, de 16 anos, filho do primeiro casamento de Rogério. “Mesmo em ocasiões anteriores, o Felipe sempre encarou o fato de eu namorar com naturalidade. Nem teria razões para agir de outra maneira”, acrescenta o empresário.
Elisa só tem elogios ao namorado. “O Rogério é um ótimo companheiro, com quem posso contar a qualquer hora. Além de lindo, ele é carinhoso, atencioso, nunca se esquece de datas especiais e está sempre preocupado, como eu, em manter uma boa qualidade de vida”, elogia a advogada. O empresário destaca que é muito fácil conviver com a namorada, além de muito divertido. “A impressão que tenho é que, nessa altura, nossa parceria é muito mais leve”, argumenta. As crises passam longe do casal.
“Existem discussões normais de um relacionamento, mas sempre administramos com diálogos que levam em consideração o ponto de vista de um e de outro”, ressalta Elisa. Para quem já viveu experiências anteriores e têm medo de encarar um novo relacionamento, Rogério dá um conselho importante. “Acho que cada um tem seu tempo e deve respeitá-lo. Avaliar os motivos do rompimento anterior, refletir e procurar não cometer os mesmos erros é um bom começo”, recomenda o empresário.
Amor na maturidade
Depois de um casamento de 20 anos — que terminou da melhor maneira possível: em amizade —, Zezé Najem conheceu Leonardo Cavalcante, o Leo, por causa de uma mensagem eletrônica encaminhada para o endereço errado. “Estava promovendo um evento e, por engano, enviei um convite para o e-mail dele. Foi assim que começamos a nos falar”, recorda Zezé. Leo, que havia saído de um casamento de 28 anos, surpreendeu-se com o bom humor e a animação da apresentadora. Assim, com a ajuda da química que logo se estabeleceu entre o casal, os dois iniciaram o namoro, que já dura sete anos. Apesar do ciúme inicial da família e dos amigos, o relacionamento tomou forma. Hoje, o casal vive junto, dividindo as experiências sem o medo e a insegurança característicos da juventude.
Para Zezé, a admiração mútua é um ingrediente fundamental para manter uma vida a dois. “O tesão também é importante”, garante ela. Leo completa que, em qualquer idade, cumplicidade, tolerância e bom humor não podem falar no namoro. “A Zezé emana uma alegria de viver que não é vista com facilidade por aí. Além disso, ela é uma pessoa do bem, sempre disposta a ajudar todas as pessoas que a procuram, o que pode se tornar um defeito também”, avalia Leo que, segundo Zezé, é cavalheiro, um verdadeiro amante à moda antiga. “Mas esse jeito ponderado dele às vezes me atrapalha, já que sou muito impulsiva e imediatista”, confessa.
Animados e cheios de gostos parecidos, Leo e Zezé não dispensam o convívio com os amigos e com a família: ele tem três filhos — Guadalupe, mãe de João Pedro e Gabriel, Leonardo Filho e Marina — e ela, dois — Alexandre, pai de João Victor, e Jamile. “Nossos filhos se dão muito bem, apesar de se encontrarem pouco por alguns morarem em cidades diferentes. Isso também favorece nossa relação”, acredita Leo. Ainda assim, o casal faz questão de manter um tempo para curtir a dois. “Adoramos namorar, tomar whisky, bater papo e ver bons filmes”, enumera a apresentadora. Conversar bastante sobre a própria relação é um exercício que praticam com frequência, o que, para ambos, ajuda a manter a saúde do namoro em dia. “É uma boa receita para evitar crises, que nunca existiram entre nós”, garante Zezé.
Aos jovens namorados, o casal recomenda que não se poupem jamais. “Com o passar do tempo, vão ter a certeza de que Roberto Carlos estava certo quando afirmou que o importante são as emoções vividas”, brinca a apresentadora. Já para quem já deixou a juventude passar, mas não tem coragem de encarar um novo relacionamento, os dois garantem que não há idade para o namoro. “Permita-se ser feliz. Para isso, nunca é tarde. Jamais imaginei ter uma pessoa tão vibrante como a Zezé do meu lado. Agradeço por termos nos permitido essa vivência”, finaliza Leo.
Texto: Luiza Meirelles | Fotos: Ibraim Leão