Separação em quatro etapas

Separação em quatro etapas

Terceira cirurgia para a separação das irmãs siamesas unidas pela cabeça está marcada para acontecer no dia 4 de agosto

As quatro cirurgias para a separação das irmãs siamesas unidas pela cabeça realizadas em Ribeirão Preto podem mudar a estratégia médica de preparação utilizada em casos clínicos raros no mundo. De acordo com o neurocirurgião, chefe da divisão neurocirúrgica pediátrica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HC-FMRP/USP), Hélio Rubens Machado, o procedimento enfrentado pelas pequenas Maria Ysabelle e Maria Ysadora é o primeiro caso dessa proporção conduzido no Brasil. O estudo para o planejamento da separação foi realizado com a supervisão do médico americano especialista no assunto, James Goodrich, que já operou mais de 20 casos semelhantes aos das meninas, sem ocorrência de óbito. A terceira etapa da cirurgia está marcada para 4 de agosto.

De acordo com Hélio Rubens Machado, chefe da divisão neurocirúrgica pediátrica do HC, o caso foi muito bem estudado De acordo com o médico do HC, o processo de preparação para a separação das crianças cearenses tem sido elaborado há cerca de um ano. A certeza sobre a cirurgia veio em novembro de 2017. “Nas três primeiras, das quatro fases cirúrgicas, foram feitos cortes para a separação de partes da cabeça, do mesmo tamanho, enquanto a última e mais delicada chegará à separação definitiva, o que deve acontecer no final deste ano. Cada etapa precisou de um intervalo de dois a três meses, dependendo da situação das meninas”, explica Machado.

Mais de 30 profissionais participam do processo. “Com a preparação prévia, o processo cirúrgico tende a ser um sucesso. Sequelas podem acontecer, mas estamos nos preparando para que saia tudo bem”, continua o médico de Ribeirão Preto. A cirurgia, avaliada em R$ 2,5 milhões no exterior, deve ficar cinco vezes mais barata graças ao Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com Machado, o caso chegou à equipe do HC depois da notificação de um colega médico de Fortaleza. “Nossa missão era montar um grupo de profissionais, como acontece em outros locais especializados nisso”, acrescenta o médico. Segundo o neurocirurgião chefe, existem várias etapas no processo, como procedimentos plásticos, terapia intensiva, enfermagem, anestesia, entre outros. “Este trabalho é muito complexo. O primeiro estudo é sobre a imagem, uma forma de montarmos esse quebra-cabeça, ver como o cérebro está articulado, a circulação do local, os problemas técnicos envolvidos. Uma vez feito este estudo, entrei em contato com o especialista americano James Goodrichque, que já tratou muitos casos como este e concordou vir até aqui nos auxiliar”, relata.

Um protótipo da cabeça das meninas foi feito nos Estados Unidos para auxiliar na preparação para a separação das siamesas. “Isso foi possível graças à impressão 3D, fiel ao que encontramos, transparente e com veias aparentes”, afirma Machado.

Separação de Maria Ysabelle e Maria Ysadora chega à terceira etapa

Transferência para Ribeirão Preto
O neurocirurgião pediátrico e coordenador do serviço de Neurocirurgia do Hospital Infantil Albert Sabin, em Fortaleza (CE), Carlos Eduardo Barros Jucá, contou que a família de meninas siamesas cearenses estava ansiosa para início de procedimento em Ribeirão Preto. O médico fez sua graduação em Medicina no campus ribeirãopretano da Universidade de São Paulo (USP). “É bom retornar à cidade por uma boa causa. O Hospital das Clínicas foi escolhido pela excelência do serviço de Neurocirurgia Pediátrica”, ressalta o especialista.

Jucá tomou conhecimento das siamesas após acompanhar uma internação das meninas no hospital em que trabalha, no Nordeste, e acredita no sucesso de todos os procedimentos. “Há riscos, mas todas as condições técnicas para uma boa evolução estão sendo reunidas. A equipe é numerosa e composta por médicos de várias áreas. Esperamos um ótimo resultado”, finaliza Jucá.

Apoio familiar
As irmãs siamesas, que nasceram unidas pela cabeça, estão em Ribeirão Preto desde fevereiro. Ao lado da família, permanecem em São Paulo até o final do ano, quando a separação será finalizada. Os pais, Diego e Débora Freitas Santos, agradeceram, em um depoimento exclusivo, o apoio e as doações recebidas até o momento. “Agradecemos todo apoio, ajuda e solidariedade oferecidos por todos aqueles que têm enviado doações de diversas formas para nossas filhas. Elas estão muito bem e estão preparadas para os novos desafios”, diz o casal.

Auxílio especializada
O médico norte-americano responsável por auxiliar na separação das crianças, James Tait Goodrich, diz que está otimista para a continuidade da separação das meninas Maria Ysabelle e Maria Ysadora. O neurocirurgião é o principal especialista no assunto do mundo. Em entrevista exclusiva à Revide, afirmou que estará presente nas últimas etapas da cirurgia das crianças. “Esperamos que tudo dê certo, mas estamos conscientes da complexidade de cada operação. A família e os médicos estão preparados para isso também”, explica Goodrich. 

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