Servidores rejeitam proposta da Prefeitura
Em assembleia, eles aprovaram a realização de greve a partir do dia 26
Os servidores municipais de Ribeirão Preto não aceitaram a proposta de reajuste salarial feita pela Prefeitura e decidiram, em assembleia geral, pelo estado de greve a partir desta quarta-feira, dia 19. A Prefeitura será oficializada da decisão dos trabalhadores pela greve, nesta quinta-feira, respeitando a legislação que tem como prazo o mínimo de 72 horas mediante decisão da assembleia.
A greve está marcada para as zero hora do dia 26 de março. Também com compromisso à legalidade, o movimento tem o objetivo de preparar a sociedade para o início do ato grevista. Com esse propósito, já foi agendado uma grande manifestação na Câmara Municipal de Ribeirão Preto, na sessão legislativa do dia 27 de março, bem como publicações nos meios de comunicação de massa como jornais, rádios e televisão.
Na assembleia, que reuniu centenas de servidores, foi unânime a consideração de que a proposta é um desrespeito com o funcionário público por que não contempla as cobranças importantes que foram retiradas da pauta de negociação.
“Não foi levado em conta as reivindicações que foram construídas de forma democrática com os servidores. O governo não se ateve a analisar com atenção e respeito itens da pauta considerados de essencial relevância para a classe trabalhadora”, afirmou o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais, Wagner Rodrigues.
Proposta
Em um documento de 15 páginas entregue ontem ao Sindicato, a Administração Municipal respondeu sim à grande maioria das reivindicações constantes da pauta entregue pelos trabalhadores, mas reduziu consideravelmente as propostas econômicas, como o reajuste salarial, do vale alimentação e da cesta básica nutricional, paga aos aposentados.
Os servidores reivindicaram reajuste de 16%, sendo 6,49% de recomposição salarial, pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e 9,51% de aumento real, considerando-se o aumento da arrecadação orçamentária. A Prefeitura ofereceu 5,56%, que representa o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Para o vale alimentação, o reajuste pedido foi de 44,8%, para elevar o valor ao do salário mínimo, de R$ 724,00. A contraproposta foi de 10%, elevando de R$ 500,00 para R$ 550,00. Para a cesta nutricional, o pedido foi também de 44,8%, mas o oferecido foi de 10%.
Protesto
Durante toda esta terça-feira, dia 18, os servidores municipais protestaram em frente ao Palácio Rio Branco, sede da Prefeitura, onde montaram o que chamaram de uma central de denúncias, no "Dia de Caça aos Sanguessugas do Serviço Público Municipal". O Sindicato denomina de sanguessuga o servidor com cargo em comissão e sem vínculo com a Prefeitura.
Isso porque a Administração Municipal alega, para reduzir benefícios, que está no limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) de gastos com servidores. O Sindicato defende então que a Prefeitura demita os servidores comissionados e não efetivos, para reduzir os gastos e pagar mais aos funcionários concursados.
De acordo com o sindicato, a intenção do protesto foi identificar e contabilizar o número de comissionados sem vínculo que ocupam cargos na prefeitura da cidade. Desde as 7h da manhã, a frente do Palácio recebeu faixas, uma barraca e uma pequena piscina com sanguessugas de borracha. Um carro de som também foi utilizado.
Durante o protesto, os sindicalistas receberam denúncias de servidores comissionados. O sindicato também montou uma central de denúncias pelo telefone da entidade – 3977-8100 – para receber informações de servidores. Quem denuncia tem a identidade preservada.
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Texto: Guto Silveira
Fotos: Carolina Alves e Divulgação