Síndrome reduz quantidade de abelhas
Síndrome do Colapso da Colônia tem causado o sumiço de abelhas do mundo todo, prejudicando a produção de alimentos
Quem acredita que as abelhas só ficam de flor em flor por pura diversão, está enganado. As pequenas voadoras são mais que trabalhadoras incansáveis, elas são as verdadeiras responsáveis pela produção de flores, plantas e frutos do mundo todo.
O motivo é simples: quando as abelhas voam de flor em flor, elas estão recolhendo o pólen, e esse processo é chamado de polinização.
Frutas como pera, pêssego, melão, maçã, melancia, abacate, morango, laranja, pepino e plantas como a soja, só estão entre os homens graças às abelhinhas. Isso mesmo, as abelhas realizam a polinização de 70% das culturas agrícolas que produz alimento para o consumo humano.
Porém, de uns tempos para cá – mais especificamente desde 2006 – essas trabalhadoras têm desaparecido, e a situação ficou grave. Vírus, fungos, ácaros e doenças são algumas das causas do sumiço das abelhas, mas os pesticidas e os neonicotinoides são apontados como os maiores fatores dessa devastação por conta de componentes altamente tóxicos.
O desaparecimento das abelhas foi batizado como CCD (sigla em inglês de Colony Collapse Disroder) ou Síndrome do Colapso da Colônia. Segundo explicou Lionel Segui Gonçalves, docente aposentado da USP Ribeirão Preto e presidente do CETAPIS (Centro Tecnológico de Apicultura e Meliponicultura do Rio Grande do Norte), quando as abelhas saem das colmeias para fazer a polinização em alguma região onde tenha pesticida, o produto químico age no cérebro das abelhas e elas passam a ter deficiência de memória.
“Isso prejudica a navegação e as abelhas não voltam para as colmeias, elas não sabem voltar mais”, frisou Gonçalves. Diante dessa síndrome, uma colmeia – que normalmente abriga até 60 mil abelhas –, em semanas pode ter uma queda de 20 mil abelhas, e, em consequência, causa a diminuição do número delas até a colmeia ficar vazia e só sobrar o mel.
A Síndrome do Colapso da Colmeia surgiu por circunstância do homem e isso tem gerado alta preocupação de apicultores do mundo inteiro. Este ano, a Secretaria da Agricultura dos Estados Unidos divulgou um número alarmante: antes da CCD, o país tinha em torno de 6 a 7 milhões de abelhas; hoje são somente 2 milhões.
Para entender a gravidade, o sumiço definitivo do bichinho causaria estragos irreversíveis. As amêndoas, por exemplo, dependem 100% das abelhas para crescimento e reprodução, já as maçãs dependem 90% da polinização, os pêssegos dependem 40% e as laranjas, 27%. “Sem abelhas, essa linha de frutas já seria prejudicada”, alertou Gonçalves.
O estado da Califórnia, um dos grandes produtores de amêndoas do mundo, utiliza cerca 1.5 milhões de colmeias, só que a falta de abelhas já se tornou um caso sério. Isso revela outro número assustador: os EUA já registraram queda de quase 50% do número de colônias de abelhas nos últimos cinco anos.
O Brasil, embora não tenha nenhuma porcentagem calculada sobre a queda de colmeias e abelhas, relatou quatro estados atingidos pela Síndrome do Colapso da Colônia: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais.
Santa Catarina, que se destaca pela produção de maçãs, registrou em 2012 uma perda de 25% na produção da fruta. “Os apicultores não conseguiram honrar compromissos por falta de abelhas”, disse o professor.
Em abril deste ano, a União Europeia proibiu o uso de três tipos de pesticidas devido ao desaparecimento das abelhas, e conforme pontuou o professor da USP, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. “Aqui o uso rola solto e de maneira bem aberta”. Ele defende que é necessário aumentar as áreas verdes e incentivar a população a cultivar plantas de interesse das abelhas.
É por essa gravidade que o professor Lionel Gonçalves, em parceria com os filhos Karin e Daniel Gonçalves, da agência 6P, criou a campanha Bee or not to be?. A campanha é no sentido de alertar a sociedade sobre a necessidade de manter as abelhas, diagnosticando as causas e evitar o uso de pesticidas.
A Bee or not to be? busca obter o máximo de assinaturas online para a Petição de Proteção às Abelhas e, ao final, enviar o documento a lideranças governamentais. Lançada em Ribeirão Preto e também em Mossoró, Rio Grande do Norte, a campanha leva a petição baseada na máxima ‘Ser ou não ser’, uma alusão à frase de William Shakespeare para pedir proteção às pequenas voadoras.
No dia 2 de outubro, durante o International Apimondia Congress 2013, realizada em Kiev, Ucrânia, Daniel Gonçalves lançou a campanha diante de 8 mil participantes e delegados de mais de 100 países. Até o momento a petição já somou 6.500 assinaturas de mais de 40 nações mundiais, além do total apoio de instituições, como a Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), a Federação Internacional de Apicultores (Apimondia), a Federação Iberolatinoamericana de Apicultores (Filapi) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).
Qualquer pessoa pode assinar a Petição de Proteção às Abelhas através do site www.semabelhasemalimento.com.br
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Texto: Fernando Belezine (Colaborador)
Fotos: Divulgação