Sobre afeto e aprendizado
Capaz de deixar as mais doces lembranças para a vida toda, a convivência entre avós e netos é cheia de lições. Mães duas vezes, esse amor se fortalece no nascimento de cada neto
Definitivamente, o Dia das Mães está entre as principais datas comemorativas do ano. Pelo menos, é isso que apontam os dados do comércio, ano após ano. Isso porque os filhos costumam aproveitar a ocasião para retribuir de alguma maneira todo o amor e dedicação recebidos. Entretanto, o Dia das Mães vai muito além de um dia para presentear. Para as mães, a data chega acompanhada de doces recordações de momentos vividos até então; para os filhos, a ocasião é ideal para lembrar do quanto elas, provavelmente, abdicaram para que eles crescessem felizes e saudáveis.
Quando a família aumenta, mães e pais vão aprendendo na prática como conduzir o desenvolvimento de seus filhos. A cada fase, as demandas mudam e os esforços, também. Na tentativa de acertar sempre, a busca por referências é constante. Vale ouvir a opinião de especialistas, encontrar publicações sobre a fase do desenvolvimento em questão e também olhar para o passado, para experiências vividas e exemplos observados.
É nesse contexto que surgem os avós — neste caso, em que a finalidade é celebrar o Dia das Mães, as avós. Elas costumam ser peças fundamentais desde os primeiros indícios de que a família vai aumentar. As mais prendadas, inclusive, fazem questão de colocar a mão na massa e colaborar com o enxoval. Logo depois do nascimento do neto, algumas deixam a própria rotina de lado para dar suporte às filhas ou noras nos meses que marcam a adaptação da família ao novo membro. Mais adiante, podem participar ativamente da rotina dos pequenos, quando os pais precisam dedicar mais tempo ao trabalho.
À medida que o tempo passa, a relação de avós, pais e netos ganha novos contornos, mas sem perder sua natureza de amor. “Diante de tudo que já pesquisei sobre ser avó, a definição que se sobressai, ao meu ver, é a de que a chegada a essa condição significa renovar os sentimentos da maternidade e do amor incondicional, mas com mais sabedoria e menos cobrança”, opina a psicóloga Danielle Zeoti. Segundo a profissional, a chegada de um neto faz parte da constituição de uma mulher madura, mas não a liberta de todas as dúvidas e inseguranças.
Quando questionadas se o amor de avó é diferente do sentimento que chega com a maternidade, ou ainda, se ser avó é realmente ser mãe duas vezes, elas são unânimes em dizer que o novo papel tem muitas singularidades. Trata-se, geralmente, de um sentimento marcado pela tranquilidade e pela disponibilidade, itens favorecidos pela experiência de vida. Para as avós, ter um neto é viver uma verdadeira consagração da maternidade, uma vez que o filho ou a filha teve vontade de ter os próprios filhos. No novo papel, essas mulheres deixam de lado as pressões cotidianas e a cobrança provavelmente sentidas quando eram mães.

Para Danielle, as avós são únicas e se reconstituem a cada nascimento de um neto, por isso, é importante não exigir tanto delas e deixar que cresça o amor incondicional entre eles. Segundo a psicóloga, a maior parte do caminho construído pelas avós diz respeito à segurança, ao conforto, à ternura e aos momentos de prazer únicos, que invadem a vida dos pequenos e os acompanha durante a vida adulta. “A casa da avó é um lugar doce, de aconchego, com cheirinho de bolo feito na hora, de brincar com o pé na terra, de tomar chuva, de molhar na enxurrada, de dormir com o pé sujo e de brigar na rua e voltar correndo para um colo quentinho que vai te abraçar até você se sentir seguro”, conclui.
Para Danielle, a avó tem um espaço fundamental no desenvolvimento da criança, mas é preciso que elas se permitam experimentar a serenidade e os prazeres da maturidade usando-os a seu favor na construção do papel de avó.
Texto: Pâmela Silva
Fotos: Lidia Muradás e Julio Sian
Produção: Marcela Versiani
Vídeos: Lumme Studio
Agradecimento: RibeirãoShopping