Socorro urgente

Socorro urgente

Especialistas apontam a necessidade de retirar o trânsito pesado em frente à Catedral de São Sebastião

O que era apenas uma suposição se concretizou. A Catedral de São Sebastião está em risco e sua recuperação depende de medidas urgentes. Esta foi a conclusão do laudo técnico realizado pela Falcão Bauer – Centro de Tecnologia de Controle da Qualidade. O resultado do trabalho, realizado por uma equipe de engenheiros, mostra que as vibrações geradas pelo trânsito pesado, que passa em frente à edificação, as infiltrações, os vazamentos e a presença de cupins são as principais causas da degradação acelerada da construção.

Apesar dos problemas identificados, os técnicos observam que não há risco imediato para os frequentadores do templo.  Danos visíveis, como rachaduras nas paredes, no teto, nas colunas e nos arcos, principalmente na parte frontal da Catedral; desnível em alguns pontos do piso; infiltrações; fungos e cupins de solo precisam ser sanados com urgência. O estudo foi solicitado pelo padre Francisco Jaber Zanardo Moussa, o padre Chico, pároco da Catedral.

Uma das alternativas apontadas para reduzir os níveis de vibrações que afetam a estrutura da Igreja é a retirada do fluxo de veículos da rua Florêncio de Abreu, entre as ruas Visconde de Inhaúma e Tibiriçá, bem como a delimitação do uso de equipamentos, da execução de obras ou qualquer outra fonte indutora de fortes vibrações no entorno da construção. Paralelamente, o documento sugere a inspeção geral do sistema de irrigação do gramado da praça (em uso e desligado) e de outras redes hidráulicas ou de captação de águas pluviais; a correção das fissuras e dos focos de infiltração, além do aumento da impermeabilização da área onde se localiza a Igreja, com largura mínima de dois metros de calçada. 

Mais do que um templo religioso, a edificação centenária é um importante monumento histórico, além de um dos principais cartões postais de Ribeirão Preto. Em processo de tombamento pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Artístico e Cultural (Conppac) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), a Catedral teve sua construção iniciada em 1904 e concluída por volta de 1918. O altar foi instalado em 1946. Para a historiadora e pesquisadora Nainôra Maria Barbosa de Freitas, o fluxo de veículos em frente à Catedral deve ser repensado com urgência. 

A pesquisadora reforça que é preciso que a comunidade se sensibilize com o problema. “Bem cultural de cada ribeirãopretano, a edificação precisa ser conservada, a exemplo do que já foi feito em frente ao Theatro Pedro II. Como historiadora, afirmo que é preciso cuidar da edificação, tamanha sua importância para a cidade e para a população”, enfatiza Nainôra, que, a convite da administração da Catedral, apresentou os resultados do levantamento técnico no dia 17 de outubro.

Padre Francisco também entregou uma cópia do laudo para o vereador Rodrigo Simões, que protocolou, no dia 16, um requerimento solicitando providências em relação ao templo. No dia 29 de outubro, o pároco entregará cópias do levantamento para a prefeita Dárcy Vera, que enviará para análise junto à Secretaria de Obras e junto à Transerp. “Devemos zelar pelo nosso patrimônio”, frisa padre Chico. Com mais de 200 páginas, o laudo também foi encaminhado ao Conppac e Condephaat. “Vamos nos reunir com técnicos da Prefeitura em busca de soluções imediatas. É obrigação de todos preservar o patrimônio histórico da nossa cidade”, reforça Rodrigo, que é favorável à retirada do trânsito pesado da frente ao templo.





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