Soluções para o trânsito

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Os convidados falaram sobre infraestrutura, comportamento e planejamento do trânsito de Ribeirão Preto

Encerrando a série de debates realizados ao longo de 2011, o portal da Revide apresenta em vídeo e texto um bate-papo sobre o trânsito em Ribeirão Preto realizado com os convidados: Fernando Antunes, gerente de sinalização viária da Transerp, Eduardo Junqueira Reis, arquiteto e urbanista e o Capitão da Polícia Militar Wagner Aparecido Barato.

Infraestrutura
O sistema viário da área central de Ribeirão Preto é antigo e, por isso, falta planejamento na visão do arquiteto e urbanista Eduardo Junqueira Reis. Para ele, seria necessária uma revolução para modificar toda a infraestrutura central do município, como a introdução das calçadas como parte do sistema viário, por exemplo, com o correto comprimento da calçada — de 1m20cm (mínimo teórico) —, ideal para uma pessoa e uma criança ou então um portador de deficiência física transitar em segurança.

“Mesmo as calçadas maiores acabam sendo ocupadas com postes e até caçambas, sobrando menos de 1m para o pedestre passar”, aponta o urbanista. O Governo Federal, segundo ele, está pensando em mudar a legislação para que a calçada seja de responsabilidade do poder público municipal. “Hoje o responsável pela manutenção da calçada é o proprietário do lote em frente”, esclarece.

Outro ponto, o da sinalização,  segundo Fernando Antunes, engenheiro e gerente de sinalização viária da Empresa de Trânsito e Transporte Urbano (Transerp) é trabalhado diariamente. “A Transerp é responsável por mais de 2.000 km de vias e implanta, anualmente, mais de cinco mil placas na cidade. Criamos a terceira faixa da [avenida] Francisco Junqueira e Maurílio Biagi esse ano. Em relação às principais avenidas, elas estão sendo sinalizadas, sendo que já foi feita toda a sinalização vertical e agora estamos fazendo a horizontal”, explica o engenheiro.

Apesar da polêmica com relação a implantação da terceira faixa da avenida Dr. Francisco Junqueira, segundo Fernando, foi feita uma pesquisa entre motoristas que trafegam pela via, usuários do transporte coletivo, pedestres, comerciantes e clientes e o resultado mostrou que 70% da população aprova a terceira faixa. Outros 20% acreditam que não houve melhora significativa e apenas 10% dos entrevistados se opuseram ao projeto. “A Transerp concluiu que houve uma redução de 50% do tempo de percurso, ou seja, houve bastante melhoria da fluidez”, ressalta.

O comandante da Força Tática da Polícia Militar, capitão Wagner Aparecido Barato, salientou durante o bate-papo que dentre os municípios da região, Ribeirão Preto é o que possui melhor sinalização interna, ficando atrás apenas na questão da sinalização das saídas da cidade, que ainda geram dúvida para o motorista. Além de frisar o bom resultado das novas sistemáticas implantadas na avenida Francisco Junqueira e no cruzamento das avenidas Professor João Fiúsa e Presidente Vargas, na zona sul, o capitão também lembrou que na questão de acessibilidade, Ribeirão Preto está muito a frente de outros municípios. “A questão da calçada em si é um problema nacional, mas a prefeitura rebaixou as guias [de calçada] para a questão de acesso ao portador de deficiência física”, avalia o capitão.



Comportamento
O comportamento é um ponto delicado nas questões que envolvem o trânsito. Há quem diga que o ribeirãopretano não é gentil ao volante, o que acarreta em desobediência, infrações e, consequentemente, acidentes.

“Modificar o comportamento é algo que não é tão simples, mas temos experiências anteriores que mostram que o brasileiro é aberto a modificações e mudanças em seu comportamento. Hoje, por exemplo, a pessoa liga o carro e automaticamente já coloca o cinto de segurança”, afirma o arquiteto Eduardo Junqueira.

Um dos maiores índices de acidentes de trânsito em Ribeirão Preto está em cruzamentos com semáforos, algo revelador da questão comportamental das pessoas ao volante. Fernando Antunes apontou durante a conversa que essa desobediência no trânsito ocorre não apenas nas madrugadas, mas durante o dia também. Outros problemas são falar no celular ao volante, pois estudos apontam para uma perda da atenção do condutor falando ao celular de 20% a 50% e também a velocidade excessiva.

Há um grande desrespeito à ordem pública na questão de obediência do trânsito, alerta o  capitão da PM Wagner Barato.  As três maiores infrações cometidas pelos condutores do município são justamente falar no telefone celular ao volante, o que influencia no número de acidentes como colisões traseiras; o avanço do semáforo vermelho e a falta do uso do cinto de segurança.

Outros problemas de desrespeito apontados pelo PM são a chamada “rabeira” em transportes coletivos. “Este é um caso insolúvel em Ribeirão, que resulta de três a cinco vítimas fatais no trânsito. Só no ano de 2010 houve 70 mortes no trânsito para 46 homicídios em toda a cidade, a gente tem que salientar que a questão mesmo é educação e consciência do condutor”, afirmou o capitão.



Planejamento
De acordo com o engenheiro da Transerp, Fernando Antunes, o problema de congestionamentos no trânsito de Ribeirão Preto tem “hora para começar e terminar”. “O pico da manhã ocorre normalmente das 7h30 às 8h15 e o pico da tarde se concentra entre 17h30 e 18h30. A re-implantação e ampliação da central de controle semafórico e as obras em vias de grande congestionamento são alguns pontos principais do planejamento da malha viária, segundo a Transerp. O cruzamento da avenida Henri Nestlé com a avenida Guadalajara é um caso típico, mas a promessa da construção de um viaduto sobre a Via Anhanguera, promete desafogar toda a interligação de bairros como Lagoinha, Vila Abranches e a zona leste.

A ligação entre os bairros Salgado Filho I e II e a própria obra antienchente, que prevê a criação da terceira faixa para melhorar a fluidez do trânsito da região que liga a avenida Caramuru à Fábio Barreto e Francisco Junqueira, também podem ser somadas às obras de planejamento viário da cidade na visão da Transerp que ainda está realizando um edital para a nova permissão de transporte coletivo, onde se espera uma melhora na qualidade do veículo e na questão dos terminais, tudo voltado ao sistema viário do futuro. Outra questão está no projeto de orientação do trânsito – firmado entre a Transerp e a Secretaria Municipal de Turismo – para a composição de 290 novas placas de sinalização no município. Segundo Fernando Antunes, o projeto já está em fase de licitação e deve entrar em vigor a partir do ano que vem.

O PROJET (Programa de Educação para o Trânsito) é um trabalho que a Transerp realiza em escolas de primeiro e segundo grau com o intuito de levar as crianças para dentro da empresa e educá-las para a conscientização no trânsito. “Queremos fazer das crianças de hoje os ciclistas, pedestres e condutores responsáveis do futuro”, afirmou o engenheiro.

Especial Portal Revide – Fernando Belezine
Fotos: Julio Sian

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