Som em família
Power trio formado entre irmãos vem lotando bares e casas de shows em Ribeirão Preto
Formada por três irmãos: Antônio José Barrionovo (AJ); João Paulo Barrionovo (JottaP) e Pedro Barrionovo, a banda RP3 nasceu em tom de brincadeira mas acabou virando coisa séria e, hoje, doze anos depois dos primeiros ensaios, conquista a confiança do público e seu espaço nas casas noturnas de Ribeirão Preto.
A ideia inicial era fazer somente músicas próprias, “Mas quando vimos que queríamos viver do que a música poderia nos dar, isto é, ganhar nosso sustento somente fazendo música, percebemos que precisaríamos tocar músicas de outros artistas. Só que nunca fizemos os chamados ‘Cover’, nossa marca são as releituras. Damos nossa identidade para as músicas que tocamos, utilizando nossas influências para isso”, conta o guitarrista JottaP.
E as influências são muitas, já que os três passam muito tempo juntos e acabam escutando e sendo influenciados pelos mesmos artistas e tendo gostos musicais muito parecidos. Jamiroquai, Foo Fighters, Paralamas do Sucesso, James Brown, Stevie Wonder, Led Zeppelin, The Killers, The Beatles, Tim Maia, Jorge Ben Jor, Tom Jobim, Franz Ferdinand, Dave Matthews Band, Ed Motta, Funk e Como Le Gusta são alguns exemplos. “É muita coisa! Precisariamos de uma entrevista só para falar das nossas influências”, diz o baixista e vocalista AJ.
O talendo dos irmãos, no entanto, vai além das releituras das músicas tocadas na noite ribeirãopretana. O trio tem dois discos lançados e prova que também sabe criar seu próprio repertório.“Somos compositores, produzimos bastante e temos que dar vazão a isso. Tem bastante gente que nos segue e quer ouvir essas novidades, além das novidades dos shows, das releituras, com isso, essas pessoas passam a conhecer um pouco mais do nosso íntimo”, explica JottaP.
O início de tudo
JottaP brinca dizendo que eles tocam juntos desde que o irmão caçula, Pedro, nasceu. Mas, na verdade, os irmãos mais velhos - AJ e JottaP - já tinham uma banda no colégio e foi justamente nos ensaios dessa banda que o baterista, Pedro, começou a se interessar pelo instrumento.
“A banda dos meus irmãos não passou dos ensaios na casa do baterista, o que não deixava de ser divertido na época para eles e para mim. Eu já ia aos ensaios e ficava subindo na bateria nos intervalos. Aos nove anos comecei a ter aulas, depois de pouco tempo nosso pai comprou uma bateria. Nós três já ensaiávamos algumas coisas juntos, mas quando a banda dos meus irmãos terminou resolvemos nos juntar para tocar”, lembra o baterista.
A banda passou a ser levada a sério por eles quando, em 1.999, ganharam um festival de música. “De lá pra cá as coisas foram ficando mais sérias, sem deixar de ser prazeroso, e fomos ficando cada vez mais unidos pela música”, conta JottaP.
Para a RP3, hoje a música é tida, além de hobbie, como um negócio em família — com direito a CNPJ e tudo o mais — e, com isso, os irmãos tiveram que aprender a lidar com os desafios do ramo como montar projetos, negociar com contratantes e se promover.
“Hoje até meu pai trabalha conosco na banda. Temos uma agenda semanal, horários a cumprir, metas e objetivos a atingir. Subir no palco e tocar é a ultima coisa a se fazer e, para nós, é o mais fácil de ser feito, pois é o que mais sabemos fazer e o que mais gostamos”, explica o guitarrista.
O futuro da banda
Atualmente, a banda está montando um novo estúdio para a produção de um novo material autoral que será postado na internet e o power-trio também tem planos de elaborar um novo show, que deve ser levado aos palcos ainda este ano.
“A internet é o nosso canal direto com nosso público, já tem até alguns gringos que estão curtindo nosso trabalho. A galera do exterior está nos fazendo pensar em compor em inglês. Quem sabe? As surpresas para 2012 vão ser legais, por isso, pedimos para nossos fãs ficarem ligados através do site www.rp3.mus.br e também das redes sociais”, pede AJ.
Acompanhe, a seguir, entrevista exclusiva com RP3
A música está na família a bastante tempo? Vocês tiveram total apoio dos pais?
JottaP - Sim, desde que me entendo por gente vejo música na minha casa, mas não através de rádio, por incrível que isso pareça, mas sim de música ao vivo, com meu pai e meu tio tocando diversos tipos de música do sertanejo raiz até MPB, amigos dos meus pais fazendo roda de samba, amigos da escola tocando rock e etc. E meus pais sempre deram total apoio, incentivaram, acompanharam, acompanham e até doaram parte da casa pra gente montar nosso estúdio. (risos)
Por serem irmãos, a “química” dentro da banda é melhor do que se tocassem com outros músicos?
AJ - Claro que sim. A gente sabe exatamente quando um está bem ou não, sabemos exatamente os pontos fortes e fracos de cada um e procuramos nos complementar. Nos shows, principalmente, percebemos essa ‘química’, pois é um momento onde tudo acontece simultaneamente, é nossa apresentação musical no palco, tem a equipe técnica, a reação do público e toda uma sequência de eventos que acontece enquanto estamos tocando. Quando alguma coisa sai do script conseguimos resolver muito rápido por causa do nosso entrosamento, nossa ‘química’.
Vocês já tocaram com outros músicos. Continuam tocando com músicos contratados? Como vocês escolhem esses músicos?
Pedro - Depende da proposta do show, procuramos sempre tocar com pessoas que querem acrescentar ao som da banda. Mas já tivemos uma formação com dez integrantes no total. Porém, com o passar desses doze anos de RP3, sentimos que estamos com a formação que mais deu certo. Não é a toa que quando tocamos o público não acredita que fazemos o som que fazemos apenas em três integrantes. Atualmente a proposta do show ElectroRock é em power-trio, mas nunca se sabe se mais para frente sentiremos a necessidade de um quarto elemento para a banda. No entanto, uma coisa é certa, com mais integrantes ou não, o nome da banda continuará RP3. (risos)
Como vocês veem o circuito musical em RP? Dá pra viver de música?
JottaP - Eu dou aula de música de segunda a quarta-feira, o restante da semana reservo para tocar. O Brasil todo está vivendo um período de muito sertanejo e pagode, então quem toca esses estilos tem mais possibilidades de tocar, porém, sempre tem espaço pra quem faz algo bem feito, seja na música instrumental, samba de raiz, choro, sertanejo de raiz, frevo, ou até música pra crianças. Sendo bem feito, sempre haverão espaços abertos, até mesmo onde rolam os sons do momento, da moda. É o que acontece com a RP3, pois a gente toca nas mesmas festas e casas noturnas onde tocam os undergrounds ou os sons da moda. Por incrível que pareça a gente percorre os diversos ambientes, e isso não é de agora. Há 12 anos estamos tocando em festivais, bares undergrounds, festas sofisticadas, eventos coorporativos, casamentos, e o que é mais interessante, com o nosso estilo, sem mudar o que somos, sem nos adaptar para agradar ninguém. Quem nos convida quer a nossa cara. E neste ano de 2012 estamos agendando muitos casamentos, isso mostra que o público está procurando algo diferente, renovado, fora dos clichês.
Revide On-line
Texto: Bruno Silva
Fotos: Divulgação e Carolina Alves