Soma de imprudências

Soma de imprudências

Motoristas, pedestres, ciclistas, motociclistas têm direitos, mas também deveres e obrigações uns com os outros

Pressa, excesso de confiança, imprudência e desrespeito às leis de trânsito contribuem para aumentar o número de atropelamentos nas principais vias de Ribeirão Preto. Somente o Corpo de Bombeiro atendeu 102 ocorrências no primeiro trimestre do ano, contra 91 no mesmo período de 2011. De acordo com o primeiro tenente da corporação, Vitor Puato, os números retratam a somatória de uma série de fatores, aliada à imprudência de todos os usuários do sistema viário da cidade.

Motoristas, pedestres, ciclistas, motociclistas têm direitos, mas costumam esquecer dos deveres e das obrigações uns com os outros. “O motorista não para ou diminui a velocidade do veículo ao visualizar um pedestre prestes a atravessar a rua. O pedestre, por sua vez, arrisca-se ao cruzar a via fora da faixa ou, muitas vezes, acha que vai dar tempo de cruzar a pista erroneamente. As causas são inúmeras, mas o que vemos no dia a dia é que a imprudência é decorrente da falta de cidadania e da falta fiscalização”, reforça Vitor.

Segundo o tenente, as condições do veículo e a precariedade na sinalização contribuem para aumentar os riscos de atropelamento. Para dar maior agilidade ao socorro, a Corporação incorporou motos à sua frota de veículos. O cabo Fernando Viana e o soldado Carlos Pierazzo apontam que, além do treinamento pessoal, é importante carregar kits de socorro para os primeiros atendimentos.

Entre as principais vítimas, os idosos, por sua fragilidade, lideram as listas de ocorrências. Mesmo respeitando a sinalização, Maria Helena Cotta da Silva foi atropelada há duas semanas e ainda está em fase de recuperação. Aos 70 anos, Maria conta que estava esperando o semáforo abrir para atravessar a avenida Paschoal Inechi, quando, ao ver o sinal verde, começou a travessia, mas foi atropelada por um motoqueiro.

Socorrida imediatamente, Maria Helena ficou bastante ferida, com uma lesão séria no acetábulo, um importante osso do quadril. Mesmo depois de dois dias na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e dez de internação, Maria Helena lembra, com indignação, de cada detalhe do acidente que, por pouco, não limitou os movimentos de sua perna esquerda. “Quando vi o sinal verde, fui atravessar e consegui desviar do primeiro motoqueiro. Depois olhei com calma para a via e continuei. Daí não vi mais nada e acordei no hospital”, recorda.

A filha, Ana Maria Gomes da Silva, relata que a mãe deu entrada no hospital em estado de choque, perdeu muito sangue e teve que passar por uma cirurgia delicada. “Os médicos conseguiram reconstruir praticamente 95% do acetábulo, mas ela teve que tomar quase 12 bolsas de sangue. “Além da fratura na bacia, teve um corte profundo na cabeça e no braço direito, entre outras escoriações”, ressalta Ana, observando que a mãe está limitada à cama e à cadeira de rodas.

Ana Maria frisou que a família não recebeu apoio do condutor da moto e vai processá-lo, para  que responda criminalmente pelo atropelamento. “Queremos justiça para acabar com este processo de impunidade que reina no trânsito”, enfatiza a filha, que se reveza com uma funcionária para cuidar da mãe. Maria Helena, hoje aposentada, não se conforma com o que aconteceu, pois em segundos teve a vida transformada e suas atividades, bruscamente interrompidas.

Mais segurança

Intensificar a fiscalização, criar leis mais rigorosas e iniciar uma campanha de educação no trânsito efetiva, que comece nas escolas e também atinja os adultos são algumas das sugestões do tenente-coronel do Corpo de Bombeiro, Jovelino Barbosa Lima Filho. Segundo ele, a corporação realiza, junto aos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, o projeto Bombeiro na Escola. Além de noções de primeiros socorros, os policiais ensinam os menores a prevenir acidentes, a fazer a travessia segura das ruas, a respeitar a sinalização de trânsito, a acionar os bombeiros por meio do 193, entre outras dicas importantes.

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