Sucessão começa a clarear
Fim do prazo de filiações e desincompatibilizações mostra intenções de candidaturas ao Palácio Rio Branco; na Câmara, quase um terço dos vereadores busca novas siglas para enfrentar a disputa
Acabou o prazo para filiações de quem quer disputar as eleições de outubro. Também terminou a janela eleitoral para detentores de mandatos interessados em disputar a reeleição por novas siglas. Foi finalizado, ainda, o prazo para ocupantes de cargos públicos deixarem seus postos, caso queiram concorrer a algum cargo eletivo no dia 2 de outubro. Os prazos são de seis meses, ou 180 dias antes das eleições. No período, também não é permitida a concessão de benefícios a servidores públicos das administrações direta e indireta de todos os níveis. O que importa é que as definições políticas para a sucessão municipal começam a clarear, mesmo que o ambiente político nacional esteja ainda muito conturbado.
É claro que as definições só valerão mesmo a partir de 5 de agosto, quando se encerram as convenções partidárias, que podem ter início no dia 20 de julho. Após disputar a preferência de possíveis candidatos, os partidos passam, agora, a se dedicar mesmo à pré-campanha, com conversas mais efetivas sobre as eleições. As pré-candidaturas já foram lançadas até para que os partidos possam sentir a densidade eleitoral do nome anunciado. Ações de filiações também foram aproveitadas para alcance de divulgação, com a presença de lideranças estaduais e federais.
Para o lançamento da pré-candidatura a prefeito do advogado e radialista Rodrigo Camargo, pelo PTB, o presidente da legenda no Estado, deputado estadual Campos Machado, esteve na cidade. Foi um dos lançamentos que contaram com a presença de lideranças políticas da cidade. Vários secretários municipais e até o presidente local do partido da prefeita Dárcy Vera, o PSD, Marco Antônio dos Santos, esteve presente e discursou, deixando no ar a possibilidade de coligação entre os dois partidos. Na semana passada, a secretária de Assistência Social, Maria Sodré, que é filiada ao PSD, deixou o cargo e passou a ser considerada uma possível candidata a vice-prefeita na chapa encabeçada por Rodrigo Camargo. Marco Antônio, no entanto, disse não ser esta a única possibilidade. “Ainda trabalhamos com uma terceira via”, garante.
Outra pré
-candidatura que passou a ser olhada com “mais firmeza” foi a do deputado federal Duarte Nogueira (PSDB-SP). O partido sempre afirmou que o parlamentar é o pré-candidato, mas ele próprio não falava a respeito por ser, até o último dia 2, secretário estadual de Logística e Transportes. Na segunda-feira, 4, ele reassumiu seu mandato como deputado e afirmou que voltou à Câmara Federal para votar a favor do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Também deixou claro que está à disposição do partido, como pré-candidato a prefeito nas eleições de outubro.
Prefeito e vice
Quem definiu pré-candidaturas de prefeito e vice-prefeito foi o PV. O presidente local e coordenador regional da legenda, André Rodini, é o pré-candidato a prefeito, que pode ter Edmur Manfrin como vice. “Fomos os primeiros a definir a chapa majoritária e temos 40 pré-candidatos a vereador, em vários bairros da cidade. Com pouco tempo de TV e recursos escassos, serão esses que levarão nossa proposta aos eleitores”, disse. O PV vinha compondo com outros partidos. A última eleição que disputou com candidato próprio foi a de 1988, quando Manoel Tavares foi candidato a prefeito. “Cansamos de apenas participar das mesmas campanhas, repetindo a eleição passada, com os mesmos vícios”, afirmou Rodini. Também o Solidariedade (SD) terá “chapa pura”, com prefeito e vice. O presidente lo
cal da legenda, Edmilson Domingues, disse que será ele o candidato a prefeito, com Joel Ludovico a vice. “Falamos com vários partidos e decidimos por candidatura própria”, disse Edmilson.
No PMDB de Ribeirão Preto, por exemplo, a principal conversa é a possibilidade de lançar a candidatura do deputado estadual, Léo Oliveira, a prefeito. “Antes, ele não aceitava a hipótese, agora já admite conversar, e a possibilidade é grande”, afirma o Paulo Saquy, presidente do diretório municipal do partido. Ele também admite ser o candidato, se necessário, mas precisaria, antes, “resolver questões pessoais”. O nome Paulo Saquy, que já foi vereador e secretário municipal de Governo, foi um dos primeiros a serem cogitados, mas ele próprio preferia apontar outras possibilidades. Agora admite uma chance. “Estamos conversando, ouvindo muito e esperamos definir a situação até o final de abril”, acrescenta.
Situação mantida
As demais pré-candidaturas ao palácio Rio Branco seguem sem muitas alterações, a não ser por uma proposta de coligação aqui, outra acolá. No PDT, o vereador Ricardo Silva é o nome a ser lançado, com o apoio de vários partidos. A garantia é do presidente da comissão provisória local e pai do vereador, deputado estadual Rafael Silva. O PT, segundo o presidente do diretório municipal, Jorge Parada, segue com as pré-candidaturas do jornalista Galeno Amorim, o mais cogitado, do sindicalista Fernando Tremura
e do advogado Ricardo Sobral. “É muito provável que haja disputa para saber quem será o candidato”, diz Parada. No PSB, o juiz aposentado João Gandini, que preside a comissão provisória local, continua a ser o cogitado para a disputa de outubro.
O PCdoB colocou em discussão a possibilidade de lançar o sindicalista Wagner Rodrigues para prefeito. Presidente do Sindicato dos Servidores Municipais, ele já se afastou do cargo ante a possibilidade de se candidatar. A Rede Sustentabilidade também cogita lançar candidatura própria. O vereador Marcos Papa, coordenador regional da legenda, diz ser esse o desejo da ex-senadora e ex-ministra Marina Silva, fundadora e líder da sigla, mas ainda não há um nome. O de Papa é um deles, que prefere ser candidato à reeleição, mas assegura que irá para a disputa majoritária, se for o caso.
O Psol discute dois nomes. O do secretário-geral do partido em Ribeirão Preto, Estevan Campos, e o do médico José Hermenegildo de Martin, que deixou o PDT, por onde foi candidato a vereador em 2012. “Ainda estamos discutindo, mas é certo que teremos candidatura própria”, apontou Estevan. O PSTU ainda não tem definição sobre candidatura própria ou não. “Mesmo que não tenhamos candidato majoritário, ocuparemos o espaço para fazer o debate”, frisou Mauro Ignácio, dirigente do partido que disputou a eleição passada.

Vereadores em novos partidos
Dos 22 vereadores que integram a Câmara Municipal, quase um terço — sete deles — disputa a reeleição por outros partidos. O primeiro a trocar de sigla foi Marcos Papa. Expulso do PV, ficou sem partido até a oficialização da Rede Sustentabilidade, onde se filiou ainda no ano passado. Durante a janela eleitoral, em fevereiro e março, trocaram de partido os vereadores Rodrigo Simões, que deixou o PP e foi para o PDT, Samuel Zanferdini, do PMDB para o PSD, e Viviane Alexandre, do PPS para o PSC. No último dia de filiações, trocaram de legenda Walter Gomes e Evaldo Mendonça, o Giló, que foram para o PTB após terem negada a legenda para a candidatura à reeleição no PR. André Luiz da Silva, também na última hora, deixou o PCdoB e foi para o PTN.
Foco no Jornalismo
A empresária Isabel de Farias, que passou a ter seu nome cogitado para a disputa, principalmente depois de atuar como secretária municipal da Infraestrutura e de Governo, está fora do quadro de possíveis candidatos, porque não se filiou a nenhum partido dentro do prazo estabelecido. “Minha decisão está tomada. Para conduzir uma boa gestão pública, é preciso atuar junto a um grupo que compartilhe ideias e projetos para o município, com diálogo e
interesse comum. Sem um grupo coeso, o resultado é o que presenciamos, não apenas em Ribeirão Preto, mas em todo o país”, disse.
Diretora da Revide, Isabel manterá sua atuação na iniciativa privada, sem se furtar a contribuir com a cidade. “Optei por me manter à frente da Revide e dar continuidade aos projetos realizados na empresa, também com foco no jornalismo diário e nas novas plataformas. Mesmo assim, quero contribuir com Ribeirão Preto de forma ainda mais participativa neste ano. Não defini como isso será feito, mas tenho refletido sobre os caminhos possíveis, seja como colaboradora do poder público ou apenas na iniciativa privada. Há inúmeras alternativas, é preciso organização e vontade”,finaliza.
Texto: Guto Silveira