Sucroenergia em crise

Sucroenergia em crise

O “Encontro dos municípios canavieiros na luta contra a crise do setor sucroenergético”, aconteceu no dia 20 de julho, em Sertãozinho

Impactados por uma crise que afeta diretamente o setor sucroenergético, produtores rurais, empresários, deputados, prefeitos e líderes sindicais e da cadeia produtiva cobram dos governos Estadual e Federal medidas que incentivem a retomada dos investimentos no segmento.

O “Encontro dos municípios canavieiros na luta contra a crise do setor sucroenergético”, realizado no dia 20 de julho, em Sertãozinho, resultou em documento com uma série de sugestões e reivindicações a serem encaminhadas ao governo paulista e também à presidente Dilma Rousseff.

Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), desde 2008, quando  começou a crise financeira mundial, 41 usinas de açúcar e álcool já deixaram de moer cana no Brasil. Somente em 2011 e 2012, 30 unidades foram paralisadas, sendo 16 no ano passado e 14 em junho desse ano. O presidente interino da Instituição, Antonio de Padua Rodrigues, observou que as empresas fechadas deixaram de moer 32 milhões de toneladas de cana, extinguindo 14 mil empregos diretos e 32 mil indiretos na área da indústria.

Para o prefeito de Sertãozinho, Nério Costa, a crise provoca queda na arrecadação e aumenta o uso das estruturas de assistência social e médica dos municípios canavieiros. O presidente da Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro Sul (Orplana), Ismael Perina Júnior, apontou, ainda, que cerca de 16% das usinas em operação possuem dívida superior a 100 toneladas da cana processada.

Adézio Marques, presidente do CEISE Br, convocou todos os líderes da cadeia produtiva a firmarem um pacto de aliança para alavancar o desenvolvimento do setor numa só voz. “Fortalecer a cadeia produtiva significa gerar emprego e distribuir renda”, exclamou Adézio.



Números da Crise

Capacidade 640 mi toneladas de cana
safra 2012/2013 555 mi toneladas de cana
41 usinas paradas desde 2008
Essas unidades correspondiam a uma moagem de 32 milhões de toneladas
45 mil empregos a menos
Unica estima extinção de 13 mil vagas diretas e mais 32 mil indiretas com a paralisação das 41 usinas
Perda de 20% na arrecadação de tributos em três anos nas cidades canavieiras de SP, segundo previsão da Amcesp

Propostas
Aumentar de 20% para 25% a mistura de etanol na gasolina, mesmo que tenha de importar Elevar em até R$ 0,20 a gasolina para dar margem de lucro ao etanol
Reduzir impostos

Principais reivindicações para o setor:
- marco regulatório para o setor de agroenergia, biocombustíveis e bioeletricidade com regras claras de curto, médio e principalmente longo prazo
- desoneração fiscal em projetos de novas usinas (greenfield) e de modernização e ampliação das usinas já existentes (brownfield)
- redução da tributação sobre o etanol a exemplo do que o governo federal tem feito com a gasolina e o diesel
- inserção da bioeletricidade na matriz energética nacional com leilões exclusivos para a energia elétrica produzida a partir da biomassa
- programa nacional de formação e requalificação profissional dos trabalhadores já que o ‘apagão’ de mão-de-obra no setor é iminente
- liberação de linhas de financiamento para o replantio e expansão de novas áreas canavieiras (No governo Dilma três grandes planos foram anunciados mas nenhum deles liberou recursos para os produtores)
- linhas de financiamento para a exportação de usinas ‘chave-na-mão’ bem como de máquinas, equipamentos, insumos, bens de capital, serviços e tecnologia
- participação do BNDES, através do BNDESPar no capital social das indústrias de bens de capital focadas no setor sucroenergético

Detalhe: Segundo previsões da ÚNICA para atender a demanda crescente de etanol apenas para o mercado interno e de exportações de açúcar até 2020, será preciso, até 2020, dobrar a moagem das atuais 600 milhões de toneladas de cana para 1,2 bilhão. Para tanto, estima-se que R$ 110 bilhões devam ser investidos no setor industrial (construção novas usinas, ampliação e modernização das já existentes) e R$ 46 bilhões no setor agrícola (cana), totalizando investimentos na ordem de R$ 156 bi.

Perda de oportunidades

Com o título "Miopia na cana: uma perda de oportunidade à sociedade brasileira como nunca antes vista na história deste país", o professor dr. Marcos Fava Neves, da FEA-RP/USP e diretor do Centro de Pesquisa e Projetos em Marketing e Estratégia (Markestrat), mostrou, durante o encontro, que o governo federal confunde o que é oferta e o que é demanda.

Dados da Markestrat apontam que o Brasil exportará cerca de 100 bilhões em agronegócios. "O uso político da Petrobrás diminui a rentabilidade do setor de cana, que afugenta os investimentos, inclusive os da própria Petrobrás, contribuindo para a grave crise que está instalada. Como pode o mercado estar encolhendo se são vendidos quase 3 milhões de novos carros flex por ano? Não é o tamanho do mercado que está encolhendo, é a produção", comentou Marcos Fava Neves.

O presidente do Ceise Br, Adézio Marques reforçou que o setor é composto por 450 usinas, 4.000 indústrias, 80.000 fornecedores de cana e acima de tudo 2.5 milhões de empregos diretos. "O setor não é só usineiro. A situação da indústria é preocupante, com cerca de 70% de ociosidade em sua capacidade produtiva. Falta investimentos para a indústria, falta medidas mais efetivas para nossas indústrias voltarem a crescer", afirmou Adézio Marques.

Também discursaram o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins, Artur Bueno de Camargo; o presidente da Força Sindical de São Paulo, Danilo Pereira da Silva; o diretor da PC&Baldan, Plínio César e o secretário adjunto do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de São Paulo, Aparecido de Jesus Bruzarosco, bem como o deputado federal Vicente Paula da Silva; o deputado federal Duarte Nogueira e o deputado estadual Antonio Mentor e o deputado estadual Welson Gasparini (PSDB).

Textos: Rose Rubini
Colaboração: Renata Costa

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