Teatro para todos

Teatro para todos

O Grupo Experimental Ophélia Camassutti tem como objetivo levar arte para quem não tem acesso

Teatro não é apenas para a alta sociedade. Já há alguns anos, se expandiu a criação e atuação de grupos de teatro em bairros da periferia, grupos que muitas vezes montam seus espetáculos na rua para que todo mundo possa ter acesso a arte. Além disso, alguns desses grupos teatrais conseguiram seu espaço, onde levam arte e entretenimento para essa população e participam ativamente na formação de público e de profissionais, propondo oficinas das mais variadas.



Com isso, eles criam um espaço que, além de levar o lúdico para diversos locais como escolas, hospitais e asilos, também despertam a noção de cidadania e mostram que existe uma realidade bem diferente da que eles presenciam no dia a dia.

Para ilustrar esse assunto, o portal da Revide conversou com a atriz, pedagoga, coreógrafa Joyce Ophélia Camassutti, que esta a frente do Grupo Experimental Ophélia Camassutti, uma das companhias de teatro ribeirãopretanas que tem como função levar arte a quem não tem acesso a ela.

- Quando surgiu o Grupo Experimental Ophélia Camassutti?
Joyce: O Grupo Experimental Ophélia Camassutti teve início em 2007 quando eu ingressei em um projeto social que era desenvolvido pela prefeitura.

- Conte um pouco sobre a história do grupo:
Joyce: No projeto social apresentávamos as peças para escolas, inicialmente espetáculos infantis. Quando em 2009 o projeto chegou ao fim, devido ao trabalho que fazíamos que já era de conscientização de questões cotidianas, decidimos continuar como grupo independente e então nasceu o Espaço Ophélia Camassutti, que desde 2010 funciona como escola de preparação artística em dança, música e teatro. Junto à escola, desenvolvemos o Grupo Experimental Ophélia Camassutti, que realiza os projetos “Teatro para todos” onde realizamos apresentações  de espetáculos com temas como bullying, preconceito, violência doméstica, entre outros, em escolas, hospitais e associações. 

- Cerca de quantas pessoas estão no grupo?
Joyce: Atualmente o grupo tem oito integrantes e dois estagiários (integrantes com idade menor que 14 anos).

- Como foi para vocês trabalhar com um tema tão delicado como o mal de Alzheimer?
Joyce: A criação do espetáculo sobre o Alzheimer partiu da minha necessidade pessoal de estudar sobre o tema e auxiliar famílias que, assim como a minha, apresentaram dificuldade de acessar informações sobre os cuidados e reações de um portador de Alzheimer. Minha avó materna é portadora da doença há 14 anos e no início foi muito difícil para a minha família aceitar suas condições.

- Por que retratar este assunto nos palcos?
Joyce: Em 2012, o grupo recebeu um convite para se apresentar em um hospital psiquiátrico, em Santa Rita do Passa Quatro, e vi ali a oportunidade de tirar o espetáculo do papel. Ao final dessa apresentação muitas pessoas nos procuraram para falar sobre o tema e involuntariamente criou-se um debate. A partir deste dia, vimos à possibilidade de ampliar essa proposta e incluir o debate no nosso espetáculo. Quando pesquisava para escrever o texto conheci a Sra. Maria Júlia Biondi e sua obra, que nos forneceu muitas informações técnicas e relatos pessoais de convivência com a doença. Antes da estreia oficial do espetáculo, em 27 de fevereiro, fiz o convite para que ela viesse a Ribeirão para participar do debate e ajudar outras famílias como ajudou a minha.

- Vocês pretendem encenar outras peças sobre assuntos com temas delicados, porém presentes no cotidiano de muitas famílias?
Joyce: Não foi fácil para os atores envolvidos no espetáculo trabalhar com um tema tão delicado porque envolve dramas pessoais que qualquer ser humano está suscetível a passar. “Como se fosse ontem” é um espetáculo da vida real e nos levou a reflexão sobre a realidade dos idosos em nosso país especialmente. Por diversas vezes tivemos que interromper ensaios para conversarmos sobre os personagens e os porquês, ou ainda para relaxarmos por estarmos abalados.

- Na sua opinião o teatro retrata de forma diferente assuntos importantes como o mal de Alzheimer auxiliando no entendimento do público em geral?
Joyce: Eu acredito muito na arte como objeto de formação humana. É uma das poucas formas de conscientização em um mundo onde a internet nos oferece informações a cada segundo, onde vivemos de imagens e às vezes não temos tempo de assimilar e refletir. O teatro desperta emoções que muitas vezes nem sabemos que possuímos. E quem faz, quem atua , tem a possibilidade de se colocar no lugar do outro, principalmente em espetáculos como este sobre o Alzheimer.

- Você acredita que atualmente os grupos teatrais têm mais oportunidades em Ribeirão Preto?
Joyce: Eu acredito sim que os grupos de Ribeirão têm mais oportunidade que antigamente. As administrações dos teatros estão mais abertas e acessíveis. A grande dificuldade ainda é a formação de público e a falta de investimento na nossa área. Infelizmente ainda há um grande número de pessoas que comparecem ao teatro para assistirem a “atores famosos” e muitas vezes acabam perdendo trabalhos de qualidade de grupos locais. Ribeirão tem artistas de muita qualidade que superam muitos das grandes capitais. Eu trabalho em três companhias no Rio de Janeiro e já exportei artistas para lá por esse motivo. Precisamos valorizar o que temos aqui.

- Qual a maior dificuldade em se fazer teatro atualmente?
Joyce: A maior dificuldade é a falta de investimento. A produção de espetáculo por mais simples que seja, tem um alto custo. Muitas vezes quem paga por isso, infelizmente, é o público nas bilheterias. Acredito que muita coisa tem sido feita para mudar isso, mas ainda está longe de ser o ideal.

- Quais os próximos projetos do Grupo Experimental Ophélia Camassutti de Teatro?
Joyce: Nós temos muitos projetos. Estamos iniciando a produção de um musical de Natal com o objetivo de arrecadar brinquedos, roupas, sapatos, para doar as crianças e idosos de Ribeirão. Estamos buscando parceiros, empresários, fundações para que possamos ampliar nosso projeto e leva-lo para os municípios vizinhos. Também continuamos com o projeto “Teatro para todos” em escolas, hospitais, onde nos convidarem. Na cidade ou aos arredores.

- Aonde o público pode conhecer o trabalho de vocês?
Joyce: O público pode nos encontrar nos dias 4 e 5 de abril no Teatro Municipal, faremos duas sessões para escolas e uma aberta ao público. Também podem acessar o nosso blog grupoexperimentalopheliacamassutti.blogspot.com ou conhecer o nosso espaço na Avenida do Café, 789 - telefones- 4141-2085 ou 8187-4250 .

Revide On-line
Texto: Pâmela Silva
Fotos: Grupo Experimental Ophélia Camassutti

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