Temporal causa devastação

Temporal causa devastação

De acordo com informações da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), os ventos fortes causaram a interrupção no fornecimento de energia de 112 mil imóveis

Dezenas de árvores centenárias caídas, carros atingidos, motoristas feridos e queda de energia em mais de  40% das residências foram os resultados de um temporal com rajadas de vento de 90 km/h, que atingiu Ribeirão Preto no fim da tarde desta terça-feira, dia 19 de fevereiro.

Um dos pontos mais atingidos foi a praça Salvador Spadoni, localizada entre as avenidas Nove Julho, Independência e Presidente Vargas. Três árvores com mais de 10 metros de altura cairam no local. Na Av. Independência, três carros foram atingidos e quatro pessoas precisaram da ajuda dos Bombeiros para sair dos veículos.  

Depoimentos
Marcos Roberto Ribeiro da Silva, que estava no local no momento da queda das árvores, por volta das 18h35min, ainda está em choque com o que viu. "Depois que a primeira árvore caiu pensei, 'se a árvore da frente cair vai pegar esse ponto', acabei de pensar e ela caiu, ficou há uns cinco metros. Entrei em choque e não consegui me mover. Havia cerca de oito pessoas no ponto e todos correram. Ficaram gritando para eu sair dali. Estava caindo a terceira árvore quando consegui me dar conta dos gritos e sair correndo. Foi assustador, um carro ficou completamente esmagado por uma das árvores, o pior foi ouvir os gritos das pessoas pedindo socorro e não conseguir ajudar. Eu e outro rapaz tentamos ir até lá, mas haviam muitas faíscas e um terceiro nos alertou para não insistir. A polícia chegou em cinco minutos. Sai por volta das 18h50 e ouvi o resgate chegando. Cheguei no trabalho chorando, não consegui dormir e nem comer, só fico me lembrando dos gritos e pensando que não consegui ajudar", conta Silva.

Thiago Sampaio dos Santos também assistiu tudo. Primeiro ouviu o barulho dos galhos das árvores encostando nos fios de alta tensão e, em seguida, viu uma árvore caindo em cima de um carro. Depois caíram outras duas. Para ele, o acidente poderia ter sido evitado se as autoridades tivessem atendido os alertas feitos nos últimos sete anos. "Elas caíram porque estavam condenadas. O vento foi forte sim, mas árvores com mais de 10 metros de altura como aquelas deveriam ter pelo menos cinco metros de raiz e não tinham. Várias vezes cairam galhos secos na praça e pedimos para os bombeiros virem, mas nada aconteceu. Que eu me lembre, nos últimos sete anos foram duas ou três vezes que pedimos ajuda. Ainda bem que nada grave aconteceu", enfatiza.

O Corpo de Bombeiros informou que atua apenas nos casos de perigo de queda iminente de árvores, pois o corte de árvore sadia constitui crime ambiental, e que sempre envia uma equipe, diante das solicitações,  para avaliar se é caso de perigo de queda iminente, caso não seja, o solicitante deve contatar a Prefeitura Municipal que possui quadro técnico para avaliar e autorizar o corte de árvore que não se encontra em perigo de queda imininte. Neste caso o Corpo de Bombeiros não atua, pois não se trata de caso que constitua emergência, e o solicitante deve contratar serviço particular de poda ou de extração de árvore.

Eustácio dos Santos Filho, pai de Thiago, trabalha na banca da praça há quase 20 anos. Aliviado pelos estragos não serem maiores ou terem feito vítimas, o empresário lamenta a falta de manutenção das árvores. "Infelizmente acabou com a sombra da praça. As pessoas ficavam sentadas na hora do almoço e no final da tarde, aguardando o ônibus, e até prá gente era bom, pois elas faziam sombra na banca. Acho importante ter árvores na cidade, desde que sejam próprias para o local onde estão. Essas vimos que a raiz não era profunda, elas devem ter sido plantadas há cerca de 100 anos, e naquela época não havia essa preocupação, pois aqui devia ser só mato, mas hoje é preciso cuidado com a manutenção na área urbana porque mesmo um galho grande seco que cair pode matar uma pessoa", afirma.

Balanço
Na manhã desta quarta-feira, dia 20, o local mais parecia um cenário de guerra, com muitos galhos nas ruas e trânsito impedido. Um longo congestionamento se formou na avenida Independência durante a manhã. Segundo o Corpo de Bombeiros de Ribeirão Preto, após a forte chuva da tarde de ontem, mais de cinquenta solicitações de apoio a quedas de árvores foram feitas, sem o registro de vítimas, e houveram vias de grande fluxo de veículos interditadas.

Em nota oficial, a CPFL informou que às 23h do dia 19, 25 mil residências estavam sem energia. Em toda a cidade a ventania causou queda de energia em pelo menos 112 mil unidades consumidoras, o que corresponde a mais de 40% de Ribeirão Preto. A falta de energia também adiou para o dia seguinte (20/02) o jogo entre Comercial e São Carlos no Estádio Palma Travassos.

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Fotos: Julio Sian e Ibraim Leão

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