Tempos difíceis também em 2015
III Seminário da Indústria discutiu problemas econômicos na última quinta-feira, em Sertãozinho
Para comemorar o “Dia da Indústria”, que aconteceu no dia 25 de maio, o Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise Br) e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) realizaram na noite de quinta-feira, 29, o III Seminário da Indústria, com a palestra “Economia Brasileira – como voltar a crescer”, ministrada pelo consultor sênior e ex-vice-presidente do Banco Mundial, Otaviano Canuto, em Sertãozinho (SP).
O evento contou com as presenças do secretário da Indústria e Comércio do município, Carlos Roberto Liboni, e do diretor titular do Ciesp Sertãozinho e vice-presidente do Ceise Br, Adézio Marques. Em seus discursos, ambos ressaltaram a importância da indústria para o desenvolvimento local.
O presidente do Ceise Br, Antonio Eduardo Tonielo Filho, pontuou algumas das ações que a entidade vem articulando junto aos governos estadual e federal, no intuito de captar alternativas para a retomada da indústria de base e serviços do setor sucroenergético. “Estamos lutando por um fundo garantidor, pra que as empresas possam voltar a investir em tecnologias, inovações, e assim atender às demandas”, disse.
Ele ainda destacou a coerência do tema da palestra, principalmente pelo momento delicado que a indústria vem passando há alguns anos. “O Canuto entende muito do assunto e com certeza vai levantar o ânimo dos empresários que estão passando por dificuldades”, acrescentou.
Em sua apresentação, Otaviano Canuto foi enfático ao dizer que 2015 ainda será um ano difícil. “Entreos principais problemas estão a ressaca energética de 2014, a correção dos preços administrados, como o da gasolina, e, consequentemente, inflação”, mencionou. “Somente para 2016, temos bons augúrios”, expôs.
Segundo Canuto, a palavra chave para o desenvolvimento do Brasil é produtividade. “Ações como investimento em educação e reforma tributária ajudam, mas não resolvem. O país precisa de, pelo menos, três importantes horizontes para aumentar a produtividade do trabalhador. A primeira linha seria investir em infraestrura, podendo ser trabalhada através de uma parceria público-privada (PPP). A segunda se refere à qualidade do ambiente de negócios interno, mesmo porque a carga tributária é elevadíssima e isso reflete na competitividade”, pontou.
Quanto ao setor sucroenergético, Canuto disse que a crise não é sustentada apenas pelos efeitos colaterais da defasagem do preço da gasolina frente ao mercado externo. “Ninguém tem culpa pelos fatores climáticos que afetaram a produção, mas, o produtor de cana também errou quando pensou só em reduzir custos e não investiu nos canaviais, o que fez cair a produtividade”, disse.
De acordo com ele, porém, há aspectos positivos previstos para a cadeia produtiva da cana-de-açúcar. “O governo está vendo perspectivas para a bioeletricidade, para a produção de energia a partir da biomassa, além da disponibilidade em criar condições de planejamento, sem criar novos riscos. De um modo geral, a dificuldade do governo de transitar do antigo para o novo padrão de crescimento já se esgotou”, concluiu.
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Foto: Renato Lopes/Divulgação