Ter carro custa caro

Ter carro custa caro

A pedido da Revide On-line, professor da FEA fez o cálculo do custo de se ter um carro

Numa cidade do porte de Ribeirão Preto, onde o transporte coletivo não tem a qualidade necessária para atrair os cidadãos, a alternativa mais cômoda é ter um carro na garagem. Mas o conforto, a rapidez e a praticidade de possuir seu próprio veículo tem seu preço e, segundo o economista Alexandre Nicolella, ele é alto.


A pedido da Revide On-line, o professor da Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade de USP de Ribeirão Preto fez o cálculo do custo de se ter um carro na garagem. Quem tem um carro popular de valor médio de R$ 30 mil e roda, em média, 15 km por dia na cidade, gasta com combustível, seguro, IPVA e manutenção quase R$ 10 mil anuais.

O professor incluiu ainda a depreciação do veículo — valor que o carro perde com o passar do tempo — e o custo de oportunidade, representado pelo que o proprietário deixou de ganhar por não destinar o valor gasto no carro a um investimento, por exemplo.

Os carros médios, que têm mais itens de conforto e são mais luxuosos, cobram mais de seu dono. Com a manutenção, seguro e IPVA mais caros, o valor para quem roda os mesmos 15 km diários salta para cerca de R$ 17 mil anuais. Segundo o economista, a diferença de custos de manutenção deveria pesar mais na hora da compra do carro novo. “O carro médio cobra muito mais caro do que um popular para fazer exatamente a mesma coisa, que é levar o ocupante a algum lugar”, conclui.

Uma alternativa viável para quem quer economizar e não se importa em abdicar do carro próprio, mas não quer andar de ônibus, é usar táxi. O economista comparou as despesas de se ter um carro e usar o táxi e dependendo do uso, o carro de praça sai mais em conta. Quem tem um carro médio, por exemplo, e roda cerca de 15 km diários, pagaria cerca de R$ 13 mil anuais, uma economia de R$ 4 mil por ano. O táxi é vantajoso, neste caso, para quem roda até 600 km por mês, acima desta quilometragem, ter um carro na garagem passa a ser mais barato.

Tendo ou não vantagens econômicas, há quem prefira usar o táxi por gosto ou necessidade. O taxista Jurandir Francisco de Oliveira tem vários clientes que preferem o taxi ao carro. Segundo o taxista, cerca de 20 clientes usam seu táxi mais de duas vezes por semana, a maioria é de mulheres e os idosos são mais assíduos. A aposentada Wilma Baldini Pavan há cinco anos usa o carro de Jurandir e estabeleceu uma relação de confiança. Wilma inclusive confia ao taxista a tarefa de buscar os netos na escola quando eles vão para sua casa.  “Minhas amigas dizem que eu que sou feliz, pois não pago IPVA e me livro do transito”, conta a aposentada.

O carro da casa da representante de telemarketing Roberta Azevedo fica com o marido que usa para viagens de trabalho o que faz a representante comercial usar sempre táxi. Tanto para compromissos de trabalho, quanto para buscar a filha nas baladas do final de semana. “Acontece de meu marido estar em casa e, mesmo assim, já deixarmos combinado com o Jurandir para buscá-la”, conta. “Eu acho que pelo uso constante do carro e pelo preço do combustível o preço do táxi é justo”, conta Roberta que não vê necessidade de ter um segundo veículo em casa. “Ficaria muito caro e não vejo necessidade”, analisa.

O economista Alexandre Nicolella recomenda que cada um avalie o quanto vai usar o carro antes de adquirir um, por que o custo não se resume à parcela do financiamento e à gasolina. “A questão é quanto você usa, se você usa bastante, compensa comprar um carro, porém, mesmo parado o veículo tem um custo fixo”, conclui.



Revide On-line
Texto: Brunno Vogah (Colaborador)
Fotos: Júlio Sian
Arte: Andrea Talarico

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