Tintos para aquecer
Entre as estações do ano, os enófilos concordam que o inverno é a que mais inspira a um bom vinho
Quando a temperatura cai, o vinho sobe na preferência dos consumidores, passando a fazer parte com mais frequência de reuniões familiares, happy hours, encontros amorosos ou até mesmo de momentos de solidão. Segundo a coordenadora da Grand Cru, Tatiana Arruda, isso acontece porque as temperaturas mais baixas abrem espaço para vinhos mais robustos, que tem lugar garantido junto pratos mais gordurosos, que também se tornam mais comuns no inverno. “Fondues, sopas, risotos, massas e carnes ajudam a aquecer o cardápio e caem muito bem com um bom vinho. Isso, sem falar das sobremesas”, pontua.

Assim como dias mais frios pedem pratos mais quentes, combinam com vinhos mais encorpados. “Da mesma maneira que ficamos mais propensos a receitas mais ‘pesadas’, nosso paladar pede vinhos mais robustos no frio. Isso significa maior teor alcóolico, mais estrutura, muitos taninos potentes e opulentos, características facilmente encontradas em diversos vinhos tintos”, explica Tatiana.
Contudo, não basta ser tinto: o vinho precisa ser mais calórico e apresentar uma sensação de calor na boca. Com isso, a tendência é escolher rótulos mais complexos e apreciar sem culpa. A temperatura ideal para servir é entre 16º e 18º. Geralmente, no inverno, os vinhos são oferecidos em temperatura ambiente, sem prévia refrigeração. Já em dias mais quentes, a sugestão é colocar a garrafa cerca de 30 minutos na porta da geladeira antes de ir à mesa.
Tatiana ressalta que muitos pratos de inverno ficam ótimos se acompanhados de vinhos brancos mais encorpados, que, em alguns casos, tiveram estágio ou até mesmo fermentação em madeira, o que confere mais untuosidade e estrutura. “Além dos vinhos brancos, podemos incluir vinhos doces e fortificados como queridinhos do inverno. Um bom exemplo é o vinho do Porto. Este tipo de bebida é ideal para acompanhar petiscos, entradas e sobremesas”, conclui.
Três motivos para degustar vinho no inverno
1º Aquece o corpo
2º Harmoniza com comidas típicas do inverno
3º Traz benefícios para saúde
Um brinde às baixas temperaturas

José Zuccardi
O vinho estagia em foudres de carvalho e é engarrafado sem filtrar, mostrando frutas vermelhas e negras que ganham toques picantes e minerais no nariz.
País: Argentina.
Graduação alcoólica: 14,5.
Combina com: presunto cru, risoto ao funghi ou costela no bafo.
Allegrini Amarone?
Um dos vinhos mais icônicos da região do norte da Itália, tem paladar denso, taninos acentuados e álcool elevado, com longo potencial de guarda pela frente.
País: Itália.
Graduação alcoólica: 15,75.
Combina com: carnes assadas, de caça e queijos maturados.
Pulenta Estate III?
Este Cabernet Sauvignon apresenta notas de frutas vermelhas maduras, como morangos, cerejas e amoras, além de uma singela nota de pimentão assado.
País: Argentina.
Graduação alcoólica: 15.
Combina com: carne vermelha, cordeiro e caça.
Quinta do Mouro?
Feito a partir de um corte típico dos vinhos alantejanos, com uma pitada de Cabernet Sauvignon, envelhecido por 14 meses em barril de carvalho francês e português.
País: Portugal.
Graduação alcoólica: 14
Combina com: carré de cordeiro, queijos duros maturados ou cozidos à portuguesa.