Todos contra a dengue
Leguminosa atrai libélula que se alimenta do mosquito
A Escola Dimensão (berçário e educação infantil) criou um projeto ambiental visando eliminar o mosquito transmissor da dengue. Denominado “Dengue que nada é o fim da picada”, o projeto elaborado pela diretora Ivone Pereira de Castro Evangelista, consiste no plantio e distribuição de sementes da Crotalária Juncea, uma planta que ajuda no combate ao mosquito da dengue, pois atrai a libélola, que se alimenta das larvas e do próprio Aedes aegypti.
Em parceria com a vigilância sanitária de Orlândia, o projeto conseguiu 20 mil sementes que já foram plantadas no terreno da escola e distribuidas à população. “A ideia do plantio da Crotalária surgiu devido ao grande surto de dengue que tívemos. E depois de muita pesquisa, descobri que através da cadeia alimentar, poderíamos eliminar o Aedys aegypt. Levei algumas sementes pra minha casa, e fiquei muito emocionada quando vi quatro libélulas voando próximas das flores da Clotalária. Realmente funciona”, conta a diretora.
A Crotalária Juncea é uma espécie originária da Índia, que se adapta facilmente às regiões tropicais. É muito eficiente na cobertura de solo, sendo considerada a campeã na produção de biomassa vegetal. E por ser uma planta pouco exigente em água, seu florescimento ocorre mais cedo.
O projeto começou no final do ano passado com o aprendizado das crianças e dos pais. Foram realizadas peças teatrais, musicais e panfletagem pela Vila Tibério. “Sempre estive envolvida em projetos que beneficiassem o bairro. No ano passado realizamos um mutirão que recolheu cerca de 10 mil toneladas de entulhos. Tentei realizar um plantio de árvores, mas encontrei muita resistência no bairro. A Vila Tibério, afinal, é formada por pessoas de mais idade e elas são conservadoras, o medo delas é que o plantio das árvores pudesse quebrar a calçada. Mas com a Clotalária não. Ela é pequena e dá umas flores bonitas”, explica a diretora.
Para estimular o aprendizado das crianças, foi elaborada uma maneira de trabalhar todos os sentidos motores e cognitivos dos alunos através do manuseio da terra e da semente. “Primeiro mostramos à elas como lidar com a terra através do pó de café. Explicamos como deveria ser feito para que as sementinhas germinassem e acompanhamos o crescimento de cada uma delas, fazendo pinturas, desenhos, colagens e danças sobre o assunto. São atitudes simples, mas muito importantes. Não só para o bairro, mas para toda a cidade. Até o pessoal da Câmara de Vereadores veio procurar por sementes. Fiquei muito feliz com a proporção que o projeto tomou”, ressalta.
Para conseguir as sementes a diretora entrou em contato com a vigilância sanitária de Orlândia, que realizou um projeto de plantio, armazenamento e distribuição de sementes da Crotalária Juncea. “Eles conseguiram reduzir bastante o número de casos de dengue em Orlândia”, conta.
Em 2010, quando as mudas da Clotalária juncea foram plantadas às margens dos córregos da cidade, Orlândia havia registrado 467 casos de dengue. No ano seguinte, esse número baixou para 186 casos. E em 2012, dois anos após o plantio, Orlândia registrou, até agora, seis casos da doença. Sendo que, segundo o diretor da vigilância sanitária e epidemiológica, são casos “importados” de outros Estados.
Assim como a diretora Ivone, a equipe da vigilância sanitária de Orlândia conheceu a leguminosa através de pesquisas na internet. “Descobrimos que Taquaritinga estava realizando o plantio da Clotalária, e que estava dando certo. Então decidimos comprar as sementes e também iniciar essa mobilização contra a dengue”, explica Antônio Darci Maldonado, diretor da vigilância sanitária e epidemiológica de Orlândia.
O diretor conta que as sementes foram compradas em Ribeirão Preto e que foram distribuídas 60 sementes para cada imóvel da cidade. “Hoje, o número de libélulas que podem ser vistas sobrevoando a cidade aumentou consideravelmente. E os casos de dengue vem caindo até então”, finaliza.
Casos de dengue em RP
Ribeirão Preto registrou 119 casos de dengue, de janeiro a abril desse ano, contra 14.540 referente ao mesmo período do ano passado. A região Sul de Ribeirão Preto, segundo dados da Divisão Epidemiológica da Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão, é a que concentra o maior número de casos, foram 39 até agora. A região Norte somou 26 casos, a região Leste 24, a região Oeste 17 e a Central 13 casos de dengue.
Cuidado no manejo
O biólogo Gabriel Clemente afirma que a clotalária se adapta bem ao nosso clima e já está disseminada no país. Mas Gabriel aconselha a utilizar também outras plantas para auxiliar no combate ao mosquito da dengue. “Temos a citronela e a árvore de Nim, que também ajudam a repelir o mosquito”, comenta.Para o projeto amplo, envolvendo toda a população, o biólogo recomenda a criação de uma ‘horta comunitária’, com vegetação diversificada.
A Escola Dimensão ainda está distribuindo sementes para a população. Para quem estiver interessado, basta comperecer a rua Bartolomeu de Gusmão, 543, na Vila Tibério ou ligar: 16 3441 8868
Revide On-line
Texto: Bruno Silva
Fotos: Divulgação