Todos olímpicos
Desde 5 de agosto, as Olimpíadas do Rio mobilizam os amantes do esporte pelo mundo todo; entre os torcedores brasileiros, muitos ribeirãopretanos acumulam na bagagem várias histórias para contar
A cada quatro anos, o mundo dos esportes entra em festa. Essa é a periodicidade dos Jogos Olímpicos, uma herança grega de origem ainda discutida, mas que, entre suas finalidades, rendia homenagens aos deuses do Olimpo. Na era moderna, pode-se dizer que a maior competição esportiva do globo objetiva promover a união dos povos através do esporte — representada pelos anéis que a simbolizam — e destacar o poder transformador que permeia as mais diversas modalidades esportivas. De uma forma ou de outra, os Jogos Olímpicos ajudam a revelar histórias de vida extraordinárias, nos mais variados sentidos.
A competição costuma despertar o espírito nacionalista, fazendo um país inteiro vibrar a cada vitória ou medalha, seja pelos canais de transmissão ou ao vivo. Nas arquibancadas, a vibração parece ganhar potência máxima, invadindo as pessoas com a adrenalina liberada pela própria prática esportiva. A sensação é ainda mais intensa quando as disputas acontecem em casa, como é o caso brasileiro em 2016.
Os Jogos Olímpicos Rio 2016 estão na reta final e serão encerrados no dia 21 de agosto. Até aqui, é possível afirmar que esta edição tem sido surpreendente, a começar pela cerimônia de abertura, que emocionou o público presente no Maracanã e os expectadores no restante do país. Na imprensa internacional, a repercussão também foi extremamente positiva. Sob a direção geral de Abel Gomes, a abertura envolveu nomes como Daniella Thomas, Andrucha Waddington, Fernando Meirelles e Deborah Colker. Cinco mil voluntários estiveram envolvidos na cerimônia. Gisele Bündchen, Daniel Jobim, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Marcelo D2, Ludmilla, Jorge Ben Jor, Caetano Velloso, Anitta e Gilberto Gil são algumas das estrelas brasileiras que deram mais brilho ao evento.
Desde então, muitos aspectos vêm chamando a atenção do mundo inteiro. Vale destacar a torcida brasileira, elogiada e criticada em proporções semelhantes. Se, por um lado, a audiência brasileira quebra protocolos, exagera na vaia e nos gritos de apoio, por outro, a alegria e a emoção que transbordam das arquibancadas são de causar inveja às delegações adversárias. Além da herança cultural latino-americana, as dimensões continentais brasileiras, que dificultam o reconhecimento dos quatro cantos da nação em um único quadro, talvez estejam relacionadas ao modo inflamado de torcer.
De fato, os sotaques, não só de outros idiomas, mas das várias regiões brasileiras, encontraram-se nas últimas semanas no Rio de Janeiro. Ribeirão Preto está representada na capital carioca por muita gente que compartilha a paixão pelo esporte. Entre os conterrâneos que fizeram questão de acompanhar ao vivo algumas provas da competição estão os ex-ciclistas profissionais Camila Pinheiro e Danilo Terra. “Desde que o Brasil foi escolhido como país-sede, estávamos decididos a conferir o evento de perto”, destaca Camila, que é bicampeã brasileira na modalidade Contra Relógio. A empresária, que competiu por seis anos, ingressou na modalidade graças ao incentivo do marido, que é educador físico, já foi técnico das equipes de Ribeirão Preto, de São Bernardo do Campo e de São Caetano do Sul e, hoje, é coordenador da Ciclofaixa de Lazer ribeirãopretana.
O ciclismo, no entanto, não será o único esporte que o casal irá acompanhar. De 11 a 21 de agosto, Camila e Danilo também têm ingressos garantidos para o vôlei e o basquete masculino e para o atletismo. Entre as provas mais aguardadas está o revezamento 4x 100m no atletismo, em que eles poderão ver de perto o desempenho do principal atleta jamaicano, Usain Bolt, que já conquistou o ouro nos 100m rasos, entrando para a história da sua modalidade por ter sido o homem mais rápido em três edições olímpicas sequenciais, feito inédito.
A conquista aconteceu na pista do Engenhão, na noite de 14 de agosto. Nas arquibancadas estava outro casal de ribeirãopretanos. O engenheiro civil José Luiz Camarero Neto e a jornalista Livia Borges dos Santos. “Bolt realmente tem
uma estrela diferente, quando ele entra em cena, o clima do estádio muda”, relata Lívia. Além do atletismo, os dois também tiveram ou terão presença confirmada em disputas de handebol, natação, esgrima e ciclismo. Dos telões, pretendem acompanhar cada segundo das provas de triatlo e maratona aquática. Esportistas desde a infância, Neto e Lívia já passaram por várias modalidades, incluindo o triatlo. A esposa, no entanto, retornou para a corrida de rua depois do nascimento dos filhos.
Em relação à organização dos Jogos Olímpicos, o casal teve boas experiências desde que chegou. “A lição de casa foi feita e temos à nossa disposição um bom sistema de transporte. Há mapas acessíveis e muitas pessoas para prestar informação. No entanto, a alimentação dentro dos locais de prova poderia ter sido melhor planejada”, opina o engenheiro. Apesar da falta de locais de sombra no Parque Olímpico, a beleza das arenas e a boa vontade dos voluntários compensaram.
A experiência também foi positiva para os amigos Eduardo Sangali e João Fernando Gazignato. Os dois são educadores físicos e ex-ginastas. Estiveram no Rio para acompanhar o desempenho dos brasileiros da ginástica artística. A dupla acompanhou de perto, por exemplo, a dobradinha brasileira no solo masculino, em que Diego Hipólito e Arthur Nory conquistaram, respectivamente, as medalhas de prata e bronze. Na final da argola, Eduardo e João testemunharam a conquista de mais uma medalha de prata, com Arthur Zanetti. “Nossa expectativa era pelo ouro, claro, mas, no geral, o desempenho da ginástica, especialmente a masculina, merece ser muito comemorada”, opinam.
De acordo com os educadores físicos, é preciso aproveitar a experiência olímpica em solo nacional para dar mais importância aos investimentos que o esporte necessita. “É possível aproveitar mais e melhor as potencialidades do esporte no Brasil, independentemente da modalidade”, completa Eduardo. Para ele, a visibilidade que o país ganhou com a realização dessa edição dos Jogos Olímpicos foi positiva, também, pelo nível de organização que conseguiu garantir aos visitantes, apesar do momento histórico conturbado.
Experiência enriquecedora
A edição carioca das Olimpíadas envolveu um enorme contingente de voluntários. Foram mais de 45 mil pessoas, desempenhando variadas funções. O fisioterapeuta Gustavo Meliski faz parte dessa turma. O ribeirãopretano, que tem uma relação antiga com o esporte — foi atleta de natação entre 2003 e 2010, período em que disputou provas importantes, como a seletiva olímpica de 2008 — soube da possibilidade de se tornar voluntário durante um Congresso da especialidade. “A seleção começou em 2014 e, de lá para cá, foram sete etapas de avaliação. Cheguei ao Rio no final de julho e atuei como fisioterapeuta na Policlínica, localizada na Vila Olímpica, e no Parque dos Atletas, onde acontecem os treinamentos”, conta Gustavo.
Desde o início, a beleza do Parque Olímpico o impressionou tanto quanto o número de pessoas envolvidas no evento e o nível de segurança que encontrou em todos os lugares. “Mais ainda, a energia que os atletas recebem da arquibancada contagia, fica impossível descrever. Nunca imaginei viver algo desse tipo e, certamente, vou carregar essa experiência para sempre na minha memória”, garante o fisioterapeuta.
Outro fator que vale a pena destacar, segundo Gustavo, é o relacionamento estabelecido com os voluntários, vindos de todos os cantos do Brasil e do mundo. “Além do Brasil, minha equipe tem profissionais da Índia, da China, da Grécia e da Nova Zelândia. Apesar das diferenças culturais, foi impressionante como nos entendemos bem logo no início e como nos entrosamos rápido, fazendo sempre um bom atendimento”, orgulha-se o fisioterapeuta. Para ele, a experiência foi única e deve ser considerada por todos aqueles que gostam de esporte e de conhecer outras pessoas e culturas.
Judô
O primeiro ouro brasileiro desta edição veio com a judoca Rafaela Silva, da categoria até 57 kg, no terceiro dia da competição, ao vencer a adversária da Mongólia.
Salto com vara
Recorde e ouro olímpico no salto com vara, graças a Thiago Braz, que vem conquistando os torcedores, também, por causa da humildade e da maturidade.
Ginástica artística
A equipe masculina da ginástica artística conquistou, pela primeira vez, três medalhas individuais, com direito a dobradinha no pódio do solo de Diego Hypólito e Arthur Nory.
Canoagem
Ao conquistar a prata, o baiano Isaquias Queiroz, de apenas 22 anos, garante a primeira medalha brasileira na canoagem e registra seu nome na história.
Números que impressionam
28ª edição das Olimpíadas da Era Moderna, os Jogos do Rio revelam toda a grandiosidade de uma competição do gênero.
17 dias
206 países participantes
Mais de 10.500 atletas competindo
42 modalidades esportivas
306 provas com disputa de medalhas
32 locais de competição, em quatro regiões da cidade: Copacabana, Barra, Deodoro e Maracanã
200 mil pessoas envolvidas diretamente no evento
45 mil voluntários trabalhando
Mais de 980 mil itens de equipamentos esportivos
Cerca de 30 milhões de itens entregues para os Jogos Olímpicos, de alfinetes a barcos
10 mil bolinhas de tênis, 320 mil alvos de tiro e 3 mil bolas de futebol são alguns exemplos
5 milhões de itens foram utilizados para mobiliar a Vila Olímpica e o Centro de Mídia
Mais de 1 bilhão de expectadores no mundo inteiro
Jogos Paraolímpicos
De 7 a 18 de setembro, o Rio de Janeiro sediará a maior competição esportiva do mundo envolvendo atletas com deficiência. Os Jogos Paraolímpicos envolverão participantes de 176 países, distribuídos em 23 modalidades. Serão realizadas 528 provas em 21 arenas diferentes. A lista de atletas brasileiros contabiliza 278 pessoas, sendo 181 homens e 97 mulheres. Esta será a primeira vez que o Brasil terá representantes em todas as modalidades disputadas. Na última edição dos Jogos, realizada em Londres, em 2012, os atletas brasileiros trouxeram 43 medalhas para o país, sendo 21 de ouro, 14 de prata e oito de bronze, encerrando sua participação em 7º lugar no quadro geral de medalhas, o melhor desempenho da história.
Encerramento
A festa que fecha os Jogos Olímpicos do Rio acontece no dia 21 de agosto, das 20h às 22h20, no Estádio do Maracanã, e será comandada pelos mesmos diretores da cerimônia de abertura. Até agora, estão confirmadas as participações do cantor Lenine e da atriz Leandra Leal.