Tons inusitados

Tons inusitados

Para Mário Sérgio, a arte traz em si a possibilidade de mudança.

Quem tem acesso ao currículo de Mário Sérgio Longo e confere os anos dedicados a designs e projetos a serviço de empresas como Gnatus, Dabi-Atlante e Smar, e ao comércio de materiais de construção, dificilmente imagina que, ao longo de 15 anos, o lado artista do arquiteto e urbanista esteve guardado, acalantado por um velho sonho, ao qual começou a dar vazão, no início dos anos 80, quando ainda ocupava os bancos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos.

Os anos se passaram e a veia artística surgiu mais forte do que nunca, na forma de esculturas de concreto, luminárias feitas de materiais naturais e de sucata, e, sobretudo, instrumentos musicais que se destacam pela criatividade e pela sonoridade incomum, como o berimbão (mistura de berimbau com violão), o tririmbau (berimbau de três cordas), a guítara (que une elementos da guitarra aos da cítara), a cabiola, o cabaçolim e o cabaçolino, instrumentos que reconstroem a viola, o bandolim, e o violino na brasileiríssima cabaça. No acervo musical de Mário Sérgio, há até mesmo um contrabaixo feito de concreto — o concrebaixo. O curioso é que, apesar de criar essas novas sonoridades, o ousado luthier não possui nenhuma formação em música.

O arquiteto e urbanista conta que retomou os trabalhos artísticos há 10 anos. “A minha ideia, agora, é incorporar a arte, viver a arte”, afirma. A prova disso é que tem participado constantemente de exposições e direciona boa parte de seu tempo produzindo e ensinando arte, como faz na escola Sathya Sai.

Mário Sérgio acredita que o germe da mudança social está na educação. “Sem a educação, o país é um caos. Não há outra saída para a sociedade. Sem ela, a gente fica enclausurado. A arte é um bom instrumento para educar porque sensibiliza as pessoas, abre os horizontes, leva à abstração, ao despertar”, explica. Para ele, a arte traz em si a possibilidade de mudança.

Texto: Carla Mimessi

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