Tradição milenar
O Festival Tanabata Matsuri integra o calendário de eventos da cidade, desde 1994
Ribeirão Preto possui uma grande concentração de imigrantes japoneses e seus descendentes, além de um encanto especial pela cultura japonesa. Essas são razões pelas quais o Festival Tanabata Matsuri, passou a integrar o calendário oficial de eventos da cidade, desde 1994.
“Ter esse evento no calendário da cidade é uma honra para a cultura japonesa. O que queremos é justamente realizar esse intercâmbio entre a cultura japonesa e a cultura brasileira”, explica Massaro Fugiy, presidente da Associação Cultural Japonesa e representante da Colônia Japonesa em Ribeirão Preto.
A 18º edição do evento acontece nos dias 8, 9 e 10 de julho no Parque Municipal do Morro do São Bento, e trará para Ribeirão Preto mais de 30 atrações típicas, entre danças, comidas, lutas, artesanatos, músicas e exposições.
Para este ano, além das atividades tradicionais, os visitantes podem ter novas experiências nas quatro oficinas que serão promovidas durante o evento, três delas: pipa, mangá e origami, são gratuitas e os interessados devem retirar a senha no Morro do São Bento, uma hora antes do início das atividades. Para participar da oficina de bonsai, que acontecerá nos dias 9 e 10, às 14h, os interessados devem realizar a inscrição na Secretaria da Cultura mediante o pagamento da taxa no valor de R$20,00.
Além das oficinas, os amantes dos desenhos japoneses podem se divertir com o Cosplay. A atividade irá premiar no último dia do evento, as melhores fantasias de seriados e desenhos japoneses, as inscrições poderão ser feitas durante o festival.
Este ano o evento continua com o Festival de Cinema Japonês, em sua 6º edição o evento irá exibir cinco longas-metragens, dos gêneros ficção, animação e um documentário sobre o Japão. “Este ano o festival conta com as atividades tradicionais como o artesanato, as oficinas, as 46 tendas com comidas típicas e outros serviços, também convidamos um conjunto de São Paulo que toca músicas do carnaval japonês e promete surpreender o público que estiver presente”, revela o presidente do festival Tanabata, Deruo Abe.
Para esse ano, a expectativa dos organizadores é receber um público de 70 mil pessoas durante os três dias do festival. “O nosso objetivo é mostrar a cultura japonesa em toda sua essência. Sua tradição e a importância dela para seus descendentes e aqueles que quiserem conhecê-la”, ressalta Deruo.
Festa das estrelas
O Festival Tanabata, também conhecido como “Festa das estrelas”, é baseado em uma lenda japonesa, que narra a história de amor da princesa Orihime e seu amado Kengyu. Ao se conhecerem, esqueceram de tudo e dedicaram-se apenas ao amor. Por esse motivo, os deuses os castigaram transformando-os em estrelas, separando-os para extremos opostos da Via Láctea, e, para aliviar a dor da separação, foi concedido um dia do ano para eles se encontrarem. As estrelas Orihime e Kengyu se encontram no sétimo dia do sétimo mês de cada ano, e a partir desse encontro é que surgiu o Festival Tanabata.
“O festival acontece aqui em Ribeirão, no Japão e em outras cidades onde o número de orientais é alto, por acontecer em diversos lugares mantemos algumas regras, como vender apenas alimentos tradicionais da cultura japonesa, assim aqueles que prestigiam o evento não se confundem, o que aconteceria se os produtos fossem mais diversificados”, explica Massaro.
Em seu início, o festival ocupou a explanada do Teatro Pedro II. No terceiro ano, foi para o Morro do São Bento, dentro do Teatro de Arena, e permaneceu lá por mais dois anos. Com o aumento do público, em seu quinto ano, o Festival foi para as ruas do Morro do São Bento, esse crescimento revelou uma cultura marcante, que estava começando a ser descoberta pelos cidadãos ribeiraopretanos.
Tradição
A mudança do Festival para as ruas do Morro do São Bento deu espaço para detalhes tradicionais da cultura japonesa, a decoração, por exemplo, na qual os enfeites simulam estrelas que são pregadas em arcos feitos de bambus, pôde ser feita de forma mais fácil. Os visitantes passam por baixo do arco e deixam seus desejos escritos em papéis coloridos chamados “tanzakus”, que são oferecidos às estrelas e amarradas nos bambus. Existem seis cores, cada uma representa um sentimento: branco (paz), amarelo (dinheiro), azul (proteção dos céus), verde (esperança), rosa (amor) e vermelho (paixão). Os pedidos são escritos no papel conforme a simbologia da cor. A lenda revela que todos os pedidos são atendidos quando as estrelas Orihime e Kengyu se encontram no céu.
Revide Online
Texto: Pâmela Silva | Fotos: Julio Sian e arquivo Revide
*Publicado em 08/07/2011