Trânsito que mata
Ribeirão Preto registra cerca de dez ocorrências por dia e uma morte a cada cinco dias
Com uma frota superior a 435 mil veículos e uma malha viária defasada diante da demanda diária, Ribeirão Preto lidera o ranking de acidentes de trânsito no Estado de São Paulo. Sem uma política pública de mobilidade urbana moderna e uma campanha efetiva de educação e conscientização, o cidadão sofre com a falta de educação dos usuários do trânsito, seja ele motorista, motociclista ou pedestre. A cidade necessita de alternativas urgentes e modernas que atendam às necessidades da população.
Imprudência, álcool e excesso de velocidade são alguns dos ingredientes que aumentam o número de vítimas, sendo que os motociclistas representam 60% das vítimas fatais, segundo dados da Transerp, empresa que gerencia o trânsito local. Esses números poderiam ser reduzidos de uma forma geral se o Plano de Melhoria da Segurança no Trânsito (PMST) estivesse em vigor.
Além do elevado número de acidentes diários, das noites das quintas-feiras às madrugadas dos domingos, a gravidade das ocorrências é 60% maior que os demais casos. Os atropelamentos também engrossam as estatísticas. No primeiro semestre de 2011, dos 8.733 acidentes de trânsito em Ribeirão Preto, 141 envolveram diretamente pedestres, sendo sete vítimas fatais. A falta de vagas para estacionamento contribui para complicar a vida dos moradores e de visitantes que chegam à cidade todos os dias. Com um aumento de 32% no fluxo de veículos, pesquisa da ACI-RP aponta que as 1.473 vagas da Área Azul são insuficientes.
Entre tantos problemas que a administração pública municipal precisa resolver nesta área, vale lembrar que os Ministérios das Cidades e da Saúde criaram o Pacto Nacional pela Redução dos Acidentes no Trânsito para reduzir o número de mortes e lesões em acidentes de transporte nos próximos dez anos. Conheça algumas das propostas dos candidatos ao Executivo ribeirãopretano para organizar melhor o trânsito local.

Dárcy Vera (PSD)
“Ribeirão Preto cresceu rapidamente, por isso, precisamos repensar o trânsito e planejá-lo para o futuro. Nossas propostas visam as melhorias da mobilidade, da acessibilidade e da segurança de pedestres, ciclistas, condutores e passageiros. Continuar os projetos de construção de ciclovias e ciclofaixas. O novo plano para o Transporte Público é outra mudança que ajudará a melhorar o tráfego. O Plano de Mobilidade Urbana trará melhorias pelos próximos 30 anos. Entre os projetos propostos está a intensificação do serviço de sinalização horizontal, vertical e semafórica. As ações de educação sobre trânsito voltadas a crianças em idade escolar e a adultos serão intensificadas. Teremos programas como o de Segurança para o Pedestre e para Pessoas com Necessidades Especiais, além da instalação de um sistema de monitoramento por câmeras nos principais corredores de tráfego.”
João Gandini (PT)
“A prioridade será o transporte público, com a criação de corredores exclusivos e faixas para motocicletas, além de ciclovias e áreas preferenciais para pedestres. É preciso oferecer fácil acesso aos lugares, de modo ordenado, com ruas e avenidas seguras, fiscalizadas, com transporte eficiente, seguro, confortável, inclusivo e economicamente viável. A Transerp deverá atuar fortemente na educação para o trânsito. Será preciso um novo sistema de identificação de ruas, placas e sinalização. Conceberemos o Plano Municipal de Circulação (PMC) da cidade como formulador e ordenador de um conjunto de diretrizes de trânsito (sistema de ordenação da circulação e acomodação dos fluxos veiculares e de pessoas) e transporte (sistema de distribuição modal de pessoas, bens e serviços) integradas às políticas de uso e de ocupação do solo e do espaço viário.”
Mauro Inácio (PSTU)
“O número de veículos particulares na cidade cresceu em uma proporção maior que a população. Estima-se que esse número, em 2012, chegue a 500 mil veículos para pouco mais que 600 mil pessoas. Como nenhum governo até hoje se preocupou em fazer um planejamento que levasse em conta esses dados, o trânsito já beira o caos, com engarrafamentos em horários de pico e dias de chuva. A proposta do PSTU para solucionar os problemas de trânsito na cidade está conectada com a proposta para o transporte: incentivar o transporte coletivo. Para isso, é necessário estatizar o transporte para garantir qualidade e preço acessível, e popularizar o uso do bilhete integrado, o que significa percurso maior a preço menor. É preciso implementar o veículo leve sobre trilhos (VLT) e construir ciclovias que garantam a segurança dos ciclistas para incentivar esse tipo de locomoção.”
Duarte Nogueira (PSDB)
“Para um trânsito melhor organizado, o transporte público deve ser eficiente. É preciso implantar faixas exclusivas de ônibus em avenidas, melhorar a área de abrangência, a frequência, a pontualidade, a acessibilidade e a qualidade dos pontos de ônibus. Também precisamos buscar novas modalidades de transporte coletivo, como, por exemplo, os Veículos Leves sobre Trilhos (VLTs); implantação das ciclovias para estimular o uso de bicicletas; um programa eficiente de recapeamento, já que os buracos deixam o trânsito mais lento e perigoso; modernização dos semáforos, com tempo para pedestres e adaptados para deficientes visuais; campanhas de conscientização para reduzir acidentes. Temos também que iniciar a implantação de um sistema inteligente de trânsito, com câmeras nos principais pontos da cidade e um centro de monitoramento. Essas são algumas de nossas propostas.”
Fernando Chiarelli (PT do B)
“Meu primeiro ato será transformar a Transerp em Secretaria de Trânsito e Transportes Urbanos, fazendo com que ela deixe de ser propriedade de alguns. Implantarei um novo layout para a cidade, com modernas placas informativas. Os marronzinhos passarão a ser orientadores e fiscais de trânsito, ficando responsáveis, também, por apresentações didáticas para as crianças nas escolas. Criarei corredores para ônibus nas avenidas de maiores fluxos. Vou reconstruir as calçadas no centro e nos bairros. Os radares móveis serão transformados em fixos e serão instalados onde acontecem os maiores índices de acidentes fatais. Criarei incentivos fiscais para novos estacionamentos privados e construirei estacionamentos públicos em pontos estratégicos. Instalarei um novo aeroporto e uma nova rodoviária e criarei uma ouvidoria do Trânsito e Transporte Coletivo.”
Emilson Roveri (PSOL)
“A proposta do PSOL para o trânsito visa a melhoria da mobilidade urbana e leva em conta o transporte público, o alternativo e a redução do fluxo de veículos particulares. Entre as principais ações desenhadas, destacam-se: aumentar a frequência e a qualidade do atendimento ao oferecer mais opções em horários de pico e permitir, de forma legalizada e organizada, a utilização de micro-ônibus, vans e veículos de três rodas; criar mais terminais integrados de transferência entre novas linhas bairro-bairro e bairro-centro e, no centro, permitir o tráfego de veículos grandes somente em horários de baixo fluxo; banir os radares móveis e substituí-los por radares fixos, fazendo com que a arrecadação financeira das multas seja utilizada, prioritariamente, para educação no trânsito; transferir as feiras livres das ruas para as praças públicas; criar ciclovias e incentivar a carona.”