Travessia insegura

Travessia insegura

Pressa, preguiça de andar e falta de atenção do pedestre respondem por quase 2% do volume de ocorrências geradas no trânsito

Sem se preocupar com a punição, centenas de pedestres resistem às regras de travessia no trânsito diariamente e colocam suas vidas em risco ao cruzar as ruas fora das faixas exclusivas para esta finalidade. De acordo com dados da Transerp, no primeiro semestre de 2011, dos 8.733 acidentes de trânsito em Ribeirão Preto, 141 envolveram diretamente os pedestres. Desse volume, sete pessoas morreram em atropelamentos.

A Polícia Militar acredita que a melhor forma de prevenção para tais acidentes é educação e a conscientização das pessoas. Para o capitão da Polícia Militar, chefe da Comunicação Social do 51º Batalhão, Mauricio Rafael Jerônimo de Melo, isso pode ocorrer através de campanhas educativas, outdoors, programas educativos em escolas e informação maciça por meio da imprensa. “Toda e qualquer medida que chame a atenção e facilite é bem-vinda, porém, cabe à engenharia de tráfego da cidade o estudo pertinente para a resolução e mitigação do problema”, enfoca Jerônimo.

Com o objetivo de alertar as pessoas sobre seus direitos e deveres como pedestre, a Prefeitura, por meio da Transerp, em parceria com o Shopping Santa Úrsula, lançou, em dezembro, a Campanha de Conscientização no Trânsito em Respeito ao Pedestre. Em parceria com o grupo TPC de teatro, a primeira ação ocorreu no cruzamento das ruas São José e Campos Salles.

Dagoberto Vieira, coordenador de planejamento da Transerp, ressalta que, além do pedestre, a campanha é direcionada aos motoristas, que, a exemplo de cidades como Maringá, precisam respeitar a sinalização de trânsito e priorizar o pedestre. Na cidade paranaense, independente do semáforo estar aberto ou não, o motorista respeita a sinalização da faixa. A campanha, com duração de três meses, propõe o desafio de reduzir os índices de atropelamentos na cidade. Dagoberto explica que a iniciativa será gradualmente estendida a todos os cruzamentos da área central de Ribeirão Preto.

Além das intervenções dos atores, as faixas ganharam a inscrição “Olhe” para chamar a atenção das pessoas para que respeitem os sinais de trânsito e olhem para os dois lados antes da travessia. A próxima etapa da renovação da sinalização nos cruzamentos deve ser nas proximidades do Hospital São Francisco, da Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas e da Rodoviária. Peças de comunicação também serão instaladas em 50 pontos de ônibus, além de outros locais de grande fluxo de pedestres.

Amilton TeixeiraRisco nas rodovias
No perímetro urbano das rodovias, o cenário não é diferente. Mesmo tendo, em média, uma passarela a cada 500 metros, muitos pedestres preferem desafiar as regras. Para diminuir o problema, Amilton Teixeira, gerente de Operações da Autovias, destaca que a concessionária investe em ações preventivas. Em 2011, telas metálicas foram implantadas sobre as barreiras de concreto da Anhanguera (SP-330). “No entanto, muitas pessoas danificam as telas para pular e cruzar a rodovia, às vezes, a poucos metros da passarela”, observa Amilton. A OHL Brasil, dona da Autovias, também realiza o programa Passarela Viva. A campanha orienta os pedestres sobre a importância da travessia segura, além de incentivar o uso das passarelas para reduzir o número de atropelamentos nas pistas.

Cidadania
Inspirado no modelo inglês o Departamento de Trânsito (Detran) do Distrito Federal instalou nos cruzamentos de maior fluxo de trânsito uma sinalização diferenciada para a travessia de pedestres. Independente do semáforo, ao chegar à calçada, basta a pessoa sinalizar com a mão sua intenção de atravessar para que os motoristas parem.
                             

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