Trilhando aventura
A palavra mais adequada para resumir o Trekking de Regularidade é ‘desafio’
O Trekking de Regularidade é uma variação do Enduro, uma modalidade esportiva realizada por carro ou moto fora da estrada, onde o desempenho de cada competidor é determinante para a pontuação e a classificação.
O Trekking se resume basicamente em caminhar por trilhas em meio à vegetação. No entanto, a partir de 1985 a atividade passou a ser desenvolvida no Brasil como esporte com provas específicas. E, assim como no Enduro com veículos, o desafio é o mesmo: errar o menos possível.
“O Trekking de Regularidade é uma competição contra os próprios erros. Ou seja, quem errar menos vence”, explica Marcos Kobori, praticante de Trekking.
Marcos pratica o esporte há seis anos e já disputou campeonatos em aproximadamente 20 cidades, entre elas Boa Esperança do Sul, Itirapina, Brotas e Altinópolis, e diz que a emoção durante cada competição fica por conta dos encontros com os postos de controle, chamados de PCs. “Eles podem estar em qualquer lugar, além de tudo sempre há a dúvida se estamos no tempo certo ou não”, explica.
As regras para não perder ponto durante a competição são simples: a equipe deve percorrer o caminho traçado pela oraganização do evento, passando pelos PC’s no tempo estipulado, sem se atrasar ou adiantar, caso isso aconteça a equipe perde ponto.
Superação
Contra todas as possibilidades, Marcos Kobori venceu o Circuito Gaia 2011 sozinho. Até a penúltima etapa a equipe em que participava estava em quarto lugar, mas para a etapa seguinte o restante dos membros não puderam participar por motivos pessoais. Para que a equipe passasse para a categoria “graduados”, Marcos teria de chegar na frente da equipe que ocupava a terceira posição, pois durante o campeonato somente as três primeiras equipes sobem de categoria O competidor aceitou o desafio e acabou vencendo. “A equipe achou que valeria a pena tentar. Não foi fácil, em equipe as funções ficam divididas. Sozinho, cometi muitos erros”, confessa Kobori.
As dificuldades
O Trekking de Regularidade envolve uma parte técnica, que exige cálculos precisos de distância, velocidade e tempo, orientação por bússola e coordenação entre os membros de cada equipe. Além é claro, da parte física, pois durante as provas há trechos de subida e descida de morros, travessia de córregos, lagos, trilhas em mata, ladeiras e barrancos. Para Marcos Kobori conciliar a parte física e técnica e percorrer o caminho determinado pela organização cometendo menos erros é a maior dificuldade enfrentada.
Onde praticar
O trekking pode ser praticado em quase todos os lugares. Segundo Edson Vital sócio diretor da GaiaExp Esportes de Aventura, as melhores regiões para praticar o Trekking são as localidades onde se tem uma área verde maior. “Na região de Cajuru e Altinópolis são lugares onde as provas são bem legais”, cita Vital.
Edson lamenta o fato de o esporte ser pouco conhecido na região de Ribeirão Preto. O motivo, na opinião dele, é que muitos acreditam que o Trekking é um simples passeio por trilhas. “Mas é um grande engano”, afirma.
Ainda segundo o esportista, em 2012 muitos atletas desisitiram de fazer corridas nas ruas para conhecer o esporte. Aos iniciantes, Edson aconselha reunir um grupo de amigos, mas sem a responsabilidade de competir. “Nesse esporte o aprendizado é na prática e gostar da natureza e de atividade física é essencial”, conclui.
Equipamentos
Para a prática do Trekking as roupas e sapatos devem ser leves e de fácil absorção da transpiração. Como, camisetas de algodão, calça jeans, de lycra, ou bermudas de sarja podem constituir um bom vestuário para quem deseja andar pela mata.
Para as horas mais frias, anoraks (casacos de tecido sintético que devem ser vestidos pela cabeça) e parkas podem manter o corpo aquecido. Há também uma série de roupas produzidas especialmente para essas ocasiões. Para os pés, o bom e velho par de tênis garante uma viagem tranqüila em lugares com vegetação aberta e pouco íngremes. Se o caso é vencer terrenos acidentados, com mata fechada, vale a pena investir em calçados com solado resistente, capaz de absorver o impacto, e a parte externa de borracha natural, para melhor frenagem. Para as botas, o ideal é ter cano longo, porque evita torções no tornozelo.
Acessórios
Uma mochila de 55 litros é uma boa opção.
Stake: o bastão de caminhada é um ótimo recurso para as descidas, quando parte do peso do corpo e da mochila recaem sobre os joelhos e tornozelos.
Bússola: localiza o ponto exato em que a pessoa está, em relação ao mapa. Mede os ângulos horizontais (azimutes).
Pedômetro: contador manual que auxilia a navegação, mantendo o controle dos passos e, consequentemente, indicando distâncias com razoável precisão.
Lanterna: mesmo pequena, pode salvar o aventureiro ao escurecer.
Plástico: conserva os objetos, mapas e planilhas.
Faca ou canivete: auxilia de diversas maneiras. Não se pode usar facões para abrir atalhos.
Kit de primeiros socorros: ajuda em caso de torções, dores musculares ou machucados. Você pode incluir no conjunto um repelente contra mosquitos.
Cantil: pelo menos um litro de água por pessoa é recomendável. Há quem ande um dia inteiro sem achar uma fonte sequer.
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Texto: Bruno Silva
Fotos: Divulgação