Troca de experiências
Apesar das diferenças, a figura dos pais mantém-se essencial para a formação dos filhos do século XXI
Eles brincavam de carrinho de rolimã, bolinha de gude e pega-ladrão. Agora, os jovens se divertem com o videogame, o computador e os diversos apetrechos tecnológicos. A rua deixou de ser o ponto de encontro dos adolescentes, outras preocupações e medos passaram a ocupar o dia a dia dos teens, mas, apesar das diferenças, a figura dos pais mantém-se essencial para a formação dos filhos do século XXI. No mundo contemporâneo, mães e pais buscam, a cada dia, desvendar o universo dos filhos e interagir com eles.
Coordenador do Colégio Einstein de Ribeirão Preto, Eduardo Gula Sobrinho lida diariamente com os adolescentes e considera desafiadora essa missão. Para o professor, a juventude é uma fase de muitas mudanças, tanto físicas, quanto emocionais. “É a etapa de construção da identidade, que pode convergir ou divergir da dos pais. Acredito que aprender a respeitar as diferenças seja o segredo de um convívio saudável”, conta o pai de dois adolescentes: Isabela, de 14 anos, e Henrique, de 12 anos.
Pai de duas jovens, Ademir Aquino acredita que conviver com essa faixa etária obriga os adultos a estarem antenados com as tendências da sociedade moderna em relação aos relacionamentos, bebidas, drogas e outros assuntos importantes. “Precisamos semear valores morais e éticos ainda na infância dos nossos filhos e regá-los pelo restinho de suas vidas. O diálogo deve ser estimulado e ouvir mais do que falar é o grande segredo”, complementa. Esse conceito gerou uma forte amizade entre o pai e as filhas Tamyres e Natassya.
O trânsito caótico combinado à irresponsabilidade de alguns jovens, que movidos a bebidas e drogas colocam em risco muitas vidas, faz parte das preocupações dos pais de diversos adolescentes, que apontam que a noitada dos jovens modernos começa bem mais tarde do que antigamente. “Na minha adolescência, tinha mais liberdade para ficar na rua, andar de bicicleta, ir ao shopping, que era novidade na época. Tinha mais independência de locomoção, porém muito menos informação e quase nada de tecnologia. Atari era o máximo que conhecíamos, hoje os badalados Playstation, X-Box e 3DS estão além das nossas habilidades, mas são facilmente manuseados pelos nossos filhos. Ponto para eles”, brinca Gula.
Os próprios jovens reconhecem que a adolescência hoje oferece mais oportunidades do que nos tempos dos pais, mas que é preciso cautela para aproveitar o que o século XXI trouxe de vantagem. “Antes havia menos opções de carreira, por exemplo, e a concorrência por uma vaga no mercado de trabalho era menor. Acredito que esta seja uma das principais preocupações que nos aflige atualmente”, afirmam os filhos.
No entanto, a essência das transformações dessa fase da vida não mudou e a receita para passar pela adolescência em harmonia com os pais também não. “Diálogo sempre é a solução para todos os problemas da adolescência”, reforça Ademir. Os jovens concordam e afirmam que a conversa é sempre bem-vinda.
Com a experiência adquirida no dia a dia do colégio, Gula ensina que os adolescentes detestam serem tratados como crianças. Para o especialista, coerência é o que não pode faltar no tratamento dos filhos. Se eles são tratados como “gente grande” na hora arrumar o quarto, lavar a louça e estudar, também devem ser responsáveis no momento de de sair com os amigos. “Para viver bem com jovens, é importante confiar na educação que foi dada. Aqui vai um conselho para os pais: se os filhos estiverem nervosos, não discuta. O melhor a fazer é esperar que eles se acalmem e só depois iniciar uma conversa esclarecedora. Se você estiver estressado, adie o diálogo para não se arrepender mais tarde do que falou”, recomenda o especialista.
Texto: Mariana Secaf
Fotos: Ibraim Leão