Tudo por perto
Quem mora no Jardim Irajá, no Jardim Botânico e nos bairros que os circundam tem a facilidade de encontrar tudo o que precisa do lado de casa
Que a zona sul é a região ribeirãopretana que mais se desenvolveu nos últimos anos não há dúvida. Para comprovar essa afirmação, não é preciso voltar tanto no tempo. Basta olhar para o início dos anos 2000, quando a Avenida João
Fiusa ainda não havia se transformado no corredor de edifícios altos que acabou fazendo da localidade um verdadeiro cartão postal do município; ou quando a Av. Wladimir Meirelles, ainda mais recente, não possuía em seu entorno empreendimentos residenciais e comerciais de luxo; muito menos se poderia imaginar o volume de construções, concluídas ou não, do outro lado do anel viário contorno sul, com direito a shopping center, escola, condomínios de casas e de prédios. Dá para dizer, sem medo de errar, portanto, que uma nova cidade emergiu nessa região.
De acordo com os engenheiros civis José Anibal Laguna e Wilson Laguna, um dos grandes propulsores do desenvolvimento nessa área da cidade foi o RibeirãoShopping. “Quando o centro de compras foi inaugurado, em 1981, era circundado por uma verdadeira fazenda. A própria avenida Presidente Vargas ainda não era totalmente pavimentada. Fica claro, então, que a zona sul realmente passou por uma verdadeira revolução em pouco mais de 30 anos”, ilustram os irmãos engenheiros. Nesse período, tanto José Aníbal quando Wilson ocuparam cargos públicos municipais relativos à urbanização e ao planejamento da cidade e, por isso, acompanharam de perto esse processo.
Enraizada a Ribeirão Preto, foi aqui que a família Laguna se formou. Conhecedores de muitas histórias tipicamente ribeirãopretanas, os irmãos engenheiros, como se pode imaginar, sempre acompanharam de perto os assuntos relacionados à construção civil da cidade. A dupla compartilhou as lembranças em um bate-papo descontraído. “Antigamente, a Avenida Portugal era uma das vias mais importantes de acesso a Ribeirão Preto. Em suas margens, a cidade foi se formando. O bairro Santa Cruz de Saint Jacques, por exemplo, é um dos mais antigos. O vizinho Jardim Irajá, no entanto, só começou a se formar nos anos de 1960”, resgata Wilson. Até então, havia um vazio que subia até a Av. Presidente Vargas, ainda não asfaltada, à época.
De acordo com José Anibal, o bairro foi tomando forma graças à proximidade de diversos pequenos loteamentos. Justamente por conta dessa origem, algumas ruas do Irajá são entrecortadas, bifurcadas ou sem saída. Já na década de 1970, foi iniciado o processo de pavimentação do bairro, mas, por conta dos poucos recursos, as galerias de água pluviais foram deixadas de lado — essas, só foram construídas mais tarde. “A ocupação plena do Irajá não foi tão rápida assim. Lembro-me que, já em 1975, mais ou menos, eram poucas as construções no bairro, sendo a maioria delas, casas”, comenta Wilson.
As características atuais dessa região começaram a dominar a paisagem já nos anos de 1980, quando a área foi regulamentada e a construção de prédios baixos, autorizada. A partir daí, o bairro foi ganhando mais visibilidade e importância, uma vez que o desenvolvimento da cidade apontava nessa direção. “Os novos bairros que foram surgindo, como Jardim Botânico, City Ribeirão, Ribeirânia, entre outros, passavam, de uma maneira ou de outra, pelo Jardim Irajá. Tudo isso favoreceu o desenvolvimento do bairro”, pontua José Aníbal.
O comércio familiar e a prestação de serviços fazem girar a economia do Jardim Irajá. Salões de beleza, padarias, farmácias, escolas e supermercados são facilmente encontrados em curtas caminhadas. Apesar dessa força, é o caráter residencial que domina o bairro. Prédios de dois ou quatro andares são maioria, mas ainda dividem espaço com muitas residências. Quem costuma ir e vir de carro pelo Irajá sabe que as valetas são outra característica marcante do Irajá — isso porque as galerias pluviais, mesmo depois de construídas, não tem capacidade de dar vazão à água, no caso de chuvas muito fortes.
Jovens vizinhos
No pedaço onde se localiza o Jardim Irajá, apenas o tradicional Santa Cruz de Saint Jacques guarda um pouco da história mais antiga de Ribeirão Preto. Todo o entorno é formado por bairros extremamente recentes, que não passam dos 15 ou 20 anos de idade. Entre eles está o Jardim Botânico, um dos responsáveis pelo recente boom imobiliário vivido na cidade.
Cercado de grandes avenidas, o loteamento que deu origem ao Botânico foi criteriosamente planejado. Cada característica do bairro foi pensada para compor a paisagem urbana da melhor forma. Do mesmo modo, surgiram os bairros Bosque das Juritis I e II, que praticamente se misturam ao Botânico, assim como acontece com o Jardim Itamarati, separado dos vizinhos pela Avenida João Fiusa. “Todos esses pequenos loteamentos formam um todo que representa uma etapa importante da formação da Ribeirão Preto que temos hoje”, finalizam José Aníbal e Wilson Laguna.
O desenvolvimento no horizonte
Da parte mais baixa do Jardim Irajá, é possível perceber claramente a mudança na paisagem urbana da zona sul de Ribeirão Preto. Os altos edifícios no horizonte, onde passa a cobiçada Avenida João Fiusa, contrastam com os prédios baixos e residências do Jardim Irajá, que também ainda preserva um pouco de espaço para o verde.
Região completa
A jornalista Mariana Secaf mora no Jardim Irajá há mais de uma década. Antes, vivia no bairro Higienópolis, vizinho da região central da cidade, de onde traz na memória o barulho característico da rotina agitada. “Lembro-me da sensação de dormir e acordar sem aquele ruído. Hoje, estou em um segundo endereço no próprio Irajá e dá para afirmar que o bairro preserva esse conforto sonoro”, avalia Mariana, proprietária da assessoria de comunicação Ponto é Letra.
Academia, supermercado e salão de beleza são alguns dos estabelecimentos que a jornalista frequenta sem sair do bairro. “Ter a possibilidade de fazer tudo a pé, quando quero, é fantástica e garante mais qualidade de vida no meu dia a dia”, frisa Mariana. Quando precisa circular pela cidade, também não encontra problemas. “O Irajá é cercado de grandes avenidas e está próximo do anel viário, permitindo fácil acesso a qualquer ponto da cidade e também a diversas cidades da região”, completa.
Definitivamente, a jornalista escolheu esse pedaço da zona sul para viver. Na hora de selecionar um investimento, adquiriu um outro imóvel no vizinho Jardim Botânico. “Gosto de ter tudo por perto, como tenho aqui e no Botânico. Não troco essa tranquilidade por nada”, finaliza.