Um ano de desafios e de superação

Um ano de desafios e de superação

É assim que os diretores das principais construtoras e incorporadoras que atuam em Ribeirão Preto definem 2015

O final do ano se aproxima. Como manda a tradição, é hora de fazer uma retrospectiva, um balanço entre os pontos positivos e os negativos que marcaram os últimos 11 meses. Em Ribeirão Preto, onde o mercado imobiliário se consolidou como um dos principais pilares econômicos da cidade, é compreensível que as pessoas se interessem em saber a verdadeira situação do setor. 

Essa preocupação natural se agrava quando contextualizada no cenário político e econômico do país em 2015. A instabilidade e as especulações geraram um clima de desconfiança. Os compradores e os investidores, intuitivamente, resolveram esperar e adotaram uma postura cautelosa, desacelerando as negociações. As construtoras e as incorporadoras confirmam a fase de retração, mas ressaltam que não há motivos para receio.

De certa maneira, depois de um longo período de alta, que começou entre 2007 e 2008, previa-se a diminuição do ritmo das vendas. Os estudos e as pesquisas apontavam o reequilíbrio dessa balança comercial. Com as informações em mãos, as empresas tiveram um tempo para se preparar e se adequar à nova realidade. Traçaram planos para superar os desafios. As estratégias foram assertivas e o panorama se revelou satisfatório. É o que afirma o diretor financeiro/comercial da Habiarte, João Marcelo de Andrade Barros. “Mesmo com todos esses percalços, obtivemos um desempenho de vendas muito bom nos empreendimentos residenciais da empresa, tanto nos lançamentos quanto nos produtos com unidades prestes a serem entregues e prontas. Os índices de hoje, apesar de menores em comparação com os atingidos nos anos anteriores, ainda estão bem acima dos registrados na época que precedeu o `boom imobiliário`”, explica João Marcelo. 

A Habiarte, que em 2015 completou 30 anos de atuação no mercado de incorporação imobiliária de Ribeirão Preto e região, encara esse momento de forma saudável. “O melhor jeito de lidar com esse quadro é se ajustar às condições mercadológicas, planejando o cronograma de lançamentos de acordo com as variáveis e reduzindo custos. Passa-se a ter uma condição mais confortável para enfrentar uma redução na velocidade de vendas até a recuperação econômica do país que, com certeza, virá. Estamos bastante confiantes para 2016”, adianta o diretor. Na planilha, está agendado o lançamento de pelo menos mais um empreendimento de alto padrão na cidade, além de outros projetos em andamento.

A Stéfani Nogueira Incorporação e Construção também teve um ano produtivo. A empresa entregou os edifícios Quintessence Óriun e Quintessence Sírius, e o loteamento San Marco II, e lançou o edifício Le Nôtre Residencial. “Notamos que a procura por um imóvel de qualidade cresceu significativamente. As conversões em vendas foram discretas, mas a conscientização do público aumentou. As pessoas entenderam que a escolha da casa ou do apartamento ideal é uma decisão de extrema importância. Enquanto o desejo de conquistar esse sonho se mantiver vivo, a demanda por projetos bem elaborados permanecerá. O ciclo não para. Essa é uma ótima notícia para nós, pois trabalhamos com afinco e comprometimento para entregar sempre o melhor produto”, comenta Pedro De Stéfani Nogueira. 

Por tudo isso, o diretor enxerga o futuro com otimismo. “Essa positividade faz parte do DNA da empresa. Nosso foco para 2016 é prosseguir superando as expectativas dos clientes. Vejo um vasto campo de trabalho pela frente, onde poderemos evoluir gradativamente. O Brasil é uma potência que, infelizmente, conta com maus gestores. A partir do instante em que isso mudar, a retomada do mercado pode acontecer mais rápido do que estamos pensando”, opina Pedro. Acreditando nessa recuperação, a incorporadora e construtora está com diversas obras em execução e possui novos empreendimentos em fase de desenvolvimento.  

Assim como as outras empresas de destaque na área, a Perplan Urbanização e Empreendimentos sentiu os efeitos da crise, mas virou o jogo ao lançar, em maio de 2015, o Upper Ribeirão. O condomínio-clube vertical, com 189 unidades e inúmeros atrativos, foi bem aceito pelo público. “A necessidade por moradia é uma constante. Cabe a cada empresa elaborar as estratégias para reverter a crise. No nosso caso, criamos campanhas que oferecem facilidades para os clientes e ações de incentivo aos colaboradores”, indica o diretor financeiro e administrativo, Adilson Perdiza Villas Boas. Vale lembrar que a Perplan ainda reforçou o portfólio com a entrega do Civitas (Ribeirão Preto), com 144 unidades no edifício residencial, 178 quartos do Ibis Styles e 152 quartos do Mercure, bandeiras do grupo Accor. No total, foram entregues 474 unidades em dezembro de 2015.

O diretor recorda que o Brasil já passou por situações semelhantes e conseguiu se recuperar. “Sairemos dessa também. Por isso, fizemos nossos lançamentos pensando a médio e longo prazos. Com perspectivas animadoras, montamos um calendário movimentado para o próximo ano. Estão previstos os lançamentos de três loteamentos fechados e duas incorporações”, frisa. Segundo Adilson, uma reforma econômica relacionada ao ajuste fiscal ajudaria muito no processo de reestruturação do mercado. 

De acordo com Welton Tadeu De Bortoli, fundador e diretor-presidente do Grupo WTB, o fato de Ribeirão Preto ter incorporadoras e construtoras sólidas, bem organizadas e competentes minimizou o impacto da turbulência na cidade. “Fizemos ajustes essenciais na hora certa. Mantivemos nossos pés no chão e uma visão empreendedora diante das dificuldades. Não há mal que sempre dure. O mercado sofreu, as vendas caíram, mas, por outro lado, o consumidor nunca viu momento tão favorável para a compra de imóveis. Se a crise inibe quem tem poucos recursos, traz oportunidade para quem procura uma opção de investimento segura para os recursos que tem”, enfatiza Tadeu. Nessas circunstâncias, os projetos com soluções urbanas inteligentes, reunindo conceito inovador, excelente localização e grande potencial de valorização, ganham destaque. 

Entre 2014 e 2015, o Grupo WTB lançou os loteamentos Vila do Golfe, com terrenos para incorporações, e Ipê Rosa, com terrenos residenciais, ambos no entorno do Ipê Golf Club, integrando o complexo Vila do Golfe. Em Bonfim Paulista, os lançamentos foram Terras de Bonfim, com as Praças Sant’ana, San Thiago e San Matheus, e o Terras de San Pedro, com as Praças das Estrelas e do Sol. “Nesse período, entregamos mais de 1.500 unidades, entre terrenos, salas comerciais e apartamentos. Este ano, entregamos o Terras de Santa Martha e estamos com as obras do Terras de San Gabriel na reta final. Portando, podemos dizer que o nosso balanço foi positivo”, finaliza o empresário.

Inovação e criatividade 

Com oito anos de história e cerca de 4.000 unidades lançadas, a Bild Desenvolvimento Imobiliário combinou inovação e criatividade para agitar o mercado. Os conceitos apresentados chamaram a atenção do público, atendendo a diferentes demandas de clientes nas várias regiões da cidade. “No dia 2 de setembro, entregamos o Ibiza Residence, construído na Av. Caramuru, no Jardim República. Nossa proposta de moradia para esse empreendimento foi baseada na qualidade de vida e no bem-estar. Por isso, investimos em uma extensa área externa, nos moldes de um condomínio-clube. Graças a esses e a outros atrativos, conseguimos um resultado excelente com esse produto”, comenta Rodrigo Saccarelli, sócio-diretor e um dos fundadores da Bild. 

Em 2015, a empresa lançou o Trend Residence Club, na Avenida Leão XIII, Nova Ribeirânia, e o Alameda São Paulo, na Rua São Paulo, nos Campos Elíseos. Para 2016, a ideia é continuar os planos de expansão para a zona Sul da cidade, considerada a área que recebe mais investimentos, e para a zona Leste, local em pleno crescimento. “Também estamos concentrados na ampliação dos nossos negócios em outras cidades”, enfatiza Saccarelli. 

Já a PDG concentrou as energias na venda de unidades prontas. A empresa possui imóveis com perfis distintos na cidade, incluindo residenciais nas faixas econômica, médio-alto e alto padrão, salas e lajes comerciais, e loteamentos. “O fato de termos produtos de vários estilos foi decisivo para que adotássemos essa tática. Atualmente, há uma procura intensa pelo chamado ‘estoque de prateleira’, aquele que o cliente tem a possibilidade de pegar as chaves imediatamente. Apesar da conjuntura econômica desafiadora, posso afirmar que a estratégia traçada está dando certo”, garante Conrado Partel. O empresário ressalta que a meta estipulada para o fechamento do ano, em Valor Geral de Vendas (VGV), será devidamente cumprida. 

As ações de marketing, como os meetings com as equipes de vendas, as premiações de incentivo às vendas e a campanha “Na Ponta do Lápis”, por exemplo, foram fundamentais para chegar a esse marco. “Agora, em dezembro, teremos o 13ª em dobro, com oportunidades imperdíveis no Residencial Vitale, um empreendimento com dois dormitórios, 47 m² e infraestrutura completa, localizado na Av. Guido Golfeto, 73, perto da Maternidade Sinhá Junqueira. Basta consultar o regulamento e participar”, convida Conrado. O último lançamento da PDG em Ribeirão Preto foi o Buona Vita Florença, um loteamento residencial com a previsão de entrega ainda para este ano.

Segurança para o mercado

Ao realizar a retrospectiva da Tecnoart Engenharia, o diretor comercial, Saulo Manfrim, descreve 2015 como um ano de reflexão e de aprendizado. À medida que o consumidor ficou mais exigente e criterioso, o mercado amadureceu. “Não podemos abrir espaço para a negatividade. Temos que enxergar os obstáculos como um estímulo para nos impulsionar, disponibilizando produtos competitivos, que garantam o investimento e transmitam segurança ao cliente. Em épocas como essa, a credibilidade é fundamental”, alega Saulo. Seguindo essa linha, a empresa lançou no segundo semestre o Residencial Belvédère Grand Mirant, em frente ao Parque Dr. Luis Carlos Raya. “Justamente por causa dos diferenciais exclusivos, esse empreendimento se tornou um sucesso de vendas em apenas um mês de comercialização”, comemora o diretor.  

Na MRV Engenharia, o ânimo é semelhante. Neste ano, a empresa lançou 932 unidades, divididas em dois empreendimentos, e entregou 1.815 apartamentos. “Minimizamos as perdas e maximizamos os ganhos. Preservamos nossas operações em um patamar seguro através de negociações com fornecedores e prestadores de serviços. Além disso, geramos caixa. No acumulado de janeiro a setembro, a MRV foi a incorporadora de capital aberto que teve os maiores volumes de lançamento, venda, receita líquida e lucro líquido do país. Assim, não trabalhamos com a possibilidade de redução em nossa produção”, declara o coordenador de vendas, Eduardo Simões Larraz Ferreira. O banco de terrenos da MRV tem lançamentos correspondentes ao VGV de R$ 30 bilhões, o suficiente para cerca de cinco anos de lançamentos e vendas nas cidades onde atua. 

Texto: Paula Zuliani 
Fotos: Julio Sian 
Agradecimento: Grupo Robusti/Sierra

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