Um homem de negócios

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Trajetória do empresário Antonio Carlos Maçonetto revela perfil empreendedor e atuação voltada ao associativismo


Com trajetória profissional marcada pelo trabalho e pela criatividade, Antonio Carlos Maçonetto revela-se um líder que tem como um dos pilares de sua vida o trabalho voltado ao associativismo. Formado em engenharia elétrica pela Universidade de Brasília (UnB), Maçonetto adquiriu experiência nos anos em que trabalhou em setores técnicos e administrativos.

Além disso, tornou-se empresário do setor imobiliário, acumulou a coordenação do Núcleo Setorial de Imobiliárias (GSI), abraçou causas voluntárias como a presidência do Hospital do Câncer de Ribeirão Preto – Fundação SOBECCan e atua como tesoureiro do Distrito 4.540 do Rotary Internacional.  Trabalhou, voluntariamente, por 18 anos na Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP), onde atuou como diretor do conselho deliberativo, tesoureiro e diretor-secretário, tornando-se presidente da entidade este ano.

Maçonetto sempre contou com os cuidados e os conselhos de sua esposa Edinéya para tomar suas decisões e atribui a ela muitas de suas conquistas. Nem um miningioma cerebral, descoberto em 2000, fez com que o empresário desistisse de seus objetivos.

Segundo Maçonetto, trabalhar com afinco, união e dedicação é o segredo do sucesso. Inúmeras razôes fizeram Paulo César Garcia Lopes, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto (Sincovarp), convidar Maçonetto para um bate-papo.

Para Paulo, o empresário é líder empresarial que tem histórico enriquecido por ser um grande voluntário em instituições sérias e importantes da cidade. Nesta entrevista, os companheiros de voluntariado discorrem sobre a necessidade da união de forças de todas as entidades parceiras que visam ao desenvolvimento econômico e social de Ribeirão Preto.

Paulo: Conte um pouco de sua história pessoal. Por qual motivo um engenheiro se tornou administrador imobiliário?
Maçonetto: Nasci em Santa Rita do Passa Quatro, São Paulo, e tornei-me cidadão ribeirãopretano no dia 12 de março de 2014. Sou casado com Edinéya, tenho dois filhos, Giulliano e Antônio Carlos, e quatro netos, Giovanna, Isabella, Paola e Pedro.  Estudei praticamente todo primário, ginásio, e científico em Santa Rita, depois fiz o terceiro ano de cursinho em São Carlos e no final da década de 1960 passei no vestibular de engenharia elétrica da Universidade de Brasília (UnB). Tenho habilitações em eletrônica e eletrotécnica. Em Brasília, conheci minha esposa, que saiu de Araraquara para fazer engenharia lá. Quando minha mãe soube que eu havia passado no vestibular em Brasília, ela chorou muito, pois eu iria para longe de casa. Mas meu pai, por outro lado, ficou muito orgulhoso dessa conquista, porque naquela época ele trabalhava como caminhoneiro e sempre me dizia que havia ajudado a construir Brasília. Eu e Edinéya já namorávamos e tínhamos muitos objetivos em comum, um deles era voltar para o Estado de São Paulo e assim ficar perto de nossas famílias. Durante minha estada em Brasília, meus pais vieram morar em Ribeirão Preto, onde meu pai era sócio de um depósito de bananas. Naquela época, era necessário ter uma carteirinha de saúde para trabalhar com produtos alimentícios. Durante os exames, foi descoberto que meu pai tinha câncer. Infelizmente, ele faleceu pouco depois. Eu, como irmão mais velho, pensei em voltar para Ribeirão Preto, porém, com a ajuda de minha esposa, tomei a decisão de permanecer em Brasília e terminar a faculdade. Outro fato que me ajudou a tomar essa decisão era a lembrança do orgulho do meu pai ao saber que eu estava estudando em Brasília. Seria um orgulho maior ainda eu me formar lá. Consegui concluir o curso seis meses antes do previsto, sempre nutrindo a vontade de voltar. Quando me formei, comecei a trabalhar em Furnas Central Elétrica, onde aprendi toda a parte técnica da engenharia elétrica. Permaneci na cidade por sete anos. Em 1977, comecei a trabalhar na empresa Centrais Elétricas do Sul do Brasil (Eletrosul), em Florianópolis, Santa Catarina, cidade onde nasceram meus filhos. Aos poucos, conquistei a posição de chefe de uma das divisões da empresa, na qual eu exercia a função administrativa. Pode parecer engraçado, mas também morei em Florianópolis durante sete anos. Em 1985, finalmente voltei para Ribeirão Preto.  Meu cunhado me ligou perguntando seu eu tinha interesse em me tornar sócio de uma imobiliária. Eu avisei que não era meu métier, mas era uma forma de retornar. Aceitei e decidi enfrentar esse desafio de ser dono de uma imobiliária.

Paulo: Como você chegou a Ribeirão Preto? Conte um pouco sobre sua trajetória profissional a partir do retorno.
Maçonetto: Tenho como princípio fazer as coisas com afinco, por isso, vendi tudo em Florianópolis e vim para Ribeirão Preto. Já tinha muita experiência com computadores. Assim, a minha primeira função foi implantar algumas tecnologias na imobiliária. Logo na primeira oportunidade, prestei o exame e tirei a carteirinha do CRECI. Quando me habituei à rotina da imobiliária, resolvi colaborar de outra forma. Como ocorreram vários planos econômicos, escrevi um livro sobre o que acontecia com cada lei, o que isso influenciava no setor e o que era necessário fazer.

Paulo: Como você conheceu a Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP)? Quando foi convidado para participar da parte diretiva?
Maçonetto: Aqui em Ribeirão eu tinha um vizinho, o Alberto, que me convidou para participar do Rotary. Assim que eu soube como é o trabalho deles, comecei a participar, mantendo sempre a visão de que, quando abraçamos uma causa, temos que fazer para valer. No Rotary, conheci o Gilberto Maggioni, que na época era o presidente da ACIRP, e me convidou para participar da diretoria do plenário. Em 1998, fui nomeado tesoureiro. Neste mesmo ano, assumi a diretoria administrativa e financeira do Hospital do Câncer de Ribeirão Preto – Fundação SSOBECCan, do qual sou um dos fundadores. Fui levando todos os afazeres em conjunto. Em 1998, vi que meus filhos estavam crescendo e, por isso, resolvi ter uma empresa própria: foi quando fundei a imobiliária. Não tive grandes dificuldades, porque tinha experiência no setor. Havia sido presidente da Associação das Administradoras de Imóveis e Condomínios por um bom período. Nessa época, eu já pensava no associativismo, pois tinha comigo que vale mais a pena se unir do que cada um se esforçar separadamente. A partir dessa associação, os empresários do setor imobiliário começaram a construir uma boa relação. Em 2000, tive um problema de saúde, fui diagnosticado com um miningioma cerebral benigno. Fiz a cirurgia, correu tudo bem, e graças a Deus não tenho nenhuma sequela, foi apenas um susto.

Paulo: Como você se sente chegando à presidência desta entidade centenária e muito importante para Ribeirão Preto?
Maçonetto: Sendo sincero, nunca havia pensado em ser presidente da ACIRP. Tenho uma formação técnica e é mais fácil assumir algo ligado à minha área do que ser presidente da ACIRP, uma entidade ligada à cidade e que passou por fases importantes. Sou muito envolvido com tudo que faço e sei que na ACIRP tenho uma equipe que me dará total apoio. Seguindo a regra, o presidente anterior torna-se 1º vice-presidente da gestão seguinte. Assim, o José Carlos Carvalho auxiliará bastante.

Paulo: E qual a diferença entre ser presidente da ACIRP e da Fundação SOBECCan?
Maçonetto: Tem algo em comum: ambas as presidências são de trabalho voluntário. É mais complicado ser presidente do Hospital devido à quantidade de pessoas que te procuram e você tem que selecionar para poder atender, pois não tem recursos para isso. Possuímos uma estrutura no Hospital do Câncer de Ribeirão Preto de mais ou menos 1,5 mil m² construídos. Se você vê a estrutura, a qualidade, a limpeza, não acredita que a utilização é baixíssima. Sabemos que a cada dia a incidência do câncer está aumentando e, infelizmente, por problemas políticos do Sistema Único de Saúde (SUS) não conseguimos o credenciamento e algumas pessoas são prejudicadas.  O atendimento da SOBBECCan é totalmente gratuito. Se for detectado algum nódulo, todos os exames são feitos pelo Hospital. Se for necessária a cirurgia, temos a possibilidade de fazê-la por meio de nossos médicos em instituições com as quais temos parceria. Hoje, dos R$ 100 mil que gastamos mensalmente, o que temos garantido é o valor de R$ 45 mil. Para conseguir os outros R$ 55 mil, dependemos diretamente de eventos, como a campanha com os postos Ipiranga, realizada, recentemente, para arrecadar verbas para a adequação do centro cirúrgico; da população; de ajudas; boletos e doações. Ainda bem que somos bem vistos e as doações chegam. Ainda temos boas notícias para dar. O Hospital tem um convênio pelo SUS Estadual no qual há o compromisso de analisar três mil lâminas de papanicolau. É importante manter os exames de rotina em dia, pois, caso seja detectado algum nódulo, é muito mais fácil e barato cuidar no início da doença. Aos poucos, vamos estruturando para atender toda a demanda do Hospital.

Paulo: Pela sua experiência na ACIRP, quais os projetos você acredita serem os mais relevantes e que você dará sequência?

Maçonetto: Em princípio, daremos continuidade à gestão anterior. Revisar o Planejamento Estratégico da ACIRP; reformar a sede da Distrital Ipiranga; retomar o Conselho de Assessoramento para o Desenvolvimento Econômico e Socioambiental de Ribeirão Preto da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Cades ACIRP). O Livro e Caderno de Propostas (Cades ACIRP) teve elaboração conjunta com o Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad), e já foi entregue ao poder público. Além disso, para a realização deste trabalho, contamos com a colaboração de empresários renomados, que de forma voluntária dedicaram tempo para investigar e organizar esses dados. Também redefiniremos as áreas geográficas das seis distritais da ACIRP, de acordo com o mapa da cidade.

Paulo: Entre suas realizações, o comércio pode esperar as campanhas promocionais com distribuição de prêmios?
Maçonetto: Além dos projetos que pretendemos desenvolver por meio da ACIRP, já começamos a trabalhar no Natal Premiado para arrecadar alguns prêmios. E uma notícia em primeira mão: já temos um carro para ser sorteado. Frisando sempre a importância da participação e o envolvimento dos lojistas e da população nessas campanhas, que são de grande valor, tanto para o Sincovarp, quanto para a ACIRP.

Paulo: Você acredita que a entidade deve se posicionar politicamente?
Maçonetto: Tudo o que for em benefício da cidade, vamos apoiar, incentivar e colocar as nossas forças, independentemente de partido político e de qualquer pessoa que esteja lá. Se for benéfico para a cidade, trabalharemos nisso.

Paulo: Neste ano, teremos a Copa e as eleições. Você acredita que haverá espaço para a economia crescer?
Maçonetto: É fato que setores pontuais crescerão, como a área de hotelaria, alimentação, turismo, brindes e camisetas. Isso faz com que a economia gire mais. Você gasta mais, você usa mais e isso estimula a economia. Vejo uma situação muito positiva para Ribeirão Preto com a vinda da Seleção da França. Além de um ano de Copa, teremos uma seleção de primeira na cidade e isso faz com que a própria população se entusiasme com o evento. E tem o pós-Copa, área na qual estamos priorizando e focando no projeto Educação Empresarial, que está propiciando treinamentos aos colaboradores para termos um atendimento melhor. Começamos há pouco tempo e isso está evoluindo de tal forma que já tem pessoas que gostariam de levar a nossa equipe para dar treinamento nas suas empresas. Lembrando que também podemos conciliar os trabalhos da ACIRP com o Sincovarp, o Sebrae, entre outros interessados.

Paulo: Finalmente, quais serão seus principais focos de atenção neste mandato que se inicia?
Maçonetto: Assumi a presidência recentemente. Ainda estou me organizando. Todavia, tem uma frase no Rotary que eu prezo muito: “Dar de si antes de pensar em si”, que define exatamente o trabalho voluntário. Isso para mim é fundamental.  Acredito que se você não fizer isso, se você sempre tomar alguma atitude pensando em algo em troca, não dá certo. Alguns amigos brincam que meu dia tem 48h e não 24h, porque tudo que eu procuro fazer, eu me doo, faço tudo com amor, carinho e dedicação. Fazendo isso, o resultado com certeza será positivo e agradará a maioria das pessoas. Ser presidente da ACIRP é uma honra. Um orgulho enorme ter tido a consideração por parte da diretoria que me levou a ser presidente da entidade.

UMA VIDA DEDICADA AO EMPREENDEDORISMO

A escolha de Antonio Carlos Maçonetto pela diretoria da ACIRP para presidir o próximo triênio deixou todos nós do Sincovarp extremamente felizes. Afinal, é o nosso mais importante parceiro em todas as ações. Maçonetto conhece profundamente o funcionamento do dia a dia da entidade, trata tudo e a todos com muita seriedade e profissionalismo. Ele é um símbolo do associativismo e de solidariedade nas demais entidades das quais participa. Deve-se ressaltar também a qualidade e a reputação dos demais companheiros de diretoria que sempre estiveram ao seu lado na gestão anterior e que o estão apoiando nesta nova empreitada. O setor do comércio, da indústria, de serviços e de toda a classe empresarial de Ribeirão Preto só tende a crescer e a evoluir com o presidente Antonio Carlos Maçonetto.
Paulo César Garcia Lopes, Presidente Sincovarp

Texto: Pâmela Silva
Fotos: Ibraim Leão

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