Um novo refúgio
Pandemia e isolamento social geram uma mudança comportamental, que, por sua vez, motiva adequações na arquitetura e na decoração das casas
Texto: Paula zuliani Fotos: Lidia Muradás
Para Juliane Mateo de Siqueira, a casa sempre representou algo a mais do que uma simples construção. “É o meu lar, um paraíso particular, onde encontro a minha paz e recarrego as energias com a minha família. Muitos dos nossos melhores momentos acontecem justamente aqui”, declara. Logo que se mudou para Ribeirão Preto, há cerca de um ano e meio, a empresária estava envolvida no processo de abertura de uma loja, o que a impediu de acompanhar as obras da residência tão de perto quanto gostaria. “Felizmente, contei com o auxílio de um ótimo profissional, o arquiteto Bruno Castanhari, que conseguiu materializar as nossas ideias e imprimir o nosso estilo no projeto”, recorda.
Com a pandemia e a adoção do trabalho remoto, a empresária teve a oportunidade de voltar seu olhar para o local com uma perspectiva diferente. “A casa está sempre em transformação, assim como as nossas histórias. Pude experimentar novas situações e refletir sobre os recursos disponíveis para deixar os ambientes ainda mais lindos e equilibrados. Investi em peças da Saccaro, da Casa de Família, que complementaram, perfeitamente, a ornamentação. Não vejo a hora de poder receber nossos amigos e familiares para usufruirmos, juntos, desses espaços”, acrescenta.
É inegável que a pandemia exigiu que as pessoas se reinventassem em todos os sentidos, principalmente na maneira de viver e de conviver. “Com a recomendação de distanciamento social, o lar acabou se tornando um refúgio que congrega múltiplas funções, como home office, escola e lazer, só para citar algumas. Utilizamos nosso know-how e expertise para auxiliar os clientes a fazer essa transição de maneira harmônica, com tecnologia e seguindo todos os protocolos de segurança. O cliente tem a opção de levar as peças para casa e ver como os móveis vão compor no seu ambiente real, afinal, o conforto é algo muito subjetivo que precisa do toque”, aponta Laura Wadhy, diretora da Casa de Família.

Detalhes que fazem a diferença
A designer de interiores Wilnes Tórtoro explica que, com a pandemia da Covid-19, as pessoas experimentaram uma transformação no modo de se viver e, sem tanta correria no dia a dia, conseguiram enxergar as particularidades de suas residências e o que elas precisam, de fato, para serem mais bonitas, confortáveis e funcionais. “As pessoas estavam dispersas em relação às verdadeiras necessidades de um lar. Neste momento, percebo que há uma união maior, uma valorização do convívio familiar e, consequentemente, da casa. A reorganização das estruturas e dos elementos é fundamental para adequar o imóvel à nova dinâmica de seus moradores”, enfatiza Wilnes, que tem recebido o chamado de diversos clientes para promover essas modificações.
Um deles é Hélio de Figueiredo Barroso Filho, que, por atuar no setor de turismo, passa a maior parte do ano acompanhando seus grupos em roteiros personalizados pelo mundo. Sem a possibilidade de embarcar por enquanto, já que as fronteiras entre os países permanecem fechadas, o empresário, com a ajuda de Wilnes, encontrou uma forma de amenizar a saudade das viagens. “Costumo trazer algumas lembranças dos destinos que visito. Agora que tenho ficado mais tempo por aqui, senti a necessidade de reviver um pouco dessas memórias marcantes e decidi criar uma atmosfera multicultural no meu próprio apartamento. Vários dos objetos que estavam guardados foram resgatados e, hoje, fazem parte da decoração. Cada peça me remete a um lugar, conta uma história que eu tenho o maior prazer em escutar. Essa sensação de proximidade com o meu universo de antes da pandemia me faz muito bem”, afirma Hélio.
Outra cliente que buscou a orientação da arquiteta para valorizar a casa recentemente foi a psicóloga Lídia Perticarrari Rodrigues. “Estamos reclusos, há meses, em um mesmo espaço. Naturalmente, acabou surgindo uma vontade de renovar a casa. Para garantir escolhas assertivas e alcançar um bom resultado, nada melhor do que contar com uma assessoria especializada. Foi o que fizemos”, descreve Lídia. Entre as mudanças feitas, o tapete entrou como peça principal no ambiente, deixando-o mais agradável e aconchegante. 
O setor se adapta
Essa tendência — de aprimorar os espaços mais frequentados e de aproveitar os que não são tão utilizados assim — movimenta as lojas de móveis e artigos de decoração como as que integram o Grupo Robusti. “A casa, de uma maneira geral, tornou-se o foco das atenções. Os investimentos tendem a continuar, porque, ao que tudo indica, o cenário deve permanecer o mesmo nos próximos meses”, comenta Stélio Robusti. O empresário revela que os sofás estão entre os produtos mais procurados pelo público, assim como as escrivaninhas, as cadeiras ergonômicas e a linha de luminárias. “São peças importantes, que se encaixam nas demandas atuais, tanto para os momentos de descanso e de descontração, quanto para o home office e as aulas on-line. Independentemente do tamanho do imóvel ou do estilo da decoração, pequenos complementos são capazes de agregar muito valor, funcionalidade e sofisticação aos ambientes”, pontua Stélio. 
Com a proibição de receber os clientes no showroom, as empresas tiveram de se adaptar. A Líder Interiores, por exemplo, intensificou a presença nas redes sociais e o atendimento digital. “Estávamos finalizando a montagem do showroom com a nova coleção quando a pandemia chegou. As pessoas não tiveram a chance de ver os nossos produtos presencialmente. Para solucionar essa questão, temos postado muitas fotos e convidamos, semanalmente, um profissional da área, que, por vídeo, mostra alguns detalhes dos ambientes. Esse tipo de conteúdo, mais interativo, gera um bom retorno. Outra ferramenta que nos ajuda bastante é o WhatsApp Business. Conseguimos apresentar os projetos e conduzir as negociações por chamadas de vídeo, mantendo a segurança de todos os envolvidos sem perder a proximidade, mesmo que virtual, com os clientes”, descreve a empresária Jussara Ribeiro.
Destaque para as casas
Além da repaginação no design de interiores e de pequenas reformas, a pandemia também tem motivado grandes mudanças. Segundo o arquiteto Sérgio Coelho, o interesse por espaços mais amplos e individualizados, com ênfase nas casas, cresceu nos últimos meses. “Recebemos em nosso escritório um número significativo de clientes que demonstraram o desejo de deixar seus apartamentos, pois esse tipo de imóvel possui áreas compartilhadas, incluindo os itens de lazer. Como o período de distanciamento social vem sendo prolongado sistematicamente e não há uma perspectiva real sobre o processo de reabertura, as casas ganham destaque por saírem da coletividade, proporcionando mais conforto, privacidade, tranquilidade e qualidade de vida, principalmente para quem tem filhos pequenos. Essa situação nos fez redescobrir o prazer de conviver com a nossa família dentro dos nossos lares”, ressalta. Ainda segundo o especialista, as áreas sociais, o contato com a natureza e as opções de entretenimento, como sala de estar, cozinha gourmet, varandas, piscina e sauna, entre outras, estão entre as prioridades para enfrentar esse confinamento de uma forma mais suave e divertida.
